Chega de recessão. Indústria precisa crescer, mas qual é a melhor estratégia para investir de forma sustentável?

Depois de 3,5 anos de recessão econômica, a indústria paranaense começa a dar os primeiros sinais de reação. Nos primeiros sete meses do ano, a produção industrial paranaense cresceu 3,9% em relação a igual período de 2016, ante um aumento de 0,8% da média nacional, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já o faturamento da indústria do Paraná continua em queda. No primeiro semestre, pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apontou que a retração nas vendas industriais foi de 8%.

O aumento da produção e a queda nas vendas não significa que as indústrias paranaenses estão fazendo estoque. A pesquisa Sondagem Industrial da Fiep indica que para se adaptar à nova realidade e acompanhar o mercado, as indústrias que fabricavam produtos mais sofisticados trocaram por outros mais simples e mais baratos. Automaticamente, o faturamento ficou menor. “Essa foi a alternativa encontrada pelos industriais do Estado para não fechar às portas e diminuir o desemprego”, justifica o economista Roberto Zurcher, do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.

Para atender as novas demandas, o setor industrial precisa investir. Só que para crescer e produzir mais é necessário investimento, que por sua vez requer capital. É aí que os problemas surgem, pois sem ou com pouco dinheiro em caixa, a opção é buscar recursos em bancos para financiar os investimentos, seja para a construção ou ampliação do parque fabril, inovação de produtos e aumento da produtividade.

Além de empréstimos bancários, considerados restritivos e caros, existem hoje diversas formas para bancar o tão esperado retorno do crescimento industrial. O grande desafio está em sustentar o retorno de investimento atrativo e ideal, que proporcione não apenas maior crescimento em receita, market share ou lucro, mas também a maximização do valor do negócio. As empresas que não visam apenas o crescimento orgânico, mas um grande potencial estratégico, podem buscar sinergias através de fusões e aquisições.

Outras formas de captação de recursos visando a retomada do crescimento podem ser feitas através da entrada de fundos de investimentos, os famosos private equity, que acabam se tornam sócios no negócio ou alternativas no mercado de capitais com captação de dívida; através de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA); Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI); Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC); debêntures ou então pela abertura de capital na Bolsa de Valores (IPO), aponta o sócio-proprietário da Geld Group, Mario Candido Neto. O importante é analisar atentamente qual alternativa de crédito é a mais viável para o negócio. “No nosso País predomina a cultura de usar apenas aquilo que se conhece. No entanto, com uma boa assessoria o empresário pode maximizar os investimentos e ser orientado sobre as especificidades de cada modalidade de financiamento”, explica.

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, para o crescimento do setor produtivo o acesso ao crédito é fundamental. “Sem crédito dificilmente uma indústria conseguirá implantar novos projetos, ampliar mercados e contribuir para a geração de empregos e renda para a sociedade”.

Marcelo Percicotti e João Baptista de Lima Guimarães: juro alto inibe o investimento industrial. 

O gerente de Economia, Desenvolvimento e Fomento da Fiep, Marcelo Percicotti, chama a atenção para fato de que embora a economia precise crescer urgentemente, o crédito para o setor industrial está cada vez mais restrito, além de caro, mesmo com o declínio da taxa Selic verificado nos últimos meses. Entre janeiro e julho deste ano, o saldo da carteira de crédito dos bancos diminuiu 8,6% em relação a igual período de 2016. E durante os 12 meses de 2016, a queda registrada foi de 2,5%. Por mais estranho que pareça, em 2015, o saldo da carteira de crédito cresceu 8%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou variação negativa de 3,8%.

Animado com o quadro atual, Percicotti informa que a partir do segundo trimestre do ano o setor de Fomento da Fiep passou a registrar uma demanda maior de empresários do setor industrial prospectando crédito para investimento. “Infelizmente, nos dois últimos anos, o que mais atendemos foram empresários que buscavam dinheiro para capital de giro visando o pagamento das contas”.

