Quanto vale um parque?

O Parque Barigui tem um retorno sobre o investimento de R$ 12,50 para cada real investido.

Em meio a discussões envolvendo a importância da criação e manutenção de Unidades de Conservação (UCs) para o meio ambiente e para a economia brasileira, nesta quarta-feira (14), o País comemora o Dia dos Parques Nacionais. Presentes no dia a dia da população, os parques têm uma importância muito maior do que apenas a ambiental.

Para comprovar isso, no último ano, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza realizou um estudo em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Curitiba (SMMA), com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário, o roteiro metodológico de valoração dos benefícios sociais e econômicos de unidades de conservação, que pode ser adaptado a qualquer área protegida, pública ou privada, foi aplicado em cinco parques do Paraná mostrando que, ao todo, eles geram benefício superior a R$ 80 milhões por ano ao estado.

Parque Estadual Pico do Marumbi.

Os parques valorados no estado foram o Parque Natural Municipal Barigui, em Curitiba, que soma R$ 43 milhões em benefícios por ano; o Parque Estadual (PE) das Lauráceas, entre Tunas do Paraná e Adrianópolis (R$ 18,7 milhões); PE de Vila Velha, em Ponta Grossa (R$ 13 milhões); PE Pico do Marumbi, em Morretes, Piraquara e Quatro Barras (R$ 4,4 milhões); e PE do Cerrado, em Jaguariaíva (R$ 679 mil).

“Embora amplo, o estudo não abarcou todos os benefícios possíveis, nem considerou o valor da biodiversidade em si, ou seja, certamente esses parques valem muito mais que isso, mas esses números servem de referência e como ponto de partida para complementar o discurso a favor da conservação da natureza”, ressalta a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Malu Nunes.

Entre os benefícios valorados está o retorno de gastos médios feitos por cada visitante ao consumir no comércio local. No Parque Barigui, por exemplo, que concentra quase nove milhões de visitantes por ano, o valor anual chega a R$ 37 milhões e, no Vila Velha, com visitação média de 63 mil pessoas por ano, chega a R$ 9 milhões. “O estudo torna palpável para a população a importância dos investimentos feitos em nossas Unidades de Conservação e comprova, em números, que as UCs impactam de maneira positiva no desenvolvimento de cada uma das regiões do estado”, afirma o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

Parque de Vila Velha.

Outro ponto importante é que todas as Unidades de Conservação valoradas geram retornos à sociedade, que compensam o investimento em sua manutenção, demonstrando o valor destas áreas dos pontos de vista ambiental, social e econômico. O Barigui tem um retorno sobre investimento de R$ 12,50 para cada real investido; Lauráceas tem R$ 75; Vila Velha, R$ 7,7; Marumbi, R$ 7,10; e Cerrado, R$ 2,06.

Valorar para valorizar

Segundo Malu Nunes, as vantagens da conservação dos ambientes naturais para a sociedade humana são inúmeras, mas afirma que apesar dessa importância, as UCs ainda precisam ser mais valorizadas no Brasil. “É preciso que governo, setor privado e sociedade civil compreendam a relevância social e econômica dessas áreas, de forma a criar mais UCs e implementar de modo efetivo as existentes”, alerta Malu. Ela complementa dizendo que, nesse contexto, pensar além da biodiversidade e valorar também os benefícios sociais e econômicos proporcionados pelos parques contribui para promover mais incentivos públicos e privados a seu favor.

O estudo desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário permite evidenciar os pontos-fortes e os diferenciais de cada UC, de modo a direcionar os esforços do seu mantenedor – seja governo ou particulares – e potencializar o impacto econômico que essas áreas geram às regiões onde estão inseridas. Isso possibilita que a sociedade valorize a existência e a manutenção dessas áreas.

Marion Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário, cita exemplos a partir dos parques de Curitiba e do Paraná. Barigui, Marumbi e Vila Velha, localizados dentro e próximos a grandes centros urbanos, têm potencial para ações de ecoturismo e educação ambiental, valendo muito a pena o investimento em infraestrutura que fortaleça essas atividades. Já os parques das Lauráceas e do Cerrado, oferecem contribuição em outros aspectos, como evitar a erosão do solo e o sequestro de carbono pelas áreas em regeneração.

Além disso, todas essas áreas geram benefícios fiscais para os municípios, provenientes de arrecadação de impostos gerados pela presença das UC (ICMS Ecológico). Por exemplo, por sediar o PE das Lauráceas, o município de Adrianópolis recebe um repasse de R$ 3 milhões ao ano de ICMS Ecológico, o que representa cerca de 18% do Valor Agregado de Serviços, e quase 3,5% do PIB municipal.

Crédito da foto do Parque Barigüi- Carlos Ruggi.

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