A bússola econômica da Ilha da Fantasia

Gilmar Mendes Lourenço
Gilmar Mendes Lourenço

A despeito do razoável arsenal de interpretações acerca do grupo de medidas de austeridade monetária e fiscal, em execução pelo governo Dilma, sob a batuta do Ministério da Fazenda e do Banco Central, prevalecem, nos meios especializados, internacionais e nacionais, sessões de louvores ao ministro Joaquim Levy, enaltecendo poderes quase celestiais para colocação da casa em ordem.

Na verdade, a análise econômica vem alargando por demais o espaço da “ilha da fantasia”, aberto pelas autoridades de Brasília, e encobrindo o necessário reconhecimento de que se trata da implantação de um pacote de aprofundamento do panorama recessivo, ancorado essencialmente na expropriação dos rendimentos das famílias e dos recursos de caixa das empresas, por meio do aumento da tributação indireta e do fardo de juros.

Convém sublinhar aqui que a transmissão plena da austeridade monetária para o conjunto do sistema econômico estará inevitavelmente atrelada à emissão de sinais exitosos da empreitada fiscal. Recorde-se que a Selic retornou, em janeiro de 2015, ao patamar vigente entre 09 de junho e 20 de julho de 2011, chegando a 12,5%, no final de agosto, quando iniciou curso cadente até abril de 2013.

De seu turno, a economia real vem confirmando a trajetória de encolhimento pelo lado da oferta. As importações e a produção fabril recuaram 4,5% e 3%, respectivamente, em 2014, refletindo, no caso da indústria, a valorização do real, a subida do custo médio da mão de obra, em razão das variações dos salários superiores as da produtividade do trabalho, a tributação em cascata e precariedade infraestrutural. A situação é bastante parecida pela ótica da demanda, com declínio de mais 1% nas vendas reais do comércio varejista, 7% nas exportações e 5% nos investimentos.

A propósito desse último item, levantamento preparado pela Associação da Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela retração real de 13,7% e 15% no faturamento bruto e no consumo aparente (produção mais importações menos vendas externas) do segmento de bens capital, respectivamente, em 2014. Já o grau de utilização da capacidade produtiva situava-se, em dezembro de 2014, abaixo de 70%, o pior número da série histórica.

Tais estatísticas traduzem a repressão das inversões em infraestrutura, especialmente em energia e transportes, a postergação de empreendimentos estratégicos, por conta da Copa do Mundo de Futebol e das inseguranças oriundas do evento eleitoral, e a praticamente paralisação do programa de concessões de serviços públicos à iniciativa privada.

Outro incômodo é que não há exemplo, na história econômica mundial, de nação que tenha conseguido restabelecer o equilíbrio das finanças governamentais e restaurar os fundamentos para a expansão econômica sustentada, recorrendo apenas a vertente tributária, especialmente em um país cuja carga de impostos já ultrapassa os 37% do produto interno bruto (PIB), ante uma capacidade de suporte da sociedade estimada em 25% do PIB.

Por isso, a leitura adequada do recado e da agenda da atual bússola econômica oportuniza avalia-la como uma envergonhada e indisfarçável manobra de rendição ao pragmatismo, imposto pela necessidade de reparação dos desacertos e desmandos cometidos entre 2010 e 2014 e, no limite, pela possibilidade de perda de poder.

Em outros termos, o objetivo do elenco de providências repousa na sobrevivência política do projeto Lula-Dilma – fragilizado ainda mais com a fragorosa derrota na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados – que, dentre outros fatores, depende da eliminação do perigo de perda de grau de investimento da dívida brasileira e a subsequente elevação dos custos de captação externa do governo e das corporações.

A dimensão do sacrifício doméstico tornou-se ainda maior a partir da recente disponibilização dos dados do setor externo e das contas públicas brasileiras. O desequilíbrio do País com o exterior atingiu US$ 90,9 bilhões, em 2014, o maior da história, pulando de 1,7% do PIB, em 2008, para 4,17% do PIB, o mais elevado desde 2001, não coberto pelo ingresso líquido de investimentos diretos estrangeiros (2,3% do PIB).

