Empresas reafirmam compromisso com a moratória da soja
Enquanto a cerimônia acontecia no Brasil, na Europa a Amazon Alliance – grupo internacional formado por empresas consumidoras de soja brasileira, como McDonald’s, Carrefour e Tesco – divulgava nota reafirmando seu compromisso com o desmatamento zero. No comunicado, as companhias se disseram preocupadas com as alterações propostas no Código Florestal, já que uma das razões pelas quais a moratória da soja é bem-sucedida reside no fato de que ela é mais ambiciosa que a legalidade – mirando o desmatamento zeroâ€.
A renovação da moratória e o comunicado da Amazon Alliance mostram que existe um setor do agronegócio brasileiro capaz de crescer sem derrubar mais floresta. Mas, enquanto isso, no Congresso e no campo, tem gente que ainda prefere um modelo de produção atrasado e predatórioâ€, diz o diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario. Prova disso está nas taxas de desmatamento, que após dois anos de queda voltaram a crescer, na esteira das promessas de anistia a quem cometeu crimes ambientais discutidas no Congresso.
O Mato Grosso, onde predomina a produção de soja, retomou a posição de estado que mais derruba floresta em 2011. Segundo uma análise feita pelo Greenpeace, esse avanço ocorreu principalmente em áreas agícolas, com um aumento de 46% das derrubadas. Se forem levados em conta apenas os municípios da moratória no estado, o crescimento é ainda maior: 58% de um ano para o outro. O número de casos vem crescendo em ritmo preocupante, e esse aumento no Mato Grosso colocará, em um ou dois anos, muito mais soja de desmatamento no mercado. A moratória nunca foi tão importanteâ€, afirma Adario.
O mercado não precisa derrubar mais, e os resultados do setor falam por si. A produção de soja no Brasil só cresceu nos últimos anos, assim como na Amazônia Legal. Na região, a previsão para o peíodo 2009/2010 é de quase 21,8 milhões de toneladas de grão, enquanto a estimativa para o peíodo 2010/2011 é de 23,9 milhões, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em todas as regiões do país a produtividade aumentou.
Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a cadeia produtiva da soja está se adaptando a novos requisitos dos mercados internacionais, que estão exigindo cada vez mais produtos certificados. Os resultados são promissores, mas os desafios para se avançar na direção de uma agenda ambiental ainda são muito grandesâ€, afