Dólar sobe 11% nos últimos 30 dias e tem reflexos diretos nas exportações e importações

A forte oscilação do dólar americano tem efeito direto nas importações e exportações brasileiras. Só neste início de mês, o dólar comercial já subiu 6,4%, e nos últimos 30 dias a valorização do dólar em relação ao real chega a 11%. Na manhã desta sexta-feira (8), o dólar abriu a R$ 3,82 e caiu até R$ 3,79, mas alguns especialistas estão prevendo que o dólar pode bater a casa de R$ 5 ainda este ano em função da alta dos juros nos Estados Unidos.

Para quem compra, ou seja, para as empresas importadoras, quanto maior for o valor do dólar, mais caro se tornará o processo de importação. Ou seja, este valor será repassado ao consumidor final que pagará mais pelo mesmo produto. Por outro lado, para as empresas exportadoras, quanto maior for o valor do dólar mais receberão pelo produto vendido. Diante desse cenário existem duas opções: ou a empresa reduz o valor do seu produto tornando-se mais competitiva internacionalmente ou ela mantém o seu preço e terá uma margem de lucro muito maior.

Ainda dentro de um contexto de aumento do dólar é preciso considerar também outros fatores, tais como o custo do frete, seguro internacional, impostos, taxas e tarifas que também são cobradas em dólar tanto para quem importa, quanto para quem vende. Se analisarmos a situação sob esse aspecto, o aumento do dólar não é a melhor solução para o mercado. Além disso, toda a cadeia de insumos é afetada e por mais que os exportadores sejam beneficiados com a valorização da moeda norte-americana, ela também sofre consequências em outras áreas deste aumento, que poderá reduzir o seu aparente ganho.

Outra maneira pela qual a alta do dólar influencia os preços é que, com o produto importado mais caro, os produtos nacionais acabam também sofrendo um reajuste. É que produtores aproveitam a alta do importado para aumentar a sua margem de lucro.

E quem está pensando que não será afetado pela alta do dólar porque não vai viajar para o exterior e nem ganha em dólar está enganado. O impacto da alta do dólar em relação ao real chega a todos, inclusive a dona de casa, quando vai as compras para comprar o pão para o café da manhã ou o macarrão para fazer no almoço. Dólar valorizado é sinônimo de uma economia em desiquilíbrio.

Na opinião da consultora e professora, Flávia Chinelato, o melhor cenário não é o dólar ser baixo para beneficiar os importadores e nem alto demais para facilitar apenas as exportações. Segundo ela, para a economia girar de forma sadia o melhor é que haja um equilíbrio para que tanto os exportadores quanto os importadores possam se beneficiar, porque quando apenas um dos dois tem benefícios, certamente do outro lado da balança haverá um desequilíbrio que afetará o outro, pois, o mercado precisa tanto dos compradores quanto dos vendedores para o sucesso do negócio.

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