Líder, coach ou mentor?

Dolores Affonso
Dolores Affonso

Na atualidade, empresas competem globalmente por mercados, parceiros de negócios e até por colaboradores. Não basta mais ter um produto de qualidade ou uma campanha de marketing bem feita, é preciso pessoas certas nos lugares certos. O capital humano passou a ser o maior ativo de qualquer organização, e muitas pessoas me perguntam qual o principal diferencial que estas pessoas precisam ter.

Bom, pessoas precisam gostar de pessoas, lidar com pessoas e estarem prontas para esta nova realidade. Mas como as empresas podem obter as pessoas certas, ter colaboradores proativos, criativos e que gerem resultados?

Claro que gostar do que faz, ser remunerado de maneira justa e trabalhar num ambiente amigável faz diferença, e muita! Mas, além disso, é preciso aquele algo a mais, admiração pela organização, interesse pelas pessoas e consciência de suas responsabilidades. A equação parece complexa, mas é simples: pessoas capacitadas e satisfeitas = melhores resultados.

Estudos revelam que 80% das pessoas se demitem de seus líderes e não das empresas. Percebe-se, então, a importância do líder na gestão de pessoas, redução do turn-over, influência e satisfação dos colaboradores e, consequentemente, nos resultados organizacionais.

Empresas de sucesso precisam de lideranças efetivas! Para isso, é fundamental uma liderança diferenciada. E aí reside o maior problema das organizações: Lideranças efetivas! A maioria dos líderes ainda não se tornou um líder de fato. Normalmente, são líderes de direito, ou seja, são chefes, foram promovidos, estão numa posição de liderança, mas não sabem liderar.

E muitas organizações me perguntam como podem tornar seus líderes, líderes efetivos. Bom, isso não é fácil, claro, pois pessoas são únicas e não há uma receita de bolo para isso.

Com esta onda de termos e modismos, empreendedores, líderes e liderados se perguntam se o líder deve ser coach ou mentor. Eu acredito que os dois! Sim! Pense: Coach, segundo o IBC (Instituto Brasileiro de Coaching) é aquele que desenvolve capacidades e habilidades num processo de mudança através do desenvolvimento de competências pessoais, emocionais, comportamentais etc.

Neste processo, o coach, ou melhor, o líder coach, ajuda seus liderados a compreenderem-se melhor, a definirem seus objetivos, repensarem ou redescobrirem seus sonhos, a encontrarem seu espaço, a entenderem e aproveitarem seu potencial, habilidades, competências e a superarem suas limitações.

Já o mentor, orienta, acompanha, ensina desde competências e habilidades para as funções, melhores práticas e outros detalhes da função, das atividades e da organização, até a situações sobre sua carreira, posicionamento, formação. Muitas vezes, apoia em momentos difíceis e serve como exemplo e inspiração.

A grande diferença entre mentoring e coaching é que no coaching, o coach ajuda seu coachee a se descobrir, indicando reflexões, exercícios e pesquisas internas e externas para auxiliar no seu processo de autoconhecimento e mudança. Já o mentor, ajuda seu mentorado indicando possíveis caminhos, ensinando “o caminho das pedras”.

Pense comigo: um líder deve ser capaz de realizar estes dois papéis em momentos específicos com seus liderados, não acha?

Organizações, transformem seus líderes e vejam seus resultados se transformarem! Pensem na fórmula: Liderança Efetiva = Gente Satisfeita = Clientes Satisfeitos = Resultados Extraordinários!

Líder, torne-se coach e mentor e transforme as pessoas ao seu redor, ao mesmo tempo em que transforma a si mesmo, sua carreira e a sua vida para melhor!

O artigo foi escrito por Dolores Affonso, coach, palestrante, consultora, designer instrucional, professora e idealizadora do Congresso de Acessibilidade (www.congressodeacessibilidade.com ).

IPARDES: um belo presente

Gilmar Mendes Lourenço
Gilmar Mendes Lourenço

Em fins de 2010, por ocasião do convite para assumir a presidência do IPARDES, com total liberdade para a escalação do time, considerei-me presenteado. Afinal, depois de quase 35 anos de vida pública, seria uma partida de “celebração” do encerramento de uma carreira profissional que começou nesta instituição, que eu conhecia em seus mínimos detalhes, positivos e negativos.

