A riqueza inglesa e a pobreza brasileira

José Pio Martins.

Em recente viagem de nove dias à Inglaterra, procurei prestar atenção nas diferenças que explicam por que o Brasil, sendo rico de recursos naturais, é tão pobre e a Inglaterra é rica. Após a recessão dos últimos anos e com o aumento da população, a renda por habitante brasileira está na faixa de US$ 10,2 mil ao ano, enquanto na Inglaterra está em US$ 38 mil/ano. Ou seja, a renda per capita brasileira é pouco mais que um quarto da inglesa.

O produto nacional de um país deriva de quatro fatores essenciais: capital físico, capital humano, recursos naturais e conhecimento tecnológico. O produto total anual dividido pela população dá o valor da renda por pessoa. Qualquer estudante de Economia diria que a resposta começa no fato de que, na Inglaterra, o capital físico comparado com a população é muito maior e mais moderno que no Brasil. Isso daria boa explicação, mas não é tudo.

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Um checkup na sua liderança

Ricardo Resstel.

Todos nós vamos – ou deveríamos ir – ao médico com o objetivo de fazer um checkup. Fazemos isso porque sabemos que é muito melhor prevenir que remediar e, dessa forma, evitamos problemas maiores e garantirmos a manutenção da boa saúde. Da mesma forma e por razões semelhantes, nossa liderança deve ser submetida a um checkup periódico. Essa prática não só protegerá sua influência como também a manterá em um bom ritmo de crescimento.

Vamos aos procedimentos:

1 – Cheque a temperatura
Assim como na Medicina, a temperatura é um fator importante no diagnóstico da liderança. Para identificar a temperatura de sua equipe, realize as seguintes perguntas:
– Minha equipe evita falar comigo?
– Os conflitos têm aumentado entre os membros do time?
– As pessoas estão abandonando o barco ou apresentam desinteresse?
Se você respondeu positivamente mais de uma dessas questões, a temperatura está alta. Então, é hora de você sair da sua redoma e criar relacionamento com sua equipe. Converse, conheça e busque sinais de fraqueza. Você não pode liderar pessoas se não conseguir ler cada uma delas. Conexão e engajamento são essenciais.

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Três anos de recessão: a salvação veio do campo

Gilmar Mendes Lourenço.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,0% no primeiro trimestre de 2017, em relação ao quarto trimestre de 2016, erguendo a barreira derrubada por oito quedas consecutivas, quando se leva em conta especificamente essa referência comparativa, de acordo com apurações do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCN), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por essa ordem de avaliação, a economia do País teria escapado da recessão – caracterizada pelo recuo da principal grandeza macroeconômica por pelo menos dois trimestres seguidos -, em face, fundamentalmente, da variação de 13,4%, observada na agropecuária, a maior em vinte e um anos, por conta da combinação entre safra recorde de grãos (233,1 milhões de toneladas, 26,2% superior à verificada em 2016, especialmente de soja, milho e arroz, beneficiada por clima e maio uso de tecnologia) e reação dos preços internacionais das commodities alimentares, dado que a indústria registrou acréscimo de apenas 0,9% e os serviços acusaram estagnação.

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Retomada do crescimento em 2017?

Andreas Hoffrichter.

A evolução do PIB brasileiro mostra que a economia nacional teve, em 2016, um desempenho pífio, muito aquém do seu real potencial. O PIB se retraiu 3,6% em relação a 2015, ano em que a economia já havia recuado 3,8%.
Essa sequência de dois anos seguidos de queda só aconteceu no Brasil nos anos de 1930 (2,1%) e 1931 (3,3%) e resulta na maior recessão econômica da história. Pela primeira vez desde 1996, todos os setores registraram taxas negativas: a indústria recuou 3,8%, a agropecuária 6,6% e o setor de serviços 2,7%. Os investimentos também recuaram para 10,2%. Neste contexto, é difícil prever o desempenho da economia em 2017. Contudo, felizmente, há indícios de melhora.

Os economistas do mercado financeiro estimam que a inflação para 2017 (IPCA) deve girar em torno de 3,93%, ou seja, abaixo da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 4,5%. Para 2018, a perspectiva é que chegue a 4,36%. Cabe lembrar que o custo social resultante desta evolução foi altíssimo: no final do primeiro trimestre, encerrado em março de 2017, o Brasil registrou um novo patamar recorde de 14,2 milhões de pessoas desempregadas, o que corresponde a uma taxa de 13,7%.

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Marcas do empreendedor

José Pio Martins.

Nas conversas com jovens, duas perguntas são recorrentes: O que é empreendedorismo? Quais são as marcas do empreendedor? Quanto à primeira, empreendedorismo é a disposição e a iniciativa de idealizar, coordenar e executar projetos e negócios. Outra definição, que me agrada, diz que é a sensibilidade para descobrir oportunidades, ter ideias e ser capaz de transformá-las em um negócio. Em síntese, empreendedor é quem transforma uma ideia em um negócio e dá materialidade aos sonhos.

Em relação à segunda pergunta, há vasto elenco de características que definem o empreendedor, das quais destaco quatro, que considero as mais importantes. A primeira é a enorme capacidade de agir e de fazer. Os empreendedores se caracterizam por uma espécie de “empuxo” (força que empurra, que atua como elemento de impulsão), como se tivessem, em sua constituição genética, células que os levam a agir e fazer algo, mesmo em condições adversas. Nas histórias de empresários de sucesso, é comum encontrarmos relatos de pessoas que idealizaram e executaram algo quando muitos não acreditavam na possibilidade do êxito.

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