Um erro muito comum cometido pelos industriais paranaenses, apontado pelo gerente de Economia e Fomento da Fiep, foi a compra de máquinas e equipamentos, utilizando recursos próprios da empresa. “Embora esse seja um erro muito grave, 90% da estrutura produtiva têm agido dessa forma, deixando a empresa sem fôlego, sendo obrigada a recorrer a empréstimos para capital de giro, que são bem mais caros”, justifica. Ou seja, enquanto o custo do financiamento para a produção está, em média, em 14% ao ano, os juros anuais dos empréstimos para capital de giro variam entre 23% e 24%.

O analista de Fomento da Fiep, João Baptista de Lima Guimarães, aconselha os empresários para que nunca fiquem reféns do gerente do banco com quem trabalham, que vão atrás de informações em outras instituições financeiras e que sempre busquem orientações na Federação das Indústrias do Paraná.

Crescer dói? Muitas empresas sentem a dor do crescimento semelhante a dos seres humanos

Emanuele Caroline de Oliveira Solyom: “A trajetória para o sucesso de um negócio é longa”.

A dor do crescimento quando criança e adolescente é mais comum do que se imagina. Quem é que não se lembra dessa dor, que se manifesta em uma fase natural do desenvolvimento físico? Assim, como o crescimento do corpo humano é um processo dinâmico, que começa na concepção e se prolonga até a vida adulta, com intensidades que variam nas diferentes fases da vida da criança e do adolescente até atingir a plena maturidade, o mesmo ocorre com o universo corporativo.

Para a diretora de Consultoria da Russell Bedford Valuconcept, Emanuele Caroline de Oliveira Solyom, não existe crescimento sem dor e no caso das empresas isso é inevitável. “A trajetória para o sucesso de um negócio ou até atingir sua maturidade é longa. Serão muitas dores a serem enfrentadas pelo caminho até atingir o crescimento sustentável, desde ter um caixa apertado, ter uma equipe sobrecarregada por falta de processos, falta de treinamento ou falta de pessoal até ser menos dono do negócio porque tem que delegar responsabilidades”, alerta.
Emanuele ressalta que um dos maiores objetivos das empresas de uma forma geral é o crescimento, porém se não for bem planejado e conduzido, poderá se tornar uma “dor” sem fim, afetando a qualidade, a lucratividade a motivação da equipe e a satisfação dos clientes.

A fusão e aquisição vem sendo uma estratégia bastante utilizada para crescer. Esse caminho permite que as empresas ampliem sua carteira de clientes, portfólio de produtos, regiões de atuação ou se apropriem de novas tecnologias, de forma mais rápida do que lhe seria possível no crescimento orgânico. Embora o volume financeiro de fusões e aquisições de empresas brasileiras tenha caído 46,8% entre janeiro e junho, somando R$ 32,7 bilhões, com o número de negócios totalizando 44, o cenário para o segundo semestre é positivo, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

A maior parte dos anúncios do primeiro semestre (43,2%) foi concentrada em operações com volume inferior a R$ 100 milhões. Como consequência das maiores operações, os setores que puxaram as fusões foram o de mineração, com 22,5% do volume total, seguido dos segmentos de alimentos e bebidas (19%) e de siderurgia (16,9%).

A vantagem da fusão para a concorrência é importante, principalmente, pela disputa que existe hoje no mercado por clientes. Ao unir forças, as empresas aumentam os consumidores, pois além dos próprios clientes incorporam os da companhia à qual se fundiu. Com isso, cresce a participação no mercado e mais produtos passam a ser oferecidos.

Crescer através de private equity é só para grandes

Outra forma de captação de recursos são os fundos que operam investimentos, mais conhecidos como private equity. Esta modalidade se restringe a indústrias que faturam acima de R$ 50 milhões/ano. Os private equity ou capital de risco ou capital empreendedor são um meio de financiamento de empresas ou negócios que envolvem empresários e um grupo provedor de capital.

