O comportamento do novo consumidor

Gabriel Rossi

Os consumidores têm se comportado cada vez mais como investidores da bolsa de valores. Em outras palavras, escolhem uma lista seleta de marcas para fornecer dividendos. Optam por permanência, mas também mantém expectativas por futuras utilidades que chegam como forma de criatividade, inovação, confiança e liderança. O sentido de liberdade mudou muito. Ter carro, por exemplo, não é mais aspiracional. Liberdade está agora na experiência e não no que é físico. Ela se encontra na mobilidade.

Passa a ser mais difícil entendê-los pelo perfil demográfico. Vivemos uma época marcada pelo fim dos estereótipos e da construção da identidade. O conceito de juventude, por exemplo, para de ser números. Idade de espírito é o termo da vez. A longevidade aliada a aceleração do mundo permite que as pessoas possam reconstruir quem são e suas vidas a qualquer momento.

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Recuperação econômica: é hora de recompensar quem segurou a empresa na crise

Viviane Doelman.

Medidas drásticas vêm sendo tomadas para assegurar a sobrevivência dos negócios em um cenário econômico que tem sido no mínimo desafiador para empresas de todos os setores. Agora, depois de alguns duros anos, o mercado começa a dar sinais de retomada. Ainda que tímida e gradual, a recuperação mostra fôlego para influenciar o humor de empresários e administradores. Gradualmente, também, os tomadores de decisão começam a tirar planos e projetos da gaveta, e a não pensar somente em medidas contingenciais.

Um ponto a se destacar neste momento de alteração de rota é o que diz respeito às pessoas. É vital que os gestores olhem com cuidado para os profissionais que permaneceram na empresa durante os períodos mais difíceis, que muitas vezes estão cansados e desgastados por terem participado de ações voltadas para racionalização de custos, negociações com credores e enxugamento da empresa. Eles viram partir colegas de muitos anos e muitas vezes tiveram que demiti-los.

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Michel Temer: aula magna de destruição de capital político

Gilmar Mendes Lourenço.

Por ocasião da admissibilidade, pelo Senado da República, do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 12 de maio de 2016, do subsequente desfecho em 31 de agosto do mesmo ano, e da ocupação interina, e depois definitiva, do cargo, pelo vice, Michel Temer, o diagnóstico corrente, formulado pelos meios especializados, destacava que, em circunstâncias de prevalência do presidencialismo de coalizão, caberia ao novo mandatário do País a realização de enormes esforços compensatórios à previsível ausência de apoio popular.

Isso porque, predominavam interpretações de que Temer estaria fortemente ligado ao grupo político que, gradativamente, desde 2003, debilitou as companhias estatais, financeira e gerencialmente, e usurpou haveres orçamentários do setor público para o cumprimento de tratos eleitorais celebrados com grandes grupos privados.
Não bastasse essa apreciável restrição, apesar do rigoroso cumprimento dos ritos jurídicos, parcela da sociedade brasileira expressava o entendimento de ocorrência de um golpe, na adoção de critérios e procedimentos de impedimento de Dilma, surgidos a partir do rompimento dos laços políticos entre aquela e o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha.

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Cenários da saída de Temer

Gilmar Mendes Lourenço.

O inevitável afastamento do presidente da República, Michel Temer, depois do conhecimento público do conteúdo das delações premiadas dos executivos do grupo JBS e autorização de abertura de inquérito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, por suspeita de crime cometido durante o mandato, multiplica as apreensões da sociedade brasileira acerca do formato de preenchimento do cargo, na perspectiva de eliminação da possibilidade de ocupação por aventureiros e oportunistas semelhantes (ou até piores) a ele e seus antigos companheiros e antecessores.

Isso porque, a economia nacional ensaia um espetáculo de superação de recessão mais longa e profunda da história e de organização de um processo de recuperação da capacidade de crescimento de longo prazo, ancorada no declínio estrutural da inflação e dos juros e na implantação de reformas institucionais capazes de assegurar a melhoria da eficiência e compressão de custos da microeconomia e a restauração da solvência e funcionalidade do estado.

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A incipiente reação do emprego no Brasil

Gilmar Mendes Lourenço.

Todo cuidado é pouco quando a tarefa envolve previsões econômicas. Isso é especialmente verdadeiro no caso do Brasil depois do caos produzido pela nova matriz, uma incursão intervencionista e populista, aplicada entre outubro de 2008 e maio de 2016, que fragilizou financeiramente o Estado e mergulhou o aparelho produtivo na pior recessão desde a instauração da república. O ex-ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), Pedro Malan, afirmou certa vez que, por aqui, “até o passado é incerto”.

De fato, as mensagens de reativação dos negócios, transmitidas pelas estatísticas recentes, relativas aos níveis de atividade, vem sendo marcadas e/ou ofuscadas por um comportamento flutuante ao longo dos últimos meses, com uma espécie de incomodo rótulo “melhorou, piorou” ou “amentou, diminuiu”.

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