As contas públicas nominais (primárias mais os juros da dívida) experimentaram o maior rombo da história (R$ 344 bilhões), em 2014, ou 6,70% do PIB, versus 3,25% do PIB, em 2013, fruto da mistura entre falhas de diagnóstico, falta responsabilidade financeira e excesso de voluntarismo do executivo.

No conceito primário, as finanças do governo saíram de saldo positivo de 3,8% do PIB, em 2008, para déficit de 0,63% do PIB, em 2014 (o primeiro desde 1997), mesmo com os malabarismos contábeis, contra superávit de 1,88% do PIB em 2013. Ou melhor, a administração pública (União, estados e municípios) gastou mais do que arrecadou, mesmo antes do pagamento dos encargos financeiros da dívida.

Por esse prisma, é impossível deixar de enxergar um ponto de partida bastante dramático para o ajuste fiscal (que é apenas o começo da reconstrução), principalmente se for considerada a impossibilidade de o governo vir a contar com a ajuda das receitas extraordinárias, consubstanciadas nos dividendos das empresas públicas, como Petrobras e Eletrobrás, e nos aportes dos bancos oficiais. Sem adicionar os riscos de racionamento de água e energia elétrica e os impactos da operação Lava Jato.

Não por acidente, a agência de classificação Moody’s promoveu, no final de janeiro de 2015, o rebaixamento de todos os conceitos de crédito da Petrobrás, posicionando-a no último degrau que separa o grau de investimento da condição especulativa, na escala avaliativa.

A postura da companhia de rating foi justificada pelas investigações sobre corrupção na estatal e as pressões sobre a liquidez da empresa, em consequência do retardo na divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2014, ainda não auditados. De acordo com Moody’s, as notas continuam em análise para o emprego de novos cortes.

Enquanto isso, no resto do planeta terra, não obstante a desaceleração chinesa, cujo PIB cresceu 7,4% em 2014, a menor taxa desde 1990, observa-se a montagem de um palco diferente, materializado em juros reais negativos, queda estrutural nas cotações do petróleo – motivada pelo surgimento do protagonismo americano, conquistado com a exploração do xisto -, e reação mais consistente da economia dos Estados Unidos. Em simultâneo, é prudente apostar no reerguimento da economia europeia, ensejado pela injeção de mais de um trilhão de euros pelo Banco Central Europeu (BCE), por meio da compra de papéis públicos e privados até setembro de 2016.

Em matéria de déficit público total, inferências do Fundo Monetário Internacional denotam média de 1,9% do PIB, para os mercados emergentes, de 3,9% do PIB, para os avançados, e de 2,6% do PIB, para a Europa, contra meta comum de 3% do PIB. Os pontos fora da curva, naquele continente, seriam a França (4,4% do PIB) e o Reino Unido (5,8% do PIB), sendo que algumas nações da periferia permanecem em processo de ajuste.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, professor e editor da Revista Vitrine da Conjuntura da FAE Centro Universitário.

Mais uma década perdida para o Brasil

Gilmar Mendes Lourenço
Gilmar Mendes Lourenço

As providências de austeridade monetária e fiscal, lançadas pelo Ministério da Fazenda, que devem resultar em economia de R$ 43 bilhões, ou 0,7% do produto interno bruto (PIB), diante de compromisso de 1,2% do PIB para o exercício de 2015, em paralelo ao panorama de contração dos níveis de atividade, delineiam o arrefecimento do eixo dinâmico da economia brasileira, sustentado, durante onze anos, no consumo do governo e das famílias.

O boom de consumo, instaurado pelo atendimento da demanda reprimida, com a desinflação provocada pelo plano real, ganhou contornos de mobilidade social a partir de 2004, com o reforço do acréscimo do poder de compra do salário mínimo, da proliferação das ações institucionais de transferência de renda e do crédito consignado, descontado na folha de salários dos tomadores.