Normalmente, os investimentos são realizados por meio da aquisição de participação acionária na empresa alvo e pelo aporte de recursos necessários para o crescimento da empresa. Portanto, o investidor de um private equity acaba se expondo aos mesmos riscos de um empresário, pois acabam se tornando sócios. No entanto, o investidor de private equity não será sócio da empresa para sempre. A ideia do capital empreendedor é investir no médio e longo prazo e, ao final desse período, recuperar o investimento através dos lucros sobre o crescimento da empresa.

De acordo com o sócio-proprietário da Geld Group, Mario Candido Neto, esses fundos são indicados para negócios que já têm uma maturidade no mercado e trabalham com uma média de rentabilidade entre 20% e 25% ao ano.
Um dos principais benefícios em receber recursos dos private equity é que eles trazem melhoria para a gestão do negócio e maior governança corporativa. Há também fundos voltados para empresas que buscam a retomada do crescimento, e que trabalham com uma média de 30% de retorno ao ano.

Emissão de títulos da dívida, uma opção para grandes, médias e pequenas corporações

Empresas de médio e pequeno portes estão buscando alternativas para financiar sua expansão, a exemplo do que acontece com as grandes corporações que emitem títulos de dívida para vender aos fundos de investimento. A vantagem é garantir taxas de juros menores por prazos mais longos. A empresa ainda reduz a dependência do financiamento bancário, liberando os limites aprovados para a gestão do caixa.

Para emitir títulos de dívida, como por exemplo, debêntures, as empresas precisam ter balanços auditados, passar pela avaliação de agências de classificação de risco e divulgar prospectos que exigem o trabalho de bancos de investimentos, advogados e consultores. No Paraná, a maior emissão de debêntures, este ano, por uma indústria foi realizada pela Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, com fábricas nos municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba, que conseguiu captar R$ 945 milhões através da colocação de 945 mil debêntures com vencimento em 25 de março de 2022.

Por sua vez, para empresas de médio porte, uma das formas mais fáceis de alcançar o dinheiro do investidor é pela venda de recebíveis, como prestações de compras a prazo, faturas, contratos de fornecimento e até cheques pré-datados. Esses créditos a receber (daí o nome recebível) são “empacotados” pelas securitizadoras e transformados em aplicações voltadas aos fundos de pensão e de investimento.

Indústrias ainda resistem à abertura de capital, principalmente no Paraná

Embora a captação de recursos via abertura de capital seja considerada uma das opções mais baratas, muitas indústrias continuam resistindo em negociar suas ações na Bolsa de Valores. Em 2016, apenas uma empresa brasileira abriu seu capital. Este ano, de janeiro até a primeira quinzena de setembro, dez companhias lançaram ações na BM&FBovespa, porém nenhuma do setor industrial. Com a venda de ações, essas empresas conseguiram captar R$ 24,1 bilhões. Não se pode esquecer, que o Ibovespa atingiu neste mês de setembro o maior índice de toda a sua história ao ultrapassar a casa de 75 mil pontos. A expectativa do mercado é que se a economia brasileira não registrar grandes percalços poderá chegar aos 85 mil pontos até o final do ano e saltar para os 95 mil pontos caso Lula não saia candidato à presidência da República.

Segundo o proprietário da Geld Group, Mario Candido Neto, existe uma cultura pouco disseminada para a abertura de capital no Brasil e, principalmente, no Paraná, onde a maioria das empresas são familiares. “Não é ruim ser uma empresa familiar. A Cargill, por exemplo, que é a maior empresa de alimentos do mundo, é familiar. Nos Estados Unidos, a Ford é uma empresa familiar. Existem grandes empresas que são familiares, mas profissionalizaram sua gestão. A Siderúrgica Gerdau e a Gerdau Metalúrgica depois de 50 anos de gestão familiar anunciaram no mês passado uma mudança de gestão, com os membros da família controladora se afastando da direção e ficarão apenas nos conselhos de administração ”, completa.

