Aumentam chances de alta da Selic nas próximas reuniões do Copom

Surpreendendo as expectativas de grande parte dos analistas e contrariamente as sinalizações anteriores, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a meta da taxa Selic em 6,5% a.. De acordo com o superintendente da Assessoria Econômica da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Pinheiro de Souza Gonçalves, isso ocorreu por causa das preocupações com o ambiente externo mais desafiador e volátil e dos impactos negativos no apetite ao risco dos mercados emergentes, suspendeu-se a flexibilização monetária adicional que objetivava mitigar o risco da postergação da convergência da inflação rumo às metas.

Na visão da autoridade monetária, a mudança no balanço de riscos para a inflação prospectiva asseguraria a inflação na meta no horizonte considerado relevante, com maior peso para o ano de 2019. Adicionalmente, o Copom voltou a evidenciar as suas projeções. “Assim, em um exercício com juros constantes a 6,5% a.a. e um câmbio constante de R$/US$ 3,60, as variações do IPCA para 2018 e 2019 estariam próximas de 4,0%”.

Nesse sentido, mesmo ainda considerando um comportamento favorável, a decisão é baseada nas suas preocupações com os possíveis impactos secundários da depreciação cambial e da elevação dos preços do petróleo na inflação prospectiva.

“Com a divulgação dos parâmetros e os números calculados, a expectativa é de que a Selic seja mantida enquanto esse cenário seja mantido. Porém, com a deterioração do quadro geopolítico internacional, a normalização monetária nas economias avançadas e a aproximação do processo eleitoral, a pressão cambial persistirá. Assim, são maiores as chances de que os próximos movimentos sejam de alta. Se correta essa leitura poderá trazer ajustes na estrutura a termo da taxa de juros com efeitos negativos para a atividade econômica, ainda que o nível atual da taxa de juros seja considerado estimulativo”, finaliza Gonçalves.

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