Contudo, a viga mestra desse processo esteve assentada na poupança externa, proveniente da valorização dos termos de troca, com a impulsão da demanda e dos preços das commodities agrícolas, minerais e metálicas, entre 2004 e 2008, em função da escalada da China, hoje o maior mercado consumidor do mundo, e em crescentes déficits na conta de transações correntes, depois da eclosão da crise financeira internacional.

Tanto é assim que no lapso de tempo compreendido entre 2008 e 2013, os gastos de consumo das famílias passaram de 58,9% do produto interno bruto (PIB) para 62,6% do PIB e os dispêndios correntes da administração pública subiram de 20,2% do PIB para 22% do PIB. Por certo, existe um freio até natural à renovação do estoque de bens de consumo duráveis pela população. Ademais, o desequilíbrio das contas externas atingiu US$ 90,9 bilhões, em 2014, o maior da história, pulando de 1,7% do PIB, em 2008, para 4,17% do PIB, o maior desde 2001, não cobertos pelo ingresso líquido de investimentos diretos estrangeiros (2,3% do PIB).

Não obstante, a taxa de investimento declinou de 19,1% do PIB, em 2008, para 17,4% do PIB, no terceiro trimestre de 2014, e as contas públicas primárias saíram de saldo positivo de 3,8% do PIB para déficit de 0,2% do PIB, mesmo com os malabarismos contábeis.

Pela ótica fiscal, a mensagem e o roteiro da gestão econômica oficial sugerem a indisfarçavelmente envergonhada manobra de reparação dos erros e desmandos cometidos entre 2010 e 2014, sem qualquer aceno acerca do aproveitamento de oportunidades ou da descoberta de elementos de transformações, como simplificação nos tributos, abertura econômica e acordos comerciais com nações de maior envergadura. De fato, o pacote anunciado pelo ministro Levy, que estava pronto há algum tempo, aguardando apenas o desfecho favorável da disputa eleitoral, não conseguiu escapar da aplicação da terapia ortodoxa tupiniquim na gestão das finanças públicas.

O receituário brasileiro é tradicionalmente mais inclinado à elevação da arrecadação, pela via fácil da retirada de haveres da órbita privada, com novos aumentos de impostos, e menos sensível à necessidade de contenção e racionalização dos substanciais gastos governamentais, presos a uma estrutura pública pesada, espalhada em 39 ministérios e mais de 23 mil cargos em comissão.

As inclinações no sentido da redução de dispêndios limitaram-se à equivocada compressão dos recursos destinados à educação, às alterações de regras para supressão de frações de alguns benefícios sociais, notadamente seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte, auxilio doença e seguro-defeso (para pescadores artesanais), e a não autorização para novos empréstimos a estados e municípios.

No caso da educação, o aspecto mais saliente foi a alteração dos fluxos de pagamentos do financiamento estudantil (Fies) às entidades de ensino de terceiro grau, deixando metade dos reembolsos das mensalidades de 2015 para 2016. Lembre-se que, em números corrigidos, os desembolsos do programa passaram de R$ 1,1 bilhão, em 2010, para 13,5 bilhões, em 2014.

Na área de tributos, na sequência do fim do incentivo da redução do IPI na compra de bens de consumo duráveis, busca-se receita incremental de R$ 20,6 bilhões, com a duplicação do imposto sobre operações financeiras (IOF) – de 1,5% para 3%, depois de ter sido reduzido em 2012 para estimular as compras a prazo -, nas transações de crédito para pessoas físicas, com manutenção de 0,38%, estipulado para a abertura de cada operação, criado em 2008 para amortecer os efeitos da extinção da contribuição provisória sobre movimentações financeiras (CPMF).