De um universo de mais de 21 milhões de empresas ativas no Brasil, apenas 302 são de capital aberto e negociam ações em Bolsa. No Paraná, este número é inexpressivo. Menos de dez empresas em atividade no estado estão listadas na BM&FBovespa, sendo somente duas do setor industrial. Em 2015, três empresas (Café Cacique, Iguaçu Café e Cia Providência) optaram por realizar ofertas públicas de aquisição de ações (OPA) e, com isso, registraram o cancelamento dos seus registros em bolsa. O consolo é que duas empresas paranaenses (uma do setor industrial e outra da área de serviços), com faturamento superior a R$ 300 milhões/ano, estão em processo de abertura de capital. O nome dessas companhias ainda não pode ser revelado.

Mario Neto chama a atenção para o fato de que os preços das ações brasileiras continuam baratos e, portanto, há grandes oportunidades em bolsa.

É preciso inovar para produzir mais e com custos menores

Mineração São Judas aguarda aprovação de financiamento do BRDE.

Desenvolver novos produtos e serviços ou aprimorar aqueles já existentes é uma necessidade para as empresas, independentemente do setor de atuação ou porte, principalmente neste momento em que as indústrias estão substituindo produtos mais sofisticados e de maior valor por outros mais simples e mais baratos. Para as indústrias que querem investir na inovação de produtos, de processos, de organizações e de marketing, mas não têm recursos suficientes, existem linhas específicas de crédito. No Paraná, o BRDE é agente financeiro credenciado pela FINEP para operar os recursos do Inovacred. Atualmente, o banco é o líder nacional em repasses da FINEP. Só no primeiro semestre deste ano foram contratados R$ 43,1 milhões em financiamentos pelas linhas MPME Inovadora (Micro e Pequena Empresa Inovadora), Inovagro (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária) e Inovacred (Finep).

Os valores financiados pelo BRDE através do Inovacred variam de R$ 150 mil a R$ 3 milhões para micro e pequenas empresas e de R$ 150 mil a R$ 10 milhões, para empresas de médio porte, podendo chegar a 90% do valor do projeto, no caso de microempresas, e 80% para pequenas e médias empresas.

O diretor-presidente da Mineração São Judas, Fábio Pires Leal, aguarda para ainda este mês a aprovação de um financiamento do BRDE para abrir uma indústria de beneficiamento de calcitas brancas, matéria-prima utilizada pelas indústrias de papel, cerâmica, moveleira, tinta imobiliária e borracha, no município de Sengés, no Paraná. A nova indústria receberá investimento de R$ 4,5 milhões, sendo que R$ 3,7 milhões serão financiados pelo BRDE.

Segundo Fábio Leal, no Brasil, há somente duas firmas que desenvolvem as calcitas de alta alvura e vendem a todos os fabricantes de papéis e cartões, pelo beneficiamento de minérios de calcário calcíticos puros vindos do exterior (Itália, Grécia ou Tanzânia) ou trazidos de jazidas de calcitas brancas silicosas existentes somente em Cachoeiro de Itapemirim no Estado de Espirito Santo, que sofrem também beneficiamento por flotação.

Assim sendo, o desenvolvimento de inovação nas técnicas de lavra mineral assim como o beneficiamento incluindo a flotação dos filitos com produto químico inovador dos calcários calcíticos da Mineração São Judas, em Sengés, trarão vantagens não somente para o Estado do Paraná que é o maior produtor de cartões do Brasil e grande produtor de papéis brancos, mas também aos Estados de Santa Catarina a Rio Grande do Sul. Estas vantagens se dão pela localização das Minas da São Judas. O presidente da indústria explica que o beneficiamento trará economia de frete rodoviário superior a R$ 200 por tonelada de calcita branca, comparado aos produtos das únicas fabricantes no Brasil. A nova fábrica deverá gerar 30 empregos diretos.

Investidor-Anjo é uma opção rápida e barata

Buscar investimento através de investidor-anjo é também uma das alternativas rápidas e baratas de se conseguir crédito. É uma solução positiva, pois o investidor não vai apenas injetar dinheiro na empresa, mas contribuirá também com conhecimento do mercado.

