Investir: como, quando, onde e por quê?

Uma das dúvidas mais frequentes entre as pessoas que entendem a importância de poupar é onde investir o dinheiro. Mas, para responder a essa questão, é preciso responder a outra primeiro: qual o seu sonho? Somente sabendo o destino desse valor é que será possível analisar e decidir a melhor aplicação para ele. Esse aspecto é muito importante, pois dinheiro guardado sem destino estabelecido é alvo fácil de ser gasto. Sabendo o objetivo, pode-se definir onde colocá-lo para garantir a realização. No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicação em ativos financeiros com riscos diferentes, variando de aplicações de baixo risco – como caderneta de poupança – até investimentos de alto risco, como aquisição de ações na bolsa de valores.

Aos interessados em saber mais, é interessante buscar ajuda de especialistas da área. Para isso, elaborei algumas orientações práticas:

– Trace uma estratégia para poupar, para que não comprometa muito o orçamento financeiro mensal e acabe trazendo problema às finanças;

– Quando guardar para objetivos diferentes, defina a data do resgate de cada ativo financeiro escolhido, já no momento em que escolher a aplicação. Quanto maior for esse período, normalmente, maior será a rentabilidade e menor a incidência de tributos;

– Saiba o risco do investimento feito, pois ele é diretamente proporcional à rentabilidade. Dependendo do objetivo, não precisa ser uma aplicação de alto risco, como pro exemplo os de curto prazo;
– Veja quais os tributos e outras despesas que serão cobradas, como taxa de administração, pois podem chegar a comprometer o orçamento.

Sobre as alternativas de investimento: Fundos Referenciados DI, Fundos de curto prazo, Fundo de Investimento, Caderneta de Poupança, CDB – Certificado de Depósito Bancário e RDB – Recibos de Depósito Bancário, Títulos públicos, Ações e Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

Todas essas linhas de investimentos possuem seus pontos negativos e positivos que dependerão da situação, objetivo e perfil do investidor. Independente de qual caminho seguir, o importante é ter educação financeira, para garantir que os objetivos serão alcançados.

O artigo foi escrito por Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira, Abefin e Editora DSOP, autor do best-seller Terapia Financeira, dos lançamentos Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira.

Cinco passos para fugir da recessão com educação financeira

A situação aparentemente é crítica, com o Brasil atravessando um período de recessão técnica, além disso, o sentimento de parte da população, do empresariado e mesmo de parte do político é que o pior ainda se aproxima e, por mais que o brasileiro tenha fama de ser descolado em driblar crise econômica, inflação e orçamento baixo, um clima de medo paira no ar. Sem dúvida, vale ouro o aprendizado de anos convivendo com condições de instabilidade e incerteza. Mas, agora, num cenário mais favorável que tempos atrás, no qual se tem mais estabilidade, aumento de renda e de poder de compra, é importante combater esse clima de desânimo, pois, caso se torne crescente, pode sim levar à recessão. São nos momentos de baixas que as grandes nações mostram que possuem educação financeira e se projetam para crescer.

Portanto, esse é o momento para ajudar os brasileiros a somarem ao seu típico jogo de cintura a educação financeira – conhecimento que pode ajudar a traçar um futuro com mais qualidade de vida, sem, para isso, ter que abrir mão de realizar, no presente, seus sonhos de consumo e sem se tornar inadimplente. Assim, vamos a algumas orientações de como se passar por esse período:

Crie uma reserva financeira – falar em reserva depois de um momento em que as classes D e E estão em plena ascensão e sentindo, pela primeira vez, o gostinho de ter poder de compra, pode parecer um balde de água fria. Mas não é, pois, no Brasil, boa parte da população também tem comportamento de risco: gasta mais do que ganha e paga quando e como pode, sem perceber que os juros corroem suas finanças. Assim, já é hora de estabelecer prioridades e ter sempre dinheiro guardado para qualquer eventualidade.

