Com a falta de mão de obra qualificada, solução das construtoras é investir em cursos de qualificação

Ralf Haddad: a MRV está investindo em cursos de qualificação.

Os primeiros sinais de recuperação e crescimento da economia são dados pelo segmento da construção civil. Depois de dois anos de recessão, a construção civil volta a reagir, porém está enfrentando um de seus maiores desafios, que é a falta de mão de obra qualificada. Só para se ter uma ideia, um estudo feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), aponta que pelo menos 74% das empresas do setor encontram dificuldades na seleção de trabalhadores com qualificações necessárias para o preenchimento de diversos cargos.

A verdade é que, no passado, a indústria da construção civil foi montada de forma artesanal pelas mãos de operários em sua maioria analfabetos e sem qualificação técnica. Hoje, as construtoras pagam o preço de décadas sem investimento em formação de pessoal qualificado.

Eu conversei com o diretor de Produção da MRV Engenharia, Ralf Haddad, e ele me disse que diante da dificuldade de encontrar profissionais com qualificação a empresa está investindo em cursos de formação de mão de obra, em especial na área de instalação hidráulica. Em parceria com o Senai do Paraná são oferecidas aulas de encanador dentro do próprio canteiro de obras, como parte do programa Escola Nota 10 apoiado pelo Instituto MRV. A primeira turma formou 18 profissionais da empresa, mas este número ainda é insuficiente para atender a demanda das obras. Desde seu lançamento, em 2011, o programa já beneficiou mais de 3.500 trabalhadores da MRV, em mais de 170 escolas acompanhadas pelo Instituto, que promove cursos de alfabetização, inclusão digital e profissionalizantes.

O diretor de Produção da construtora me explicou que a atividade de instalação hidráulica faz parte de um caminho crítico no fluxo de atividades de uma obra. Sem a liberação deste serviço, por exemplo, não se pode nem sequer instalar a cerâmica nos apartamentos. Segundo Haddad, profissionais com cursos técnicos adequados aprendem corretamente o ofício, além do que a formação evita problemas oriundos de má execução, como eventuais defeitos, e os retrabalhos que custam tempo e material.

Ralf Haddad me contou que até cinco anos atrás, cada unidade construída representava duas caçambas de entulhos. Com a qualificação da mão de obra e o uso de tecnologias e maquinário apropriado, cada apartamento resulta, em média, hoje, em apenas uma caçamba de restos de materiais.

Até o final deste ano, a MRV deve investir R$ 550 milhões para o lançamento de 5.500 unidades habitacionais no Paraná, destinadas ao programa Minha Casa Minha Vida. Com esse investimento, a empresa projeta chegar em 2018 com um aumento de 20% na sua força de trabalho, hoje formada por 3 mil trabalhadores diretos e indiretos só na Região Sul.

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