Coube-me a tarefa de montar o palco do rearranjo institucional, reinserindo o IPARDES nos ambientes governamental e privado, em um estágio de restauração dos princípios e práticas do planejamento de longo prazo, ou de fixação de referências futuras para as escolhas estratégicas presentes, conforme os ensinamentos que tive com os professores Francisco Magalhães e Belmiro Valverde.

Nessas circunstâncias, impunha-se o restabelecimento da presença e participação do organismo de pesquisa no interior do próprio governo, por meio do apoio à concepção, formulação, aplicação, avaliação, aperfeiçoamento e correção das diretrizes e políticas. Para tanto, o IPARDES buscou maximizar a interação com a Secretaria de Planejamento e demais instâncias da administração estadual, incluindo empresas públicas. Também foi edificado um canal direto com a assessoria do governador, ativado com a publicação de breves comunicados acerca de temas da conjuntura internacional, nacional e local.

Com isso, a entidade potencializou o fornecimento de massa crítica e estudos, em uma perspectiva gerencial, que requeria o oferecimento de respostas rápidas às demandas expressas pela sociedade paranaense, no Plano de Metas 2011-2014, negociado pelo candidato Beto Richa com a população, durante o ciclo eleitoral de 2010.

Inúmeros esforços foram empreendidos nesta direção, com destaque para os subsídios à contratação de financiamentos externos pelo Estado, ao Plano Plurianual 2011-2015, aos programas sociais (leite das crianças, família paranaense, entre outros), à atualização anual do piso salarial regional, ao programa Paraná Competitivo, além da construção de indicadores ambientais e de ciência e tecnologia.

É importante reter que o suprimento das necessidades de curto prazo não significou o sacrifício das investigações de longo alcance, visando à recuperação da capacidade de interpretação da dinâmica econômica, social e ambiental paranaense, com ênfase prospectiva, ancorada, predominantemente, em dados, informações e indicadores produzidos ou apropriados pelo Centro Estadual de Estatística (CEE).

O encaixe na rede IPEA, o fortalecimento da Revista Paranaense de Desenvolvimento (RPD), os Comunicados ao Planejamento, a criação da publicação Cadernos IPARDES, o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), a montagem da Matriz Insumo-Produto e o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) trimestral, preencheram, ainda que não de forma plena, as exigências de inquéritos estruturais.

Ao mesmo tempo, buscou-se a ampliação do grau de interlocução, entrosamento e exposição do órgão de pesquisa com os agentes socais regionais, centrada na realização de incontáveis reuniões técnicas de discussões, participações em fóruns, feitura de palestras e preparação de papers. Por certo, tal frente de ação favoreceu a identificação dos problemas e oportunidades no caminho do desenvolvimento econômico e social do Estado e, por extensão, disponibilizou elementos relevantes para o exercício de tomada de decisões dos atores corporativos, sindicatos de trabalhadores, escolas de ensino superior e outros entes não governamentais.

Por conta dessa postura, o organismo ganhou visibilidade, atestada pela multiplicação dos pedidos de estatísticas mais elaboradas e análises interpretativas pela imprensa especializada. Quase sempre, os solicitantes foram atendidos de pronto, sem a omissão de aspectos quantitativos ou qualitativos contidos no fato econômico e social em pauta, com base no pressuposto de que a sociedade, que nos sustenta, tem o direito de conhecer a realidade de maneira crítica, precisa e minuciosa, independentemente dos humores deste ou daquele governante, para acatar ou contestar o teor das intervenções.

A propósito disso, convém sublinhar que a enxuta equipe do IPARDES operou, em todos os momentos, de modo absolutamente transparente, livre de qualquer pressão de natureza política – em contraposição ao acontecido nas instituições públicas federais, nos últimos tempos – e valorizando cada centavo pago pelo cidadão paranaense.

Por fim, uma observação prospectiva permite inferir que a continuidade do protagonismo do IPARDES no debate de questões cruciais e no auxílio às políticas de Estado, determina, inexoravelmente, o fortalecimento e a renovação dos seus quadros técnicos e a substancial elevação das remunerações de ingresso, cuja viabilização não foi possível, entre 2011 e 2014, devido às restrições de fluxo de caixa do Tesouro estadual.

