Estamos dispostos a negócios disruptivos?

Ricardo Nogueira.

Não há revolução industrial que possa prescindir da melhoria contínua da qualidade do produto com redução de custo. Essa ideia simplifica o horizonte de toda e qualquer organização seja qual for o cenário econômico, e expõe o que talvez seja o maior desafio atual ante a velocidade e a quantidade de mudanças dos mercados: o modo de fazer as coisas mudou e sobressair na ilimitada era digital dependerá de nossas escolhas.

Passado o primeiro susto com a novidade de que a expressão pensar fora da caixa já envelheceu, uma das poucas certezas no mundo corporativo está no fato de que as crises são um chamado para a inovação. Isso posto, diga-se de passagem que a redução dos recursos humanos nas empresas pode ser a forma mais rápida de cortar custos, mas está longe de ser a mais eficiente.

Caminhos sustentáveis para a competitividade em tempos de mudanças tão profundas quanto rápidas como as de hoje precisam ser continuamente descobertos. Maneiras novas de pensar e realizar exige algo mais do que um espírito empreendedor, a tecnologia e mesmo o conhecimento, possam fazer.

Estamos olhando para consumidores cada vez mais conectados e ávidos por fazerem o melhor uso do seu tempo e dinheiro, descomplicar a vida. Cabe à indústria criar soluções em produtos e serviços para seus desejos, sempre velozmente ultrapassados pelas necessidades crescentes da vida moderna.

Para sobreviver é preciso se alinhar com as tendências tecnológicas mundiais sob pena de ficar de fora da competição. Na empresa de tecnologia 100% brasileira a qual presido, vimos quebrando paradigmas e olhamos para o futuro com otimismo.

Abraçamos o desafio de gerar soluções inovadoras e customizadas para os clientes, empresas dos mais variados setores da economia, como automotivo, embalagem, energia e infraestrutura, plásticos e equipamentos industriais, por meio da digitalização e simulação de ensaios para desenvolvimento e validação de produtos.

Temos feito a lição de casa e investido no aprimoramento dos processos de produção e de gestão de recursos humanos, este último indiscutivelmente o nosso maior patrimônio. E temos visto que o desempenho de uma organização pode ser medido também pelo modo como os recursos são utilizados. Importa lembrar que, nessa equação, sem talentos a tecnologia sozinha não gera frutos.

A criação de novas metodologias para o desenvolvimento local de soluções inovadoras a um sem número de gargalos enfrentados pelas organizações tem se mostrado eficiente para os negócios dos dois lados dessa relação.

Uma indústria forte e competitiva é alicerce para o futuro de qualquer nação e o Brasil precisa desenvolver tecnologia e fomentar a engenharia local. Considero este momento disruptivo uma valiosa oportunidade para o País trazer competitividade para seus processos produtivos, produtos e serviços, aproveitar sua vocação para inovar. Essa visão e os esforços no suporte a esse desenvolvimento, nosso core business, alçou as nossas atividades de serviços a um crescimento médio anual de 16% nos últimos cinco anos.

Expandimos as instalações do nosso TechCenter e agregamos equipamentos, ampliamos o corpo técnico da organização com engenheiros de diversas especialidades, e seguimos implantando sistemas e metodologias inteligentes para o gerenciamento interno e controle de cada uma de nossas atividades até alcançar todas as áreas da empresa. Acreditamos que o País precisa de iniciativas desse tipo e continuaremos nosso processo de investimento.

A governança é uma maneira de aprimorar processos e gerar valor. Ordem na casa é sempre bom. Retirar caixas empilhadas na janela pode revelar uma paisagem escondida, que pode ser o ponto de partida para negócios disruptivos. Só precisamos nos dispor a realizá-los e acreditar que este é um lugar com muitas oportunidades para quem quer empreender.

O artigo foi escrito por Ricardo Nogueira, que é economista e presidente da SMARTTECH.

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