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Relações familiares e sua interferência nos negócios da empresa

Monique de Souza Pereira.

Gerenciar uma empresa familiar não é tarefa fácil, principalmente quando as relações familiares acabam interferindo diretamente sobre os negócios. Situações cotidianas das famílias como casamento, nascimento, criação e educação dos filhos, casais de meia-idade e o envelhecimento de seus membros normalmente influenciam no desempenho das empresas. De forma geral, a maioria das empresas familiares passa por quatro estágios sequenciais, regidos pelo envelhecimento biológico de seus membros.

No primeiro estágio da jovem família empresária, o aspecto pessoal é marcado pelo casamento e pelos primeiros anos de vida dos filhos. Nessa fase, fará parte dos planos

Nelson Luiz Oliveira.

do casal iniciar uma atividade empresarial, de forma que tempo, energia e dinheiro poderão ser escassos, o que exigirá muito esforço de ambos para que o negócio se desenvolva. Dessa forma, embora o cenário esteja mudando, antigamente era comum o casal dividir as tarefas, cabendo ao marido desbravar e desenvolver o negócio familiar com o objetivo de alcançar segurança financeira e, à esposa, se dedicar à administração do lar e à rotina de criação dos filhos. Hoje, observando empresas que estão em fase de transição entre 1ª e 2ª geração, ainda é possível observar esse modelo, embora existam também muitos exemplos de casais que empreenderam juntos, mas tiveram pouco tempo para acompanhar o desenvolvimento e crescimento dos filhos.

No decorrer dos anos, os pais enfrentam o desafio de preparar seus descendentes para as melhores oportunidades de sucesso quando adultos. Contudo, nas famílias empresárias o desafio é um pouco diferente, porque em meio a todas as alternativas que os jovens adultos possuem diante de si, existe uma oportunidade específica que precisa ser aceita ou rejeitada: trabalhar nos negócios da família. Nesse momento, os filhos, já na faculdade ou terminando os estudos, precisam optar por trabalhar na empresa da família ou desenvolver a carreira que escolheram para si, não necessariamente dentro dos negócios familiares, momento que pode representar o segundo estágio, da entrada na empresa familiar.

O terceiro estágio, descrito como trabalho em conjunto, é identificado quando 1a e 2a gerações da família dividem o mesmo espaço dentro da empresa, somando esforços para potencializar o sucesso do negócio. Nessa fase, como muitos conflitos podem vir à tona em razão do convívio diário, é importante que haja uma boa comunicação entre os familiares e ferramentas de mediação, para que eventuais divergências sejam resolvidas de maneira produtiva e não destrutiva.

E, por fim, o quarto e mais delicado estágio, conhecido como a passagem do bastão é marcado por um choque de forças opostas: a dificuldade da geração mais velha em sair da empresa e a da geração mais nova em esperar. Existe de fato um grande temor do fundador de perder a estatura heroica alcançada ao longo de anos de dedicação à empresa e com ela também perder status, poder e outras recompensas que a posição lhe proporciona.
Portanto, ambas as gerações podem ter dificuldade para pensar e falar sobre o assunto sucessão, sendo muito comum, infelizmente, ocorrer um evento inesperado para que essa transição aconteça de forma desestruturada e não planejada, por meio de doenças e falecimentos, por exemplo.

Para evitar surpresas desagradáveis, é importante que membros de empresas familiares se antecipem aos acontecimentos e já deixem tudo escrito e organizado de forma muito transparente, para que as próximas gerações conduzam com maestria as empresas e os negócios deixados pela família.

O artigo foi escrito por Monique de Souza Pereira, que é membro do Grupo de Estudos de Empresas Familiares – FGV/SP e associada do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, e Nelson Luiz Paula de Oliveira, que é Administrador e Coordenador do Capítulo Paraná do IBGC. Especialista em Governança Corporativa e Familiar com Certificação pelo IBGC. Conselheiro Fiscal do IBEF Paraná. Atua como Consultor nas áreas econômico-financeira e estratégica de diversas empresas.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
http://www.miriangasparin.com.br

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