Adicionalmente, na linha das proposições de modificações a serem consideradas, emerge a implantação de uma nova configuração institucional, que garanta maior flexibilidade operacional e financeira, com a possibilidade de contratação de funcionários celetistas por concurso e a concessão de opções aos servidores estatutários, com a preservação de direitos adquiridos.

Sou imensamente grato a todas as pessoas que me permitiram integrar um pedaço dos quase 42 anos de história do IPARDES. De resto, só posso assumir o inarredável compromisso de defesa intransigente da Instituição em qualquer batalha campal ou trincheira que venha a aparecer em minha frente.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES) e professor da FAE Centro Universitário.

A revolução do varejo

Flavio Rocha
Flavio Rocha

Os últimos dez anos podem ser considerados a década de ouro do varejo, pois vivemos um momento especialmente importante, em que o consumo se consolidou como o principal motor da economia, e o varejo demonstrou o vigor necessário para atender a uma população disposta a comprar de tudo. De alimentos a eletrodomésticos. De roupas a artigos eletrônicos. De materiais de construção a móveis.

Neste momento de transformação econômica e, sobretudo, social, pelo qual o Brasil vem passando, o varejo assumiu o papel de protagonista e ofereceu as respostas necessárias para atender a um aumento espetacular da demanda. Na visão de muitos analistas, nosso segmento comercial apenas foi beneficiado por um momento favorável, em que o poder de compra da população aumentou, e o governo decidiu estimular o consumo.

Pois nós enxergamos o cenário de uma forma diferente. Em nossa opinião, sem a capacidade que demonstramos em dar uma resposta positiva a esse fenômeno e sem os investimentos que todos nós realizamos nos últimos anos, nada disso teria acontecido. O passado já nos mostrou que uma população disposta a consumir avidamente pode até ser um problema se, na outra ponta, não existir um comércio em condição de atendê-la.

A verdade é que nenhum outro segmento da economia teve, nesse período que estamos vivendo, clareza de visão e capacidade de transformar desafios em respostas, como o varejo. É preciso que nós tenhamos a consciência dessa verdade para que possamos, diante do conjunto da sociedade, ter orgulho do varejo e ser os defensores da importância econômica, social e política de nossa atividade empresarial.

Nosso protagonismo não é consequência apenas do desejo de ver reconhecido o valor de nossa atividade. Ele é um fato real, apontado por um novo estudo elaborado pela McKinsey Global Institute. O trabalho compara números e apresenta uma série de dados relativos aos últimos dez anos. Tais dados atestam, de forma irrefutável, o desenvolvimento de um fenômeno que considero bem maior do que um simples momento de expansão determinado pelo aquecimento da demanda. Defino o que estamos vivendo não apenas como um bom momento, mas como uma revolução definitiva e irreversível. A Revolução do Varejo.

Trata-se da verdadeira revolução do século 21. Ela se desenvolve globalmente, de forma tão pacífica quanto irreversível. E traz consigo os indicadores da melhoria da qualidade de vida da população de uma maneira geral. O aumento da capacidade de consumo faz com que as classes emergentes se fortaleçam como sujeitos nesse momento de mudanças. Senhoras e senhores, estamos diante de uma revolução econômica que, ouso dizer, é tão ou mais impactante na vida das pessoas quanto foi a Revolução Industrial da virada para o século passado.

A Revolução do Varejo se sustenta sobre dois pilares principais: aumento da eficiência e combate à informalidade.
O cenário que se percebe hoje é distinto e bem mais positivo do que o anterior, traçado pela mesma McKinsey nos idos de 2004. O estudo de dez anos atrás avaliava os fatores que impediam o crescimento econômico e a expansão da economia formal do Brasil. Ele mostrava que mais da metade dos trabalhadores em nosso país sobrevivia de atividades consideradas informais. O estudo atual revela que, de lá para cá, a taxa de informalidade no emprego caiu quase 15 pontos percentuais. Ela passou de 55% para 40% dos trabalhadores.

Como se vê, ainda há um longo caminho a ser percorrido no caminho da formalização total do mercado brasileiro. Mas o que se percebe é uma redução considerável desse problema que, no final das contas, funcionava como um freio ao crescimento das empresas dispostas a trabalhar dentro da formalidade. Era, como ainda é, um empecilho à concorrência sadia, travada dentro dos critérios de igualdade e transparência defendidos por todos nós.

Essa revolução pacífica e democrática de que estamos falando não surgiu da noite para o dia, como um fenômeno que pega a todos de surpresa. Ela foi gerada por avanços tecnológicos, pela mudança nos hábitos de consumo e pela atuação incisiva de trabalhadores que se organizaram para coibir a informalidade. Também houve um extraordinário esforço por parte de companhias interessadas em aumentar a sua eficiência, sobretudo no chamado varejo de alta performance. Novas tecnologias foram incorporadas, e são elas que têm nos permitido acompanhar a evolução da própria inteligência humana, numa corrida iniciada nos anos 70 do século passado.

Por mais antigo que isso possa parecer, as primeiras etiquetas perfuradas que surgiram no passado foram o passo inicial da revolução que assistimos nos dias de hoje. Houve, a partir dali, uma evolução constante, que passou pelo código de barras e nos leva ao inevitável R.F.I.D. (a sigla em inglês para Identificação por Radiofrequência). Num mundo em que a informação se transformou no mais valorizado dos patrimônios, o varejo deixou de ser um simples canal de suprimento da sociedade. Ele passou a ser o detentor dos dados que nos permitem entender e decifrar o comportamento daquela que se consolida a cada dia como a principal figura de toda a cadeia produtiva. Sua excelência, o consumidor.

Por sua capacidade de recolher e processar um número maior de informações sobre hábitos, desejos e capacidade financeira do cliente, o varejo assumiu o papel de protagonista de todo o sistema capitalista. Na prática isso inverteu aquela situação na qual a indústria decidia o que produzir, e o comércio era um mero intermediário entre as fábricas e o consumidor final.

Naquele momento, o comércio era o último vagão do comboio. Hoje não é bem assim, e as empresas varejistas que souberam entender e utilizar as novas ferramentas tornaram-se as novas estrelas da constelação chamada mercado. Toda a cadeia de suprimentos passou a ser gerida pelo varejo. As empresas do nosso setor não pararam de melhorar o desempenho e de estimular o desenvolvimento de novas tecnologias.

Posso afirmar que estamos apenas no começo desse processo que, como já disse, é uma revolução. Ela definirá o ritmo e a intensidade do crescimento de nossa economia. Nosso país será tão forte e tão próspero quanto for a expansão de seu varejo. Tem sido assim no mundo inteiro desde que houve a inversão de posições à qual me referi. O varejo, é bom bater sempre nessa tecla, deixou de ser o agente econômico responsável pelo suprimento e passou a se encarregar pelo estabelecimento da demanda.

Acredito que a Revolução do Varejo se fundamenta no fortalecimento de uma atividade predominantemente formal, ética, tecnologicamente equipada, estruturada e empresarial. No papel da locomotiva capaz de puxar a nova fase de desenvolvimento no Brasil. Um desenvolvimento marcado pela justiça social.

A Revolução do Varejo está permitindo  o encontro do nosso povo com a real economia brasileira. Sem o pedantismo do economês nem a intermediação de representantes do Estado.

O artigo foi escrito por Flávio Rocha, presidente do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo).

Paraná: balanço econômico de 2014

Gilmar Mendes Lourenço
Gilmar Mendes Lourenço

Como nenhuma instância subnacional pode representar o papel de ilha de prosperidade em um oceano de crise, o Paraná começou a identificar, especialmente a partir segundo semestre de 2013, algumas pedras no caminho de seu desenvolvimento econômico e social. Em outras palavras, o panorama adverso que vem assolando a matriz produtiva nacional, desde o princípio de 2011, e que parecia poupar unidades federadas com abrangentes, diversificadas e sólidas âncoras de negócios, se reproduziu com força por essas paragens.

A instabilidade chegou ao Estado em consequência do contágio exercido pela morosa recuperação da economia mundial, mais precisamente do default financeiro de 2008, pela queda das cotações internacionais das commodities agrícolas e pela ausência de uma orientação macroeconômica consistente do executivo federal, notadamente depois de agosto de 2011, quando começou a ser aplicada uma política econômica intervencionista que inibiu o investimento.

O quadro menos animador foi agravado localmente pelo caos produtivo e inflacionário da Argentina, importante destino das vendas externas do Estado, e pela estiagem do final de 2013 e começo de 2014, que afetou o desempenho da safra de verão, notadamente as lavouras de milho e de soja, não compensado pelo excelente resultado obtido pelas culturas de inverno.

Mais que isso, após três anos ininterruptos de expansão, o aparelho econômico operante no Paraná amargou resultados ruins em 2014. O Produto Interno Bruto (PIB) regional variou apenas 0,3% entre janeiro e setembro de 2014, contra 0,2% para a média nacional, ancorado no setor de serviços, o que define um padrão de crescimento qualitativamente inferior. Isso depois de ter evoluído 3,8% ao ano entre 2011 e 2013, versus acréscimo de 2,1% a. para o agregado brasileiro.

Na mesma linha, o emprego industrial caiu 4,2% no Paraná, contra 3% no Brasil, e o volume de vendas do comércio varejista declinou 3,1%, versus redução de 1,5% para a média do País, no período janeiro-outubro de 2014.

A produção da indústria recuou 6,1% no Estado, contra declínio de 3% para o País, em idêntico intervalo, com o Paraná encabeçando a performance cadente do País, puxada pelos segmentos mais articulados ao agronegócio e aos parques de material de transporte, elétrico, máquinas e equipamentos e produtos químicos.

Aliás, a retração na indústria é, ao mesmo tempo, causa e consequência da fragilização das trocas comerciais do Estado com o resto do mundo. Houve queda de 10,1% no valor exportado, entre janeiro e novembro de 2014, ante diminuição de 6,1% para o Brasil, determinada pela performance negativa dos complexos de alimentos e automóveis. Já as cifras de importações encolheram 9,6%, contra 4,3% para o País, influenciadas por petróleo, material de transporte e insumos do agronegócio.

É prudente reconhecer, em uma atmosfera tão inóspita, tratar-se de um fenômeno conjuntural, motivado, em grande medida, por fatores que escapam ao controle dos agentes econômicos e políticos paranaenses. Estes, por sinal, acumularam trunfos, ou elementos de mudanças e oportunidades, nos últimos quatro anos, que podem ser maximizados na tarefa de superação da situação contracionista.

De fato, a avaliação quase consensual dos meios especializados dá conta de que o Estado do Paraná conseguiu construir, no intervalo de tempo compreendido entre 2011 e 2014, um conjunto de mecanismos e instituições capazes de assegurar um novo salto econômico, à semelhança do ocorrido em outros três momentos de sua história, expressos na implantação da infraestrutura, na década de 1960; na modernização agrícola e agroindustrial, instalação e consolidação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e atração da refinaria de petróleo da Petrobrás, nos anos de 1970; e no ciclo de diversificação do segundo quinquênio de 1990, liderado pela renovação do complexo automotivo.

Essa perspectiva de mutação, desenhada nos tempos atuais, é resultado da montagem de um novo arranjo institucional, amparado em profundo, e transparente, diálogo entre governo e demais atores sociais por aqui atuantes que, ao ensejar a formação de um clima de estabilidade de regras e segurança jurídica dos contratos, e promover a recolocação do Estado no mapa decisório dos investidores globais e nacionais, favoreceu a multiplicação dos negócios.

Entre os fatores de transformação sobressai, em primeiro lugar, a vitalidade do mercado de trabalho regional. Estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam saldo líquido de 393 mil contratações formais no Paraná entre janeiro de 2011 e novembro de 2014. Foi a quarta maior geração de vagas com carteira assinada do País (7,4% do total), sendo 70,7% delas contabilizadas no interior, contra 60,8% entre 2003 e 2010, o que sinaliza o delineamento, ainda que incipiente, de um processo de desconcentração geográfica do produto social.

Entre janeiro e novembro de 2014, o Estado produziu 89,7 mil postos, que representaram 9,6% das ocupações nacionais, situando-se em terceiro lugar no ranking da federação, atrás de São Paulo e Santa Catarina, com abertura de 76,6% das oportunidades fora da Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

A segunda potencialidade engloba a retaguarda industrial e empresarial complexa, diversificada e eficiente disponível no Estado. Desde a entrada em operação das montadoras e a maturação dos investimentos em verticalização da agroindústria cooperativa e em modernização das cadeias de madeira e papel, realizados entre 1995 e 2002, o Estado passou a dividir com Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, o posto de terceira indústria de transformação do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

A terceira “carta na manga” abarca o poder de garimpagem de empreendimentos. O Paraná contabilizou portfólio de mais de R$ 35 bilhões em projetos de investimentos industriais privados, nacionais e multinacionais, atraídos pelo Programa Paraná Competitivo, desde fevereiro de 2011, contra pouco de mais de R$ 16 bilhões entre 2003 e 2010, quando potenciais interessados foram desprezados. Trata-se da maior carteira do País, quando realizado o exercício de cotejo com a amplitude econômica estadual, replicado para as outras unidades federativas.

Não por acaso, a terceira edição do ranking de gestão e competitividade dos estados brasileiros, referente ao ano de 2014, preparada pela empresa de pesquisa da revista britânica The Economist, apurou que o Paraná suplantou Rio Grande do Sul e Minas Gerais em clima de negócios e capacidade de atração de inversões, entre 2011 e 2013, passando da quinta para a terceira posição no certame nacional, depois de São Paulo e Rio de Janeiro.

De acordo com aquele trabalho, o Paraná é o primeiro em ambiente econômico e exibiu avanços nas exportações do agronegócio, na renda per capita, nos dispêndios realizados pelo setor privado em pesquisa e desenvolvimento, na qualidade da rede de comunicações e da malha rodoviária e nos estímulos fiscais direcionados às políticas ambientais.

Merece destaque também, como suporte à impulsão econômica, as múltiplas e pulverizadas incursões da Fomento Paraná, a inserção e presença financeira do BRDE, o poder de interiorização das obras infraestruturais e dos projetos agroindustriais, e a rede de universidades e faculdades estaduais, neste caso para o fortalecimento das vocações e o desenvolvimento das aptidões regionais, principalmente daqueles espaços com menor densidade industrial e indicadores sociais inferiores à média do Estado.

Por fim, a eliminação dos componentes de perturbação e a otimização dos pontos fortes à retomada da escalada econômica do Paraná requerem o acionamento conjugado de, ao menos, três aspectos estruturais e virtuosos. O primeiro diz respeito à concretização de um rearranjo da gestão de curto prazo da macroeconomia brasileira, que promova o controle da inflação, das finanças públicas e das contas externas, e ao encaminhamento das reformas institucionais essenciais à elevação da produtividade da base produtiva nacional.

O segundo ente compreende a perseguição do abrandamento das limitações da capacidade de gasto e investimento público, por meio de programas e iniciativas voltadas à redução estrutural de despesas e melhoria da eficiência arrecadatória. O Tesouro Estadual vem enfrentando percalços financeiros nada desprezíveis, especialmente desde o segundo semestre de 2013, pressionado por algumas fontes episódicas de alargamento de dispêndios, como a impulsão do montante da folha de salários dos funcionários públicos, devido a majorações inerciais, herdadas da gestão antecedente.

Tal restrição foi maximizada com a priorização à educação e a contratação de mais de 17 mil profissionais de ensino, em menos de três anos, a ampliação da jornada extraclasse e a promoção da equalização salarial dos professores com os demais servidores de nível superior do governo do Estado.

O panorama fiscal menos empolgante também sofreu influência do menor incremento do potencial de receita tributária, estimado em mais de R$ 2 bilhões por ano, em decorrência dos efeitos da redução dos encargos federais incidentes sobre as tarifas de energia elétrica (principal fonte de ICMS no Estado), da extinção da contribuição de intervenção sobre o domínio econômico (CIDE), cobrada sobre comercialização de combustíveis, e da queda dos repasses do fundo de participação, provocada pelo declínio da arrecadação do IPI, consequência da diminuição das alíquotas para uma cesta de bens de consumo duráveis e de materiais de construção.

Adicione-se a interferência do exíguo empenho de representantes paranaenses, integrantes da administração federal, nas tarefas de reversão da tendência decrescente das despesas da União no Estado, mesmo com a abundância de propostas e projetos, e obtenção de autorização da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para a liberação dos financiamentos aprovados junto às entidades multilaterais de crédito e ao BNDES.

O endividamento do governo paranaense, estimado em R$ 15 bilhões, compromete menos de 60% da receita corrente líquida, sendo a menor proporção entre as unidades do Sul e do Sudeste brasileiro (exceto Espírito Santo), contra 86,5% em 2010, 78,4% da média nacional, e mais de 150% para Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Por esse indicador, o Estado estaria apto ao recebimento das garantias e autorizações federais para a finalização dos atos de contratação dos empréstimos pleiteados desde o início de 2011, cruciais para a elevação da taxa de investimento público.

Exatamente por isso, o terceiro eixo da reativação econômica sustentada do Paraná repousa na inversão do quadro de tímida influência regional na órbita federal, imprescindível para a implementação de aprimoramentos na oferta de infraestrutura econômica e social, além daqueles vinculados à ciência e tecnologia, com pronunciada presença e participação do setor privado. Só assim será factível a diminuição do Custo Paraná e a ampliação da eficiência produtiva da microeconomia do Estado.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social IPARDES e professor da FAE Centro Universitário.

O varejo no Brasil desacelera: como agir neste cenário?

Fabíola Paes
Fabíola Paes

No decorrer de 2014, a economia brasileira começou a mostrar sinais de desaceleração, devido a fatores como o aumento da inflação e da desvalorização do real frente ao dólar norte-americano. A inflação mais alta penaliza quase todas as indústrias brasileiras, mas especialmente de alimentos e produtos industriais. Durante os tempos de inflação alta, quando não é possível encontrar comida a preços razoáveis, muitos consumidores olham primeiro para alimentos alternativos – e eventualmente reduzem ou evitam o consumo de itens que são considerados muito caros. Com a desvalorização do real, os produtos importados ou desenvolvidos a partir de componentes importados ficam mais caros, devido à taxa de câmbio.

Especialistas afirmam que esse cenário não deve mudar a curto prazo. Como consequência, algumas indústrias deverão crescer num ritmo muito mais lento, em comparação com as taxas de crescimento registradas entre 2010 e 2013. Por outro lado, o varejo deve continuar a registrar um pequeno crescimento nas vendas.

As propostas para potencializar a economia, nesse cenário mais desafiador, seria apostar na alta da produtividade e criar novos fatores de crescimento. Neste momento, o combinado competitividade e produtividade torna-se altamente relevante e necessário para rentabilizar o setor.

Em situações como essas, espera-se que a velha receita de minimizar os gargalos estruturais com as reformas tributária e trabalhista voltem a ser assunto de discussão. Porém, ela é muito mais difícil de colocar em prática no curto prazo, pois fatores como engajamento político se fazem necessário.

Para potencializar a distribuição e vendas do comerciante, no curto prazo, a estratégia multicanal – loja física, loja virtual, loja mobile, venda direta, entre outras – deve continuar a se desenvolver. São esperadas maior integração e sinergias para levar as estratégias de negócios do varejo omni-channel.

Além disso, os varejistas de e-commerce deverão oferecer serviços exclusivos ou aplicativos para facilitar o processo de compra e experiência. Netshoes, por exemplo, investiu em um aplicativo que permite aos consumidores tirar uma foto do tênis e procurar um produto semelhante no site da empresa. Dafiti oferece uma plataforma de chat online para os consumidores fazerem perguntas sobre o dimensionamento de produtos, bem como guias de moda e consultoria.

Pesquisa recente da Euromonitor aponta que a penetração de smartphones e tablets cresce rapidamente no Brasil. Entre 2012 e 2017, o smartphone deverá registrar um aumento de 32% no volume de vendas no varejo, atingindo 57 milhões de unidades, enquanto o tablet deverá crescer 59% em volume e, em termos de vendas no varejo, atingir 17 milhões de unidades. Mais investimento são estimados em pagamentos através de terminais POS e opções de móveis como NFC (Near Field Communication), que é ainda pouco desenvolvida a nível mundial.

Nesse sentido, o país deve pensar não apenas na manufatura, mas também em pesquisa e inovação. Dentro deste contexto, iniciativas que visam contribuir com a inovação e aplicação de novas tecnologias para aprimoramento da gestão, com foco na alavancagem de vendas, proporcionando maior rentabilidade e sustentabilidade ao setor, estão sendo desenvolvidas dentro das universidades, para orientar estudantes, empresários, empreendedores, dirigentes empresariais e lideranças sobre as tendências que moldarão os novos desafios do varejo.

O artigo foi escrito por Fabíola Paes, que é Coordenadora do Núcleo de Estudos e Laboratório de Varejo da Escola de Comunicação e Negócios da Universidade Positivo e Coordenadora do MBA em Gestão de Varejo e Administração de Shopping Center da Universidade Positivo.