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Crescimento da indústria automobilística revela oportunidades fiscais e tributárias

De acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)  as perspectivas para o setor apontam um crescimento de 11,7% nas vendas de autoveículos em relação ao ano passado, devendo chegar a 2,50 milhões de unidades comercializadas até o final de 2018. A produção deverá crescer 11,9%, no período, chegando a 3,02 milhões de unidades fabricadas. De janeiro a julho deste ano, a indústria automobilística já aumentou as vendas em 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse setor que começa a apresentar reação pós-crise econômica, já anuncia também investimentos que podem superar os R$ 40 bilhões nos próximos anos, em novos produtos e modernização de suas fábricas.

Nesse cenário, os lançamentos já estão sendo desenvolvidos e alinhados com as novas exigências do ROTA 2030 quanto a emissões, seguranças e investimentos em P&D. A esse fato se atribui um aumento de demanda por novas tecnologias, peças, componentes vindos dos mais variados mercados para compor os carros feitos aqui.

Toda essa demanda também veio atender um crescimento das exportações como alternativa para compensar as perdas do mercado interno durante o ápice a crise econômica. Esse conjunto de acontecimentos sugere um novo olhar para o formato tributário na matriz de compra e vendas das empresas ligadas à indústria automobilística.

Compra de peças, componentes, tecnologias, serviços, exportações, importações, todo esse movimento requer uma estratégia para o melhor aproveitamento dos benefícios fiscais. Assim será possível reduzir a carga tributária que recai sobre o setor e impacta diretamente nos custos e na competitividade das empresas. Mais importante que apenas buscar preços competitivos dos seus insumos, o desafio dessa indústria está em encontrar o cenário mais favorável para as comprar e vender seus produtos.

A palavra de ordem é otimizar a “origem de insumos”, ou seja, usar de todos os mecanismos tributários disponíveis para o setor, afim de comprar e vender peças, componentes e produto final com o melhor custo, a menor tributação e o consequente aumento de competitividade.

Onde será melhor comprar componentes? Importar da Ásia ou de países que mantém acordos automotivos com o Brasil (como México, Mercosul), de onde é possível a aquisição com menor custo de importação? Essa visão de melhor cenário só será possível quando a indústria se “debruçar” sobre os aspectos tributários que envolvem os vários benefícios fiscais, acordos bilaterais e outros fatores que influenciam o custo final. Esse é o grande desafio do setor para reduzir impostos e aproveitar da melhor forma esses mecanismos legais.

Um eficiente Planejamento Tributário pode apontar a visão real de quais benefícios e mecanismos tributários devem ser aplicados para tornar a matriz de compras mais flexível e mais aberta a novas possibilidades, com o melhor uso dos incentivos fiscais. A redução tributária precisa nascer com o produto e não apenas no momento de compra e venda. Por isso é vital para o setor a sinergia entre a área Tributária e a área de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), junto com o início de cada produto, de cada projeto. Assim, será possível gerar uma análise apurada de impacto que vai facilitar, e muito, a tomada de decisão.

A cada novo investimento anunciado pelo setor, o planejamento do custo tributário precisa estar na base da formação de preços. Por isso, as áreas de Compras e Finanças das empresas do setor vão ter novos desafios a superar na gestão tributária de novas matrizes de compra. Assim, poderão identificar e planejar a aplicação dos vários benefícios fiscais disponíveis dentro do processo, buscando o melhor aproveitamento e reduzindo custos com impostos.

Sob esse novo olhar, o estudo de precificação adequado, considerando os benefícios, também pode incentivar uma melhor aderência ao Transfer Pricing Brasil. A aplicação dos benefícios durante os estudos de P&D pode ser um facilitador e talvez até decisor, para enquadrar melhor os preços de transferência da empresa à legislação brasileira.

A restruturação da matriz de compras e vendas baseada no planejamento da ROTA 2030 vai desafiar os custos do futuro. Quem souber dominar essa verdadeira arquitetura tributária poderá ainda trazer ganhos de custeio e caixa para o cenário financeiro corporativo, escondidos em um emaranhado de benefícios fiscais e acordos bilaterais.

Estender o planejamento de impostos à equipe de P&D é fundamental para o sucesso dos lançamentos que ainda vão rodar nas ruas brasileiras. Afinal, a busca constante por resultados e competitividade são itens obrigatórios e não podem ficar no ponto cego do retrovisor da indústria. Podem?

O artigo foi escrito por Jersony Souza, que é diretor de Operações da Becomex.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
http://www.miriangasparin.com.br

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