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O Brasil que eu quero: Educação

Gilmar Mendes Lourenço.

Há alguns meses, em linha com a evolução do ciclo eleitoral, a rede globo de televisão lançou um desafio aos brasileiros: realizar uma gravação de vídeo descrevendo o país que desejam para o futuro. A tarefa deveria ser executada com a utilização de aparelhos celulares, na posição horizontal, com duração de quinze segundos.

A esmagadora maioria do material enviado à emissora reproduz pertinentes demandas e clamores relacionados à eliminação da corrupção e à melhor aplicação dos tributos retirados dos agentes sociais pelo governo, que venha a se traduzir em ampliação quantitativa e qualitativa da provisão dos serviços e, no limite, corajoso ataque à desigualdade.

De fato, a perseguição ferrenha do propósito de minimização das disparidades na apropriação do produto social representa o vetor principal para superação da síndrome de nação de renda média, que acomete o Brasil desde a deflagração do processo de substituição de importações, a partir dos anos 1930, como forma de abrandamento das agruras provocadas pela grande depressão mundial e a crise de superprodução de café.

Convém sublinhar que a trajetória de diminuição da pronunciada concentração de renda e avanço da mobilidade social, construída no transcorrer de quase duas décadas e amparada na desinflação, produzida pelo plano real, lançado em 1994, e em algumas inciativas oficiais de transferência de renda, sofreu forte abalo com a realização de incursões intervencionistas do governo federal, a partir de 2011.

Mais precisamente, a aplicação da “nova matriz econômica”, escorada na expansão do consumo público e privado – bancada por financiamentos de bancos oficiais e corte de impostos -, em detrimento do incremento dos investimentos, empurrou o país para a mais profunda e longa recessão da história, resultando na fragilização e precarização do mercado de trabalho, com a desocupação saltando de 6,0% da população economicamente ativa (PEA) para mais de 13,0% da PEA quatro anos.

Por conta disso, estimativas oficiais revelam que cerca de 52,0 milhões de brasileiros, ou 25,0% da população, ocupam o estrato localizado abaixo da linha de pobreza, que engloba pessoas com rendimento diário de R$ 18,30, conforme linha de corte estabelecida pelo Banco Mundial.

Mais que essa aberração, simulações conduzem a constatação de que 14,83 milhões de pessoas vivem na condição de extrema pobreza, o que corresponde a 7,2% dos habitantes do território nacional que tentam encontrar forças para sobreviver com R$ 4,50 por dia.

Isso é estarrecedor para um país com dimensões continentais, que ocupa menos de 10,0% de seu território com exploração agropecuária, que contabiliza a maior carga tributária entre as nações consideradas emergentes, equivalente a 33,0% do produto interno bruto (PIB). O mais gritante é que o padrão de serviços públicos prestados pelo estado à população é semelhante ao dos países de terceiro mundo.

Decerto que um novo arranjo macroeconômico, apoiado nas reformas estruturais, principalmente tributária, previdenciária e patrimonial, favoreceria o reequilíbrio das finanças governamentais e, por extensão, o financiamento das políticas sociais compensatórias.

No entanto, o declínio perene da desigualdade e a multiplicação de oportunidades dependem de investimentos em educação básica voltados à produção de um número cada vez menor de alunos que não sabem fazer contas nem compreendem o que leem, como demonstram as avaliações internacionais efetuadas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), especificamente o Programme for International Student Assessment (PISA), a respeito dos estudantes brasileiros.

Tal constrangimento é corroborado pelos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), para o ano de 2017. O Saeb ressalta que, dentro do universo de alunos do terceiro ano do ensino médio, apenas 5,0% e 1,7% figuram na faixa adequada de conhecimento em matemática e português, respectivamente.

A mutação desse quadro caótico impõe abrangente reforma gerencial e pedagógica, que englobe a implantação da Base Nacional Comum Curricular; profissionalização e autonomia na gestão das escolas; escolha das direções dos estabelecimentos por mérito em vez de indicação política; premiações de professores por resultados; flexibilização dos limites de estabilidade funcional; adoção de terceirizações de serviços a serem prestados por organizações sociais qualificadas e habilitadas, buscando, por exemplo, o aumento do número de creches e pré-escolas; dentre outros aprimoramentos.

É também vital o estímulo à carreira e a inversão na formação de professores, pois apenas 2,4% dos estudantes da educação média manifestaram o desejo de ser professor e 70,0% dos alunos que ingressam em cursos de pedagogia (56,0% deles matriculados em disciplinas à distância) amargaram reduzido score no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School e ex-diretor presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
http://www.miriangasparin.com.br

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