Relações familiares e sua interferência nos negócios da empresa

Monique de Souza Pereira.

Gerenciar uma empresa familiar não é tarefa fácil, principalmente quando as relações familiares acabam interferindo diretamente sobre os negócios. Situações cotidianas das famílias como casamento, nascimento, criação e educação dos filhos, casais de meia-idade e o envelhecimento de seus membros normalmente influenciam no desempenho das empresas. De forma geral, a maioria das empresas familiares passa por quatro estágios sequenciais, regidos pelo envelhecimento biológico de seus membros.

No primeiro estágio da jovem família empresária, o aspecto pessoal é marcado pelo casamento e pelos primeiros anos de vida dos filhos. Nessa fase, fará parte dos planos

Nelson Luiz Oliveira.

do casal iniciar uma atividade empresarial, de forma que tempo, energia e dinheiro poderão ser escassos, o que exigirá muito esforço de ambos para que o negócio se desenvolva. Dessa forma, embora o cenário esteja mudando, antigamente era comum o casal dividir as tarefas, cabendo ao marido desbravar e desenvolver o negócio familiar com o objetivo de alcançar segurança financeira e, à esposa, se dedicar à administração do lar e à rotina de criação dos filhos. Hoje, observando empresas que estão em fase de transição entre 1ª e 2ª geração, ainda é possível observar esse modelo, embora existam também muitos exemplos de casais que empreenderam juntos, mas tiveram pouco tempo para acompanhar o desenvolvimento e crescimento dos filhos.

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Déficit público e reformas

Gilmar Mendes Lourenço.

Parece certo que a aliança hegemônica de poder instaurada no Brasil em janeiro de 2003 deixará ao grupo sucessor, no princípio de 2019, um legado macroeconômico desconfortável, expresso em déficit das contas públicas primárias de mais de 2,0% do produto interno bruto (PIB), contra superávit superior a 3% do PIB, recebido na largada e batizado de herança maldita.

Isso significa que qualquer governo minimamente atento à necessidade de recuperação da solvência do estado e, por extensão, de sua capacidade de sobrevivência, deverá realizar, durante prolongado período de tempo, um esforço que venha resultar em saldos fiscais correntes (receitas menos despesas sem a incorporação dos encargos financeiros incidentes sobre o endividamento) acima de 5,0% do PIB.

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Recuperação judicial de empresas: leilão pode render dinheiro

Helcio Kronberg.

A Recuperação judicial, instrumento jurídico previsto na Lei de Falências e Recuperação de Empresas (LFRE), completou 12 anos em 2017. De acordo com o último levantamento divulgado pela Serasa Experian, o número de empresas que pediu recuperação judicial foi recorde em 2016: 1.863, aumento de 44,8% ante 2015. É o maior resultado desde a entrada em vigor da Nova Lei de Falências, em junho de 2005. Em 2015, foram 1.287 ocorrências e, em 2014, 828. Os números consolidados de 2017 devem ser divulgados no início de janeiro deste ano.

Cada vez mais usada para evitar a falência de uma empresa que não tem mais capacidade de pagar suas dívidas, a recuperação tem a vantagem de garantir a continuidade do negócio. A recuperação, que veio substituir a concordata, evita que os credores peçam a falência da empresa devedora e impõe a apresentação de um plano de pagamento que passa pela aprovação da Justiça e dos próprios credores. Se a empresa não cumprir o que está no plano, só então é decretada a falência.

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IR sobre as aplicações em fundos de investimento.A tentativa do árbitro de alterar a regra durante o jogo

Claudio Batista

Como amplamente noticiado nos últimos dias, foi publicada no Diário Oficial da União de 30/10/2017 a Medida Provisória nº 806/2017, que estabelece nova forma de cobrança e recolhimento do Imposto sobre a Renda incidente sobre as aplicações em fundos de investimento. Como já era esperado segundo o governo, ficou estabelecido que os rendimentos auferidos por Fundos de Investimento ou Fundos de Investimento em Cotas serão considerados pagos ou creditados no final de maio e novembro de cada ano a partir de 2018.

A sistemática é conhecida como “come-cotas”, onde os ganhos são tributados sem haver necessariamente amortização/resgate/distribuição. Alguns produtos ficaram de fora da referida MP, conhecida como “Pacote de Maldades”, tais como o fundo de ações, fundo de investidores estrangeiros e fundo de direitos creditórios. Além de tais produtos, entende-se que o Fundo de Investimento Imobiliário (FII) também foi poupado das novas regras, embora haja dúvidas no que tange à interpretação da norma.

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O bem que deriva do mal

José Pio Martins.

Em nossa vida, uma coisa importante é o que obtemos. Porém, mais importante é como obtemos. Esse adágio se aplica a situações diversas em economia, e faz parte de estudos sobre o resultado das ações humanas e a forma como tais ações são executadas. Atualmente, o Brasil está vivendo uma situação em que tal raciocínio se aplica. Durante anos, o país foi esmagado pela inflação e sua versão mais demolidora: a hiperinflação. Hoje, a inflação está controlada em níveis baixos – o que é bom –, mas cabe perguntar se não se trata de um bem derivado de um mal.

Comumente definida como um processo de aumento generalizado e contínuo de preços, a inflação foi um dos estopins da queda do presidente João Goulart, em 1964. No ano anterior, a inflação chegara a 78% e desorganizou o sistema de preços, lançou a economia em recessão e empobreceu os assalariados. Alguns economistas definem que há hiperinflação quando o índice anual de preços passa dos 50%. Outros acham que ela ocorre quando os preços sobem acima dos 100% ao ano.

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