Metade das empresas brasileiras já foi vítima de crimes econômicos, que estão cada vez mais robustos em termos de valores

O número de empresas que registram casos de corrupção e propina continua em alta. Nos dois últimos anos, por exemplo, metade das empresas brasileiras sofreu algum tipo de crime econômico, segundo aponta pesquisa realizada pela consultoria PwC. Entre os crimes econômicos mais comuns estão o roubo de ativos, que inclui dinheiro, estoque, mercadorias e móveis da própria empresa, fraudes em compras, fraudes contábeis, fraudes dos consumidores, suborno, má conduta empresarial e crimes cibernéticos. Aliás, o crime cibernético continua sendo uma grave ameaça para as empresas. No Brasil, 14% das empresas que participaram da pesquisa acreditam que nos próximos dois anos este será o crime de maior impacto para seus negócios. De 2016 para 2018, 22% das empresas entrevistadas foram afetadas por ataques cibernéticos via malware ou phishing.

Eu conversei com o sócio da PwC e responsável pela área de Riscos na Região Sul, Alex Freitas, e ele me disse que os crimes econômicos sempre existiram, mas só, que depois da Operação Lava Jato eles se tornaram mais claros para a sociedade. E com este aumento, as empresas passaram a investir mais para combater este tipo de delito. No Brasil, 52% das companhias aumentaram seu comprometimento financeiro para combate a estes crimes no último biênio. Na média mundial o porcentual foi um pouco menor e ficou em 42%.

O sócio da PwC me explicou que o aumento dos investimentos é justificado pelo fato de que os crimes econômicos têm um impacto muito grande para as organizações. Só para se ter uma ideia, a pesquisa mostrou que no Brasil, 7% das empresas ouvidas tiveram prejuízos acima de US$ 50 milhões e em 66% das companhias as perdas somaram até US$ 1 milhão nos dois últimos anos. Considerando os custos secundários, como investigações e intervenções, 31% das empresas brasileiras afirmam ter gasto até duas vezes mais do que perderam com o crime.

Eu perguntei ao sócio da PwC sobre o que as empresas estão fazendo para combater os crimes econômicos e me informou que boa parte das companhias está ampliando o canal de denúncias. E com a lei anticorrupção, as empresas estão trabalhando para que haja uma conscientização maior dos funcionários em relação ao que é corrupção, fraude, suborno e apropriação indébita. Tudo isso é reforçado com a implantação de um Código de Ética. Ou seja, com um canal de denúncias eficaz, e um manual de ética, os crimes econômicos podem ser combatidos mais facilmente.

Por fim, Alex Freitas chama a atenção para o fato de que os crimes econômicos estão cada vez mais robustos em termos de valores. Portanto, o ideal é agir de forma preventiva e, principalmente, antes que o nome da empresa seja manchado.

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