Coloque a vida financeira em ordem – equilibrar ganhos e gastos para honrar compromissos financeiros, realizar sonhos e planejar um futuro seguro requer aprendizado, disciplina e uma atitude diferenciada na relação com o dinheiro. Para isso, faça um diagnóstico de suas finanças, fazendo um levantamento com todos os gastos por trinta dias, veja para onde estão indo os excessos e defina sonhos individuais e familiares, juntamente com uma estratégia para atingi-los.

Fuja do ciclo das dívidas – o ciclo do endividamento começa com a compra parcelada – cheque, crediário, cartão. Devido à falta de planejamento, logo se percebe que não vai dar para pagar a fatura do cartão. A tendência, a partir daqui, é buscar alternativas para combater os efeitos e não as causas do problema. Assim, a primeira alternativa, frequentemente, é usar o cheque especial ou pagar a parcela mínima, até chegar ao ponto em que não consegue nem pagar a mínima e o uso do limite do especial ficar extrapolado. A saída mais comum é recorrer a um empréstimo para quitar as dívidas. Com o tempo e os novos gastos, a parcela do empréstimo também passa a não caber mais no orçamento e, assim, chega-se a uma situação limitadora, que tem deixado brasileiros adoentados física e mentalmente.

Alfabetize-se financeiramente – combater as causas do que chamo de analfabetismo financeiro funcional é fundamental para as pessoas terem mais qualidade de vida. Esse combate se faz com ajuda de métodos vivenciais que estimulem mudanças de hábito na forma de administrar o dinheiro que entra e que sai, priorizando os sonhos e não o consumo, como a maioria de nós aprendemos desde criança. Isso exige atitude, disciplina e perseverança e resulta em um novo comportamento com relação ao dinheiro, quebrando o ciclo de gerações de pessoas endividadas e criando uma nova geração de indivíduos equilibrados financeiramente.

Estabeleça objetivos e sonhos – não é porque se está em um período de crise que se deve deixar de sonhar, muito pelo contrário, é fundamental que se tenha sempre, no mínimo, três objetivos para realizar (de curto, médio e longo prazos). Geralmente, em função de crises, as pessoas deixam os sonhos de lado e entram em pânico, o que só piora a situação. Tenha em mente que sempre se deve ter sonhos materiais e não materiais, já que esses são os impulsionadores para a prosperidade.

Em momentos de crise, é imprescindível mostrar à população os caminhos para não cair nas armadilhas do crédito fácil e o elevado estímulo ao consumo. É preciso implementar ações consistentes para conscientizar as pessoas de diferentes faixas etárias e todos os níveis econômicos a lidar corretamente com dinheiro. Só assim serão capazes de fugir da tão falada recessão e realizar seus sonhos de consumo, garantir uma aposentadoria com renda digna e, por que não, alcançar a autonomia financeira, ou seja, trabalhar por prazer e não por necessidade.

O artigo foi escrito por Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira, da DSOP Educação Financeira e autor de diversos livros sobre o tema.

Cobrança de taxa no uso de cartão de crédito – o que muda e o que fazer?

O que estava camuflado, agora, pode se tornar lei. O Senado Federal aprovou o projeto que permite diferenciar compras à vista de compras realizadas pelo cartão de crédito. Acredito que esta decisão contribui para o processo de transparência junto ao consumidor final, isto porque já é conhecido por todos que, ao realizar compras com dinheiro, cheques ou cartão de débito, por exemplo, é possível obter bons descontos e, quando se utiliza cartão de crédito, existe o repasse do custo dessa operação, taxas e juros embutidos diretamente no preço final do produto. Em um momento de retração do mercado, essa decisão só preocupa ainda mais o comércio de forma geral.  Sem dúvida, quem paga essa conta é, mais uma vez, o consumidor final.

Como educador e terapeuta financeiro, ressalto a importância dos consumidores investirem na reeducação financeira; é preciso aprender cada dia mais a utilização consciente do dinheiro ganho e gasto. Com essa mudança, ficou ainda mais evidente que, quem poupar para comprar à vista, pode, além de se beneficiar com preços sem taxas cobradas pelo cartão de crédito, ter a possibilidade de conseguir descontos e, com isso, poder poupar mais para realizar o que realmente importa: os sonhos. Isso é educação financeira, adquiri novos hábitos e costumes, que levem ao domínio das finanças, com o intuito de alcançar objetivos.

Contudo, também se terá uma melhor noção do que significa uma compra no cartão. É preciso, definitivamente, entender que, quando se compra pelo cartão de crédito, a pessoa está realizando uma compra a prazo, assim como comprar para pagamento por meio de boletos, carnês e crediários. Comprar a prazo e fazer prestações não é um problema, a preocupação, na verdade, é quando essa prática começa a ser descontrolada, fazendo com que o consumidor perca o controle e se endivide mais do que pode, chegando ao desequilíbrio e à inadimplência.

Os maiores desafios, em caso de o projeto ser aprovado, serão: por parte do Governo, é estabelecer bem claramente as regras referentes ao tema, até mesmo as tributárias, para que não ocorram abusos por parte das empresas e também para que não ocorram erros de entendimento da população. Para as empresas, será fazer uma análise sobre o real retorno nas vendas da cobrança dessa taxa e, quando optarem pelas mesmas, os cálculos para que tenham o retorno, além da adequação dos preços para as compras à vista. Aos consumidores, os desafios são relacionados à educação financeira, aprender a realizar melhores compras e planejar melhor.

Uma pessoa que cria o hábito de comprar sempre a prazo, acaba, ao longo de sua vida, gastando, em média, 30% a mais em tudo que adquire. Pense nisso e reveja seus hábitos e orçamento financeiro, pois a grande deficiência dos brasileiros está exatamente na ausência de consciência em relação à utilização do sagrado dinheiro ganho.

Assim, como falei, o impacto ao consumidor será direto, com aumento nos preços nas compras realizadas com cartões de crédito. Mas é importante lembrar que o a população já paga anuidade e outras taxas referentes a essa ferramenta, sem contar que o rotativo é extremamente alto, ocasionando desequilíbrio financeiro.

Para que possa entender o impacto no bolso do trabalhador: pagando 5% a mais de taxa em cada compra, a cada 20 compras do mesmo valor, é possível adquirir mais um produto de igual valor, isto é, se comprar 20 produtos de R$100,00 com o cartão de crédito, terá gasto a mais outros R$100,00. Assim, o interessante é, mais do que nunca, poupar e comprar à vista e ainda obter descontos.

Isso mostra como é fundamental que se utilize essa possível alteração para que incentivemos ainda mais a busca pela educação financeira, pregando a utilização do consumo consciente.

Para finalizar chamo a atenção sobre o parcelamento. Grande parte das pessoas optam por pagar suas compras em 2, 5, 10 ou até mais vezes. E essas prestações já se encontram com juros embutidos, afinal de contas, quem emprestaria dinheiro a uma pessoa desconhecida para que ela pagasse a prazo e sem juros? Ninguém, muito menos o banco, pois esse é justamente o negócio dele. Portanto, todo cuidado é pouco.

Perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra

•    Eu realmente preciso desse produto?
•    O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?
•    Se eu não comprar isso hoje, o que acontecerá?
•    Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como carência ou baixa autoestima?
•    Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?

Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas perguntas como:

•    De quanto eu disponho efetivamente para gastar?
•    Tenho o dinheiro para comprar à vista?
•    Precisarei comprar a prazo e pagar juros?
•    Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três, seis ou doze meses?
•    Preciso do modelo mais sofisticado, ou um básico, mais em conta, atenderia perfeitamente à minha necessidade?

O artigo foi escrito por Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira, Abefin e Editora DSOP.

Fantasma da inadimplência: capacidade de pagamento X intenção de pagar

O fantasma da inadimplência ronda a economia brasileira. Segundo a Serasa Experian, o número de pessoas inadimplentes chegou a 57 milhões de brasileiros este ano, que também mostra que 60% dos inadimplentes têm contas mensais a pagar que custam acima de 100% de sua renda mensal. Apesar do esforço dos analistas de gabinete, com espaços garantidos nas principais mídias, a culpa não é dos consumidores de baixa renda, que chegaram recentemente ao mercado consumidor.

Alega-se que falta educação financeira. E quem defende a tese está certo. Erra apenas ao apontar o dedo para os consumidores mais pobres e desinformados. Esse pessoal das classes C, D e E se tornou, apenas, a principal vítima de predadores financeiros, inconsequentes e deseducados financeiramente. São profissionais treinados e incentivados a “alcançar metas a qualquer custo”, sem nenhum constrangimento em “empurrar” o crédito que agora se transforma em inadimplência.

Esses 57 milhões de brasileiros endividados receberam em suas casas, muitas vezes sem ter pedido, os vários cartões de crédito com os quais realizam os malabarismos do endividamento irresponsável. A justificativa das instituições financeiras era a baixa “bancarização”. A realidade, se percebe agora, era criar um canal para empurrar o crédito inconsequente. Gerando, em menos de uma década, um endividamento que foi alavancado pelo sistema de credit-score, vendido como uma ciência que se basearia em “redes neurais” e outras besteiras do tipo e que garantiam a concessão de crédito com riscos mínimos.

E, ainda por cima, diminuir fraudes e manter um controle rígido sobre a inadimplência. O vício dos operadores de crédito nas ferramentas de credit-score ameaça torná-los, agora,  em charlatães que induziram tanto os consumidores como o mercado como um todo a se tornarem vítimas da atual inadimplência. Cometeram o típico erro dos que adotam tecnologias estrangeiras sem adequá-las às nossas realidades e sem ajustar os softwares de validação de crédito aos nossos indicadores de renda e emprego, além dos hábitos culturais e familiares.

Erraram feio – a crescente inadimplência o prova – ao abandonar e deixar em segundo plano a experiência e a intuição dos profissionais (vendedores, lojistas e analistas de crédito) sensíveis às nossas vivências e preparados para entender a real disponibilidade de pagamento da dívida do cliente na hora em que negociam com ele (ou ela) o crediário. O credito-score embute, ainda, o agravante de estimular a ganância dos predadores da oferta irresponsável de crédito ao estabelecer taxas de juros crescentes como suposta proteção nos casos de crescimento da inadimplência.

Resultado: juros cada vez mais altos reduzem o universo dos  clientes que aceitam o crediário e comprometem a saúde financeira dos que assumem as prestações, os levando a médio prazo à inadimplência crescente, como a que experimentamos agora.

Os consumidores, especialmente os de baixa renda, descobriram, intuitivamente, que foram induzidos a cair nas armadilhas do cheque especial e do crédito rotativo do cartão, com taxas de juros muito próximas as praticadas por agiotas. Caíram na armadilha quando consumiram para satisfazer a demanda altamente reprimida. Até que a demanda reprimida se satisfez e a renda familiar foi superada pelo montante de dívidas contraídas. O que obrigou esses consumidores a caírem na real. E serem obrigados, por pura necessidade, a priorizar os gastos.

As dívidas não pagas, captadas por empresas como a Serasa Experian e demais agências de validação de inadimplência, foram para o fim da fila. A inadimplência iniciou, então, sua escalada, seguida das observações, alertas e avisos dos fornecedores de crédito. Esses mesmos fornecedores de crédito que há poucos anos foram os responsáveis pela adoção de caríssimas ferramentas de análises de risco, transplantados de culturas que nos são alheias. Que estimularam a oferta irresponsável de crédito a partir de softwares que eliminaram o talento e a sensibilidade dos analistas humanos, que acumularam, ao longo das décadas, a expertise de avaliar a renda familiar dos consumidores de acordo com suas capacidades de assumir e, o mais importante, de honrar suas dívidas.

Ainda dá tempo de buscar saídas. É hora de eliminar as improdutivas reuniões que tentam culpar os consumidores por decisões de oferta de crédito adotadas por predadores irresponsáveis, instalados em confortáveis e luxuosos gabinetes. E resgatar para a análise de oferta de crédito ferramentas que agilizam o processo mas que incorporem na decisão final as expertises humanas, com conscientização, integração e ajuste da oferta de crédito à real capacidade de pagamento das dívidas assumidas. O que obrigaria os analistas de crédito a uma volta ao básico de toda e qualquer venda: se lembrar sempre que estamos tratando com gente.