Para os combustíveis passará a ser cobrado o PIS-Cofins e a contribuição de intervenção do domínio econômico (Cide – dentro de três meses), zerada em 2012, perfazendo recolhimento agregado de R$ 0,22 e R$ 0,15, por litro de gasolina e diesel, respectivamente. Também haverá a elevação de 9,25% para 11,75%, da alíquota do PIS-Cofins para as importações, objetivando compensar a retirada do ICMS da base de cálculo da referida contribuição nas compras externas; e a equiparação do IPI para vendedores atacadistas e industriais de produtos cosméticos.

Na mesma linha emerge o arcabouço montado para justificar os aumentos das tarifas de energia, que devem acontecer a partir de março de 2015 e superar os 30%, decorrentes da adoção das bandeiras tarifárias, da indexação anual dos contratos com as concessionárias e da suspensão das transferências do tesouro para a conta de desenvolvimento energético (CDE), uma espécie de fundo de amparo do setor elétrico, mergulhado em dificuldades financeiras derivadas do populismo tarifário patrocinado pela presidente da república desde 2013.

Frise-se que as intervenções estenderam-se ao segmento de petróleo, impedindo o alinhamento dos preços internos dos derivados à curva de cotações do óleo no mercado internacional, sacrificando a rentabilidade técnica da Petrobrás, já suficientemente abalada pela obrigatoriedade de investimento no pré-sal, de cifras superiores à sua capacidade de captação, e pela submissão às exageradas exigências de conteúdo local e reservas de mercado, em simultâneo à montagem e execução da maior rede de deslocamento de dinheiro público da história do País.

A propósito disso, a retórica de repúdio ao patrimonialismo, evidenciada na manifestação de não quitação da conta das farras das estatais e do fim da festa dos bancos públicos, pode sucumbir diante das ações para salvação da Sete Brasil – empresa formada pelo Previ, BTG, Bradesco, Santander e Funcef, contratada pela Petrobras para fornecimento de sondas de perfuração as preços maiores que os praticados no mercado internacional -, pelo BNDES e Banco do Brasil.

Sem contar o veto do texto aprovado pelo Congresso Nacional, que atualizava a tabela do imposto de renda – pessoa física (IR-PF) em 6,5%, e a definição de correção em 4,5%, o que representará ingresso disfarçado de R$ 7 bilhões aos cofres da Receita Federal, em razão do alargamento efetivo das faixas de incidência. Frise-se que desde 1996, quando os distintos estratos do IR-PF foram desatrelados dos índices de preços, a inflação acumulou variação de 226% contra menos de 100% da tábua do imposto.

O pedaço monetário do conjunto de deliberações contém a majoração da taxa de juros de longo prazo (TJLP), dos juros praticados pela Caixa Econômica Federal no financiamento habitacional e da Selic (para 12,25% ao ano, em janeiro de 2015). Esta última medida, adotada a pretexto de sufocar as tensões inflacionárias, serve prioritariamente para viabilizar a rolagem da dívida pública e segurar a depreciação do real, em face da ampliação da entrada de capitais externos de curto prazo, à procura de ganhos com as operações de arbitragem. Recorde-se que a Selic retorna ao patamar vigente entre 09 de junho e 20 de julho de 2011, chegando a 12,5%, no final de agosto, quando iniciou curso descendente até abril de 2013.

É desnecessário ser um observador conjuntural arguto para perceber que as medidas produzirão impactos negativos na demanda agregada, pelos canais do encarecimento do crédito para consumo, giro e investimento, da elevação da cunha da tributação, da subida das despesas de produção e distribuição e, por consequência, da instituição de focos de impulsão da inflação, agudizando também a endemia do lado da oferta de bens e serviços.

Nessas circunstâncias, parece lícito supor a interrupção do ciclo expansivo movido a consumo no Brasil, em detrimento do investimento, que seria preponderante na recuperação da eficiência da indústria e da infraestrutura e o atestado exclusivo de garantia do giro da roda em médio e longo prazo. O mais gritante, porém, é que a julgar pelo foco e insuficiência da política econômica, atestados pelas modestas indicações de otimismo e confiança, emitidas pelos atores sociais, a nação ruma a passos largos para mais uma década perdida.

