No Dia Mundial da Reciclagem, números do setor deixam a desejar, embora seja um bom negócio para ser explorado por micro e pequenas empresas

Hoje é o Dia Mundial da Reciclagem, uma data que é pouco divulgada e quando se analisam os números do setor, não há muito o que se comemorar. Segundo o Atlas de Resíduos da América Latina, cerca de 540 mil toneladas de resíduos sólidos são geradas todos os dias na América Latina e Caribe, sendo que as iniciativas de reciclagem atingem apenas 20% deste montante. Até 2050, a estimativa é de que a geração de lixo chegue a 671 mil toneladas diárias nestas regiões.

Quanto aos resíduos industriais, só o Brasil produz anualmente 33 milhões de toneladas de rejeitos, dos quais 25 milhões de toneladas não têm tratamento adequado, segundo aponta estudo da Consultoria Tendências, encomendado pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre).

A verdade é que apesar dos números ainda pequenos de reciclagem, as empresas brasileiras que atuam neste setor têm feito um bom trabalho e contam com a ajuda dos catadores, que se limitam a reciclar apenas os produtos com maior aceitação no mercado. Eu conversei com alguns empresários e eles me disseram que o que está faltando são incentivos para que as indústrias se conscientizem de que devem caminhar para a logística reversa de seus produtos e, dessa forma, ampliar o porcentual de reciclagem. No entanto, a logística reversa é um processo que encarece o preço final dos produtos. Os empresários alegam que se houvessem mais incentivos dos governantes e legisladores, se conseguiria o tão almejado equilíbrio financeiro dos negócios.

Uma coisa é certa: a gestão de resíduos tende a crescer daqui para frente e as micros e pequenas empresas levam alguma vantagem. É que as inovações na área de reciclagem e gestão ambiental exigem agilidade, o que dá vantagem às pequenas empresas.

Outro ponto positivo é que com a lei 12.305, que estabeleceu a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, as empresas e os municípios precisam cumprir metas claras para reduzir a geração e a quantidade de resíduos que vão para os aterros. Com isso, as grandes companhias estão contratando empresas especializadas para coletar e descartar corretamente cada componente que seria transformado em lixo comum. Nesse sentido, são necessárias empresas para recolher, processar e devolver os materiais para o processo produtivo como matéria-prima. Um empreendedor que tenha conhecimento específico e saiba dialogar com as cooperativas de catadores, prefeituras e outras empresas, terá boas chances de sucesso.

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