O artigo foi escrito por Celso Amâncio, presidente da Agência Consumidor Popular e especialista em concessão de crédito para o consumidor popular.

Contrato de franquia por prazo indeterminado

Os contratos de franquia empresarial, ou franchising, costumam ser firmados por tempo determinado. O período de vigência estabelecido no acordo varia de acordo com a natureza do negócio, podendo ser fixado em alguns meses (no caso, por exemplo, de operações comerciais em quiosques) ou vários anos (lojas e operações mais complexas).

Uma vez decorrido o período de vigência contratual, ou no caso de contratos já estabelecidos por prazo indeterminado, qualquer uma das partes pode denunciar o acordo por meio de notificação e rescindir a relação de franquia, nos termos do artigo 473, caput, do Código Civil, sem qualquer penalidade, salvo disposição expressa no acordo. Vale lembrar que contratos verbais como regra vigem por prazo indeterminado, e sujeitam-se a esta norma.

Ocorre que uma relação de franquia é um negócio que, frequentemente, demanda investimentos relevantes por parte do franqueado e do franqueador: independentemente do prazo contratual, em certos casos o encerramento abrupto da relação comercial causa prejuízos significativos a uma das partes.

Basta pensar, por exemplo, em uma franqueadora que teve de aumentar sua capacidade de fornecimento de mercadorias para atender às necessidades de um franqueado: ou na situação de um franqueado que realizou altos investimentos na instalação de sua loja (pagando valores significativos a título de “luvas” e de reforma do local).

Ainda, e no que diz respeito à situação específica do franqueado, existe a possibilidade de o contrato de locação, referente ao imóvel alugado para a execução da atividade franqueada, prever que aquela é a única atividade que pode ser desenvolvida no local: tais restrições são muito comuns em shopping centers. Caso o locatário/franqueado perca o direito de explorar a operação comercial franqueada, correrá o risco de ser despejado por infração contratual, na medida em que não poderá alterar sua atividade comercial sem a autorização do locador.

Em todas as hipóteses acima, o encerramento do acordo de franquia, embora previsto em lei, pode causar prejuízos gravíssimos aos contratantes.
Nestes casos, a parte prejudicada – franqueado ou franqueador – pode utilizar a regra prevista no parágrafo único do artigo 473 do Código Civil, que posterga a rescisão contratual, de modo a permitir ao contratante recuperar os investimentos realizados em razão do acordo. Segundo aquele texto legal, se “uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido tempo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos”. Ou seja, a denúncia, ou rescisão, de um contrato de franquia vigente por prazo indeterminado, pode ser evitada caso o outro contratante haja realizado investimentos significativos no negócio, e caso não haja transcorrido tempo razoável para a recuperação do investimento. Nestes casos, a parte interessada pode evitar a rescisão do acordo ou, caso isto não seja possível, pode exigir indenização do outro contratante.

Em ambas as hipóteses, é importante que o contratante, que tenha recebido a notificação referente à denúncia do contrato, tome imediatamente as medidas judiciais cabíveis para resguardar seus direitos, sob pena de perder os benefícios do acordo de franquia sem qualquer compensação. E, ao longo do processo, será necessário provar que o período de tempo transcorrido desde o início da relação de franquia não foi suficiente para recuperar os investimentos realizados.

Atendidas estas condições, é possível ao franqueado e ao franqueador preservar um contrato de franquia vigente por tempo indeterminado, mesmo após a denúncia da outra parte – ou, ao menos, caso isto não seja possível, a parte prejudicada poderá pedir indenização por perdas e danos.

O artigo foi escrito por Francisco dos Santos Dias Bloch, mestrando e pós-graduado em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É advogado formado pela PUC/SP, e atua em São Paulo, no escritório Cerveira Advogados Associados.