Como a tecnologia vai ajudar o supply chain após a greve dos caminhoneiros

Carolina Cabral.

Se a greve começou devido ao aumento no preço dos combustíveis, as consequências serão muito mais amplas que isso. O abastecimento de estabelecimentos e indústrias em todo o país ficou significantemente prejudicado pelos bloqueios feitos pelos caminhoneiros nas principais rodovias. Enquanto o governo busca fazer os acordos e trâmites necessários para que os impactos dessa crise não cause efeitos maiores, é essencial que os gestores e responsáveis pela Logística e Suprimentos nas empresas analisem os possíveis cenários e tomem medidas para diminuir prejuízos e futuros riscos.

Com o fim da greve, as operações não serão normalizadas tão rapidamente, algumas poderão demorar de 15 a 30 dias ou até mesmo meses. As transportadoras deverão trabalhar continuamente para aumentar o número de entregas e minimizar os impactos da greve. Um dos efeitos dessa movimentação será o aumento do custo de contratações com frotas adicionais para que as operações se estabilizem rapidamente. É fato que, as empresas que contam com tecnologias adequadas e integradas a seus processos, saem na frente das demais.
A logística brasileira tem uma grande dependência dos transportes rodoviários, que escoa 75% da produção do país, segundo pesquisa da Fundação Dom Cabral. Assim, não é de se estranhar que qualquer movimentação nessa frente tenha grandes impactos na rotina das companhias. Em termos econômicos, o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas estima uma redução da expectativa do crescimento do Brasil para 1,9%, frente a alta de 2,3% prevista anteriormente.

Considerando esse cenário, as empresas precisam contar com ferramentas tecnológicas para agir de forma assertiva. A proposta é combinar diferentes recursos e soluções para fornecer maior visibilidade àqueles que estão na linha de frente da cadeia de suprimentos. O Blockchain, por exemplo, pode trazer maior transparência sobre a origem dos produtos e os gestores poderão acompanhar sua operação de ponta a ponta e inclusive se programar para potenciais falhas.

Outros destaques são as tecnologias como os sensores conectados pela Internet das Coisas (IoT), usados na gestão do uso de energia, água e outros insumos utilizados na etapa de produção. Assim como os drones, que monitoram e verificam a existência de vazamentos em operações de difícil acesso, como oleodutos, e o Big Data Analytics e GPS, que unem suas capacidades para otimizar atividades de crescimento das empresas.

Além disso, os gestores de supply chain podem contar com as mídias sociais para obter informações atualizadas sobre a atuação e reação dos principais agentes, como o governo, os caminhoneiros e o público em geral.
Com uma visão abrangente e a possibilidade de mapear os principais gaps, os profissionais da cadeia de suprimentos ganham força para estruturar um plano de contenção, buscando prever futuros desdobramentos e agindo de forma consistente.

O artigo foi escrito por Carolina Cabral é sócia-diretora da Nimbi, especialista em tecnologia para a cadeia de suprimentos.

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