O primeiro quinquênio já está garantido, magnificado com os riscos de racionamento de água e energia elétrica e os desdobramentos da operação Lava Jato. Enquanto isso, o mundo sinaliza sentido diferente, com a reação mais consistente da economia dos Estados Unidos e o provável reerguimento da economia europeia, motivado pela injeção de mais de um trilhão de euros pelo Banco Central Europeu (BCE), por meio da compra de papéis públicos e privados até setembro de 2016, apesar da desaceleração chinesa, cujo PIB cresceu 7,4% em 2014, a menor taxa desde 1990.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, professor e editor da revista Vitrine da Conjuntura da FAE Centro Universitário.

Você é um colaborador vaca leiteira, estrela ou abacaxi?

Dolores Affonso
Dolores Affonso

Você já ouviu falar em Matriz BCG? Acredito que sim! Mas se você não sabe o que é, vamos lá! A Matriz BCG é uma análise gráfica desenvolvida por Bruce Henderson para a empresa de consultoria empresarial americana Boston Consulting Group, em 1970. Tem como principal objetivo analisar produtos com relação à sua participação de mercado, potencial, crescimento, desempenho etc., segmentando o portfólio de acordo com o ciclo de vida.

Toda empresa precisa saber a situação de seus produtos para decidir o que fazer, se investe neles ou tira do mercado. Parte do sucesso de uma empresa é compreender com exatidão sua situação de mercado para tomar as decisões corretas.

Mas você já ouviu falar em Matriz BCG de pessoas? Para analisar os colaboradores e embasar a tomada de decisão da liderança e alta gerência? Você já vai entender! A Matriz BCG é dividida em duas partes:

– Participação de mercado: qual fatia de mercado este produto possui, principalmente se comparado aos concorrentes?

– Crescimento do mercado: qual o desenvolvimento deste mercado, taxas de crescimento, potencial etc.?

Dentro destas áreas, podemos observar os quadrantes: Estrela, Ponto de interrogação, Vaca leiteira e Abacaxi.
Agora pense: toda empresa precisa analisar muito bem um de seus maiores ativos: o capital humano! Por que não adaptar a Matriz BCG para analisar seu potencial, desempenho etc. e tomar a decisão certa de investir no colaborador ou “tirar do mercado” (demitir)? Parece estranho, não é mesmo? Mas não é!

Vamos redefinir as duas áreas principais da matriz:

Participação de mercado = Participação e Desempenho no trabalho: analisa-se o comportamento, força de trabalho, resultados, enfim, a participação individual e em equipe do colaborador e seu desempenho geral e específico.

Crescimento de mercado = Crescimento e potencial: analisa-se o crescimento do colaborador na organização, seu interesse em mudar, sua busca por conhecimento, suas habilidades e o potencial que ele tem.

Depois, divide-se nos quadrantes:

– Estrela: são colaboradores com alto desempenho, muitas habilidades e que estão sempre em busca de mudança, crescimento e desenvolvimento, gerando excelentes resultados. Precisam de grandes investimentos, pois buscam inovação, novas formações, tecnologias, são criativos e com espírito de liderança. Se bem aproveitados, podem se tornar colaboradores de altíssima performance, inclusive em segmentos específicos, e grandes líderes!

– Ponto de interrogação: são colaboradores conhecidos como problemáticos. Possuem baixo desempenho, mas inúmeras habilidades mal aproveitadas e estão sempre em busca de crescimento e desenvolvimento. Encontram dificuldades em gerar os resultados que a empresa precisa, mas, com investimentos, seja em treinamento, mentoring, coaching etc. podem se tornar excelentes profissionais! Por outro lado, se não forem bem orientados, podem se tornar abacaxis!