Entretanto, o industrial deve ter consciência de que haverá uma cobrança e participação nos lucros por parte do investidor-anjo. No momento em que o investidor coloca capital na empresa, já existe uma data pré-estabelecida para saída do mesmo, geralmente acordado em contrato. O período de atuação do investidor-anjo na empresa vai depender da negociação entre empreendedor/investidor, explica Fábio Yamamoto, sócio da Tiex, empresa de consultoria e gestão financeira.

Exportar é a solução para crescer enquanto o mercado interno não reage

Fábrica da Berneck em Araucária. Indústria aumenta o faturamento com o mercado externo.

A indústria paranaense de painéis e madeira serrada Berneck S.A., que é uma das dez maiores exportadoras de madeira do Brasil, encontrou no mercado internacional uma forma de continuar crescendo, enquanto a economia interna continua retraído. Em 2015, 20% da sua produção era destinada ao mercado internacional. Hoje, 38% do faturamento vem das exportações, informa o diretor Industrial de Madeira e de Comércio Internacional, Fernando Gnoato, que não vê qualquer melhora para o setor no Brasil antes de 2019.

Este ano, a Berneck recebeu o Prêmio Valor 1000 pelo melhor desempenho entre as empresas do setor de Construção e Decoração. É a 3ª vez que a companhia, com matriz no município de Araucária, conquista o primeiro lugar na premiação do jornal Valor Econômico, que aponta as empresas com os melhores indicadores em 25 setores da economia, entre as 1.000 maiores empresas do Brasil.

Gnoato destaca que desde 2012, a Berneck vem operando com uma unidade fabril na cidade catarinense de Curitibanos, que recebeu investimento de R$ 1 bilhão, sendo que 85% dos recursos foram provenientes de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Toda a produção da fábrica em Santa Catarina é destinada à exportação.

Na opinião do diretor da Berneck, para o crescimento das empresas nacionais faltam linhas de financiamento, além do que a burocracia é muito grande. Segundo o executivo, hoje está mais fácil conseguir recursos no exterior e com taxas bem menores do que as praticadas no mercado interno.

Quando se fala em crescer, Gnoato reconhece que os empresários enquanto não sentirem segurança e confiança dificilmente vão ampliar os seus negócios

Diante de todo esse quadro, o que se pode concluir é que se a dor do crescimento é inevitável, não crescer pode significar sumir do mercado no longo prazo, então minimizar essa dor engloba ter uma visão clara de futuro, fazer escolhas de como será feito o investimento, tomar decisões no tempo certo e ter jogo de cintura para corrigir o planejamento.

Saída para famílias endividadas é fazer contas e buscar melhores taxas de juros do mercado

creditoDados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que atualmente 63% das famílias brasileiras estão endividadas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoal, prestações de carro e seguros. O maior percentual de débito envolve cartões de crédito (76%), seguido de carnês (20%) e financiamento de carro (12%), enquanto o período de endividamento chega a seis meses, comprometendo cerca de 30% da renda familiar. De acordo com o diretor geral do Conglomerado Financeiro Barigüi, Rodrigo Pinheiro, “a situação é preocupante, porque está afetando o consumo das famílias e, consequentemente, a cadeia produtiva”.

Segundo ele, a maioria dos brasileiros não analisa previamente o valor pago com taxas de juros ao mercado antes da contratação das dívidas e não faz o “dever de casa” para se planejar. O pensamento de que basta caber no bolso para fechar negócio já está ultrapassado. Por conta disso, o Conglomerado Financeiro Barigüi lançou um simulador online que possibilita ao consumidor comparar diferentes produtos e suas taxas médias. Assim, é possível simular os valores atuais pagos em modalidades mais usuais pelo brasileiro, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, verificando o montante estimado a ser pago mensalmente.

