Por dentro da diminuição da nota de crédito brasileira pela S&P

Gilmar Mendes Lourenço.

Ao sacramentar nova piora na avaliação financeira do Brasil, a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) corroborou a sinalização de possibilidade de calote da dívida soberana e o diagnóstico de escolha arriscada do País para aplicação de excedentes por parte dos entes corporativos de fora. Apesar da precificação de uma nota menor, realizada pelos mercados, a decisão pode atrapalhar o encaixe do País na zona de conforto da recuperação da economia mundial e a consolidação da estabilidade macroeconômica doméstica, amparada no controle da inflação, queda dos juros e reação do mercado de ocupações.

Mais precisamente, o rebaixamento da nota de crédito brasileira, por aquela entidade, do conceito BB para BB-, deixa a nação ainda mais distante da reconquista do grau de investimento, uma espécie de passaporte para o acesso de empresas privadas e estatais, por aqui atuantes, às linhas de crédito abundantes e baratas, disponíveis no mercado financeiro externo, e a captura de recursos de investidores institucionais, em escala planetária.

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Altos executivos e as férias: afinal, como encarar esse dilema?

Marcelo Tertuliano.

Poucos temas são tão polêmicos quanto as férias para altos executivos. Aquela imagem do profissional que jamais relaxa, que não consegue desfrutar de nem sequer um minuto de tranquilidade ao lado dos amigos e da família já virou até filmes – comédias ou tragicomédias, é claro – e coachs, psicólogos, médicos, entre outros inúmeros profissionais, sempre vêm a público para enfatizar a importância de todas as pessoas terem períodos de descanso em suas vidas profissionais.

A questão é tão valorizada que é possível identificar perfis bem distintos que os executivos assumem em relação às férias. Existe, por exemplo, o perfil dos que jamais descansam. Esses são os que nunca tiram férias, trabalham também nos feriados e até nos finais de semana. Seus liderados costumam reclamar dessa postura, afinal, ninguém atua sozinho e essa atitude exige que a equipe esteja de prontidão o tempo todo – ou seja, além de não descansar nunca, esse líder atrapalha muitas férias, feriados e finais de semanas de outras pessoas. Há, ainda, o executivo que trabalha arduamente, mas, que desaparece nas férias. Simplesmente, desliga o celular e não lê e-mails e, com isso, coloca a equipe em pânico, já que várias ações dependem de suas decisões e, com essa ausência total, o trabalho para. E, atualmente, existem os executivos que, de maneira mais preparada, conseguem descansar pontualmente, de forma planejada – e é justamente a maneira que eu vejo como a mais apropriada para o líder atual.

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O que esteve por trás do enorme saldo comercial brasileiro em 2017?

Gilmar Mendes Lourenço.

Em paralelo ao discreto ensaio de restauração dos patamares de consumo doméstico, ocasionado pela conjugação virtuosa entre declínio consistente da inflação e dos juros, depois da ancoragem das expectativas realizada pela autoridade monetária, e revigoramento do mercado de trabalho, ainda determinado pelo avanço da informalidade, e da confiança, a economia brasileira vivenciou significativa expansão do comércio exterior em 2017.

De fato, o saldo da balança comercial foi o maior da história, atingindo US$ 67,0 bilhões, contra US$ 47,6 bilhões, em 2016, equivalendo a um auspicioso salto de 40,5%. As exportações chegaram a US$ 217,7 bilhões, representando variação de 18,5% em relação ao ano antecedente, depois de amargarem retração por três exercícios consecutivos. De seu lado, as compras externas somaram US$ 150,7 bilhões, ou incremento de 10,5% frente a 2016.

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Como perder R$ 18 milhões

Raphael Cordeiro.

Pesquisas indicam que 70% dos apostadores que ganharam fortunas em prêmios de loterias perderam tudo em poucos anos. Na maioria dos casos, as pessoas caem na mesma cilada, acreditam que o dinheiro vai durar para sempre e que todos os seus desejos e de seus familiares poderão ser conquistados. Para o dinheiro durar para sempre, há apenas uma saída: gastar apenas o rendimento real, acima da inflação.

Nesta Mega-Sena da Virada tiveram 17 vencedores – e cada um deles ficou com R$ 18 milhões. Muito dinheiro, não é? Porém, há enormes chances de 9 deles não terem mais nada dentro de alguns anos. O vencedor poderia aplicar tudo em títulos Tesouro IPCA+ (NTN-B) e receber líquido trimestralmente em sua conta pouco mais de R$ 120 mil. Isso é muito, se for para bancar apenas os gastos correntes, como supermercado, manutenção da casa, combustível, restaurantes, etc. Porém, se colocarmos na conta compra de bens, viagens extravagantes e mimos caros, o dinheiro começará a sumir.

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A depuração do Brasil em 2018

Gilmar Mendes Lourenço.

O conteúdo das manifestações recentes do governo e mercados, engrossadas por frações expressivas dos meios de comunicação e formadores de opinião, apoia-se no diagnóstico de recuperação da estabilidade econômica e aragem do terreno político, no ano de 2017, ingredientes imprescindíveis à viabilização da aprovação da reforma da previdência e produção de um clima propício ao ciclo eleitoral de 2018, amparado em provável enfraquecimento das alternativas radicais e no florescimento de soluções de centro.

Não é necessário ser um analista rigoroso para perceber que tal argumentação vem revestida de doses cavalares de otimismo, absolutamente dissociada do roteiro e das cenas do filme oferecido pelas autoridades, à sociedade brasileira, desde o impedimento da ex-presidente Dilma, em maio de 2016, cujos contornos foram melhores definidos especialmente no corrente exercício.

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