– Vaca leiteira: são colaboradores com excelente desempenho, muito tempo de carreira, mas que estão estagnados e não buscam novos conhecimentos, desenvolvimento de novas habilidades, crescimento e não inovam no dia a dia. Como geram ótimos resultados, a empresa costuma mantê-los. Se bem aproveitados, orientados e motivados, podem se tornar mentores e melhorar os resultados de profissionais como os “Pontos de interrogação”. E o mais interessante, é que podem ser muito beneficiados com a dinâmica, inovação e avidez por desenvolvimento do seu mentorado!

– Abacaxi: são colaboradores com baixo desempenho que não buscam crescimento, não inovam, não desenvolvem habilidades; ou seja, estão acomodados! Precisam de altos investimentos em formação, treinamento, motivação, mentoring, coaching etc. para tentar reverter o quadro. É possível, mas, na maioria das vezes, a empresa opta por investir naqueles com maior potencial de resultados e acaba por demiti-los.

E você, o que é? Estrela, Ponto de Interrogação, Vaca Leiteira ou Abacaxi? Ou melhor, o que você quer ser? Sempre é tempo de mudar!

O artigo foi escrito por Dolores Affonso, que é coach, palestrante, consultora, designer instrucional, professora e idealizadora do Congresso de Acessibilidade.

As sete práticas para a excelência na liderança

Erik Penna
Erik Penna

Muitas organizações querem melhorar os resultados e ampliar a desempenho da sua equipe, mas não sabem como ou por onde começar. Eu acredito que a liderança é o “X” da questão e o caminho certo. James Hunter, autor do livro “O Monge e o executivo”, define liderança como a habilidade de influenciar pessoas a trabalhar entusiasticamente para atingir objetivos estabelecidos e em prol do bem comum. Ou seja, o papel da liderança é fundamental nas corporações bem sucedidas.

Presenciei na prática como o líder faz toda diferença quando fiz um curso com o Instituto Disney. Lá, descobri que a gestão de excelência busca o lucro, mas isso só acontecerá se existir: práticas de encantamento de clientes externos; funcionários satisfeitos, motivados e bem treinados e uma liderança que ensine, inspire e transforme pessoas e resultados. Faça uma autorreflexão sobre sua performance e as sete práticas para a excelência na liderança que cito a seguir:

1) Paixão
É fundamental ter paixão pelo que se faz. Uma frase do filósofo Confúcio expressa bem esse conceito: “Encontre um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. Todos nós temos problemas, mas quando fazemos o que gostamos, a paixão vira amor, as dificuldades viram etapas e os resultados acontecem. E você, tem chegado entusiasmado no trabalho com aquela paixão no primeiro dia?

2) Comunicação
Como tem sido a comunicação com a sua equipe e pessoas ao seu redor? Tem uma frase do Duda Mendonça, um publicitário que eu gosto muito, que diz que comunicação não é o que a gente fala, e sim o que o outro entende. Eu digo isso porque visito várias empresas em treinamentos e palestras e percebo que alguns funcionários têm medo dos seus líderes. Quando eles estão em algum tipo de apresentação ou recebem instruções de seus superiores, dizem que entenderam por insegurança ou medo. Ocorre que, de fato, isso não é verdade e resulta num desacordo com o que o líder esperava.

3) Meta
O filósofo Sêneca já disse: “Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe onde ir”. A meta precisa estar aliada a um bom planejamento e um ótimo monitoramento. Meta é saber aonde quer chegar, planejamento é como chegar e o monitoramento é o acompanhamento que você precisa fazer para este processo ser efetivado com sucesso. Uma dica para ajudar a traçar uma meta corretamente está no sistema SMART, ou seja, ela precisa ser bem Específica, Mensurável, Alcançável, Relevante e Temporal.

4) Disciplina
Disciplina é fazer o que tem que ser feito, ou seja, não adianta fazer apenas o que se tem vontade e sim, fazer o que for necessário para conquistar o objetivo desejado. E mais: disciplina aliada ao foco. Visitando muitas empresas tenho visto líderes atirando para todos os lados. Eles acabam se esquecendo de focar naquilo que é realmente importante e que precisa ser feito.