Pinheiro aponta que uma das saídas para o endividamento é buscar ofertas de crédito com menores taxas de juros e prazos mais longos, que já estão disponíveis no mercado. “O crédito imobiliário, que tende a crescer no país nos próximos anos, é uma opção viável. O consumidor faz o imóvel quitado trabalhar a seu favor, deixando-o como garantia. Com isso, além de ter acesso a um prazo maior para pagamento das dívidas de até dez anos, o consumidor reduz as parcelas a pelo menos um terço do que nas modalidades de cartão de crédito ou cheque especial”, esclarece ele. O simulador pode ser acessado através do endereço: www.SimuladorInteligente.com.br

Abertura do mercado de cartões aumenta concorrência e reduz taxas

cartao-creditoEstudo realizado pela Dextron Management Consulting, consultoria focada em projetos de Estratégia e Organização, mostra que o setor de cartões de crédito e débito está mais competitivo após o fim dos contratos de exclusividade entre Cielo e Visa, Redecard e Mastercard, ocorrido em 2010. Prova disso é que novas credenciadoras, em parceria com grandes bancos do País, entraram neste mercado desde então, ampliando a concorrência e contribuindo para reduzir em mais de 7% as taxas de desconto cobradas dos estabelecimentos comerciais, que agora giram em torno de 2,78% a 2,81%.

“Antes, os estabelecimentos eram forçados a possuir tanto a máquina da Cielo como da Redecard, caso quisessem aceitar cartões das duas principais bandeiras, Visa e Mastercard. Agora, basta optar por uma delas”, explica Bruno Furlan, consultor da Dextron responsável pelo levantamento, ao destacar que o fim da exclusividade não só permitiu a entrada de novos players como também estimulou a concorrência entre Cielo e Redecard, aumentando o poder de negociação do comércio.

Furlan conta que hoje o mercado brasileiro dispõe de quatro outras credenciadoras além da Cielo, que tem participação do Banco do Brasil e do Bradesco, e da Redecard, da qual o Itaú Unibanco é sócio. A principal delas é a GetNet, que mantém parceria com o Santander desde julho de 2010 e conquistou 4,4% de market share no quarto trimestre de 2012, o equivalente a mais de R$ 31 bilhões em transações no ano. Sétima maior credenciadora dos Estados Unidos, a Elavon firmou uma joint venture com o Citi e vem operando no Brasil desde fevereiro de 2012.

Já a Banricompras, criada pelo Banrisul, tem como foco de atuação os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto a americana Global Payments, parceria do Banco de Brasília, deve começar a atuar na região Centro-Oeste no segundo semestre deste ano. “São poucos os bancos comerciais que ainda não estabeleceram relação com uma credenciadora. Estes detêm apenas 2,7% do total de 185 milhões de clientes bancários do País”, acrescenta o consultor da Dextron.

O consultor ressalta que a taxa de aluguel de equipamentos, que chegou a cair 10%, voltou a subir aos patamares anteriores, o que não foi suficiente para compensar a queda na taxa de desconto. A pesquisa aponta ainda que 80% da receita dos credenciadores vêm das taxas de desconto cobradas dos estabelecimentos comerciais, enquanto o aluguel de equipamentos e serviços de conectividade responde por 11,8%. No que diz respeito às despesas, as taxas de intercâmbio pagas aos bancos emissores representam mais de 55%. “A queda significativa nas taxas cobradas do comércio impactou o EBITDA dos credenciadores, que caiu 21,9%, no caso da Cielo, e 17,1%, na Redecard. Mesmo assim, as duas mantiveram margem EBITDA superior a 50% da receita líquida”, observa Furlan.

Ao analisar os bancos emissores de cartões de crédito e débito, a Dextron constatou que mais da metade da receita dessas instituições vem dos juros cobrados dos clientes, ao passo que as tarifas de intercâmbio e ao portador contribuem com 22%. Por outro lado, a inadimplência representa quase 35% das despesas.

Em 2012, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), estima que o setor de cartões no Brasil tenha faturado R$ 813 bilhões, um crescimento de mais de 21% em relação ao ano anterior. Ainda de acordo com a entidade, o cartão ganhou ainda mais espaço como meio de pagamento e, em 2011, já respondia por 26,8% do consumo privado no Brasil, o que representa aumento de 2,5% se comparado a 2010.