5) Motivação
Um grande líder precisa saber envolver as pessoas, motivar todos os integrantes da equipe. Com isso, conseguirá transformar interesses individuais em objetivos comuns. Segundo a teoria do especialista no assunto, o psicólogo David McClelland, a motivação é algo intrínseco, ou seja, de dentro para fora. Mas cabe ao líder criar um ambiente motivador para que o próprio colaborador se automotive. Fatores como desafios constantes, reconhecimento, elogio, possibilidades de crescimento profissional e um bom clima organizacional, favorecem para que os números e os resultados cresçam.

6) Resultados
Nada convence mais do que resultado, portanto, não fique trocando resultado por desculpas. Alguns líderes que não conseguem seus objetivos começam a se justificar e desculpar o tempo todo. Lembre-se ainda que o resultado não deve ser conquistado a qualquer custo ou preço, afinal, o líder deve ser exemplo para os demais.

7) Equilíbrio
Um verdadeiro líder precisa saber administrar o tempo, conciliar a carreira profissional e a vida pessoal, para não correr o risco de ser apenas um grande líder profissional. Ele precisa ter tempo para poder cuidar dos outros pilares que compõem a felicidade, por exemplo, dedicar-se à família. Afinal, não há sucesso profissional que compense o fracasso pessoal.

Acredito que o verdadeiro sucesso é ser feliz, portanto, aproveite intensamente cada momento, só assim a felicidade será plena.

O artigo foi escrito por  Erik Penna, especialista em vendas, consultor, palestrante e autor dos livros “A Divertida Arte de Vender” e “Motivação Nota 10”.

Comércio paranaense recua 3,1% em novembro

O faturamento real (descontada a inflação) dos estabelecimentos comerciais de varejo paranaense, na definição ampliada (que contempla, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e de materiais de construção) caiu 3,1% em novembro de 2014 no confronto com o mesmo mês de 2013, ante recuo de 2,7% na média nacional, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais responsáveis por esse resultado foram os setores de livros, jornais, revistas e papelaria (-19,7%), material de construção (-9,20%), veículos, motocicletas, partes e peças (-6,0%), móveis (-5,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-3,0%).

No acumulado de janeiro a novembro de 2014 o comércio do Paraná apresentou redução de 3,0%, frente queda de 1,6% do Brasil. Os ramos que mais influenciaram negativamente para o decréscimo das vendas foram os livros, jornais, revistas e papelaria (-20,8%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-18,5%), veículos, motocicletas, partes e peças (-10,9 %) e móveis (-6,5%).

Em doze meses, encerrados em novembro de 2014, as vendas reais do comércio varejista regional caíram 2,1%, versus queda de 1,2% na média nacional. As principais contribuições para essa performance vieram dos segmentos de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-18,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-18,2%) veículos, motocicletas, partes e peças (-9,8%) e móveis (-6,0%).

Na mensuração restrita (que não considera os ramos de veículos, motos e material de construção), o volume de vendas no Estado subiu 0,6% no mês de novembro e avançou 2,4% no acumulado do ano e 3,1% em doze meses (terminados em novembro). No Brasil, o faturamento comercial mostrou variação positiva de 1,0% no mês, e crescimento de 2,4% no ano e 2,6% em doze meses.

A rota descendente do varejo paranaense em 2014 evidencia o quadro de redução da renda líquida disponível dos consumidores, em decorrência da combinação de alguns fatores desfavoráveis, com ênfase para o declínio da geração de empregos e da intensidade de reajustes reais de salários, o aumento do endividamento das famílias, a elevação dos juros e, principalmente, a exacerbação das incertezas em relação ao futuro.

Só a título de exemplo, segundo a Associação Nacional dos Executivos em Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), os juros médios pagos pelos consumidores nas compras a prazo estão em 104,4% ao ano, sendo 258,3% no cartão de crédito, o maior patamar em 15 anos.

O artigo foi escrito por Francisco José Gouveia de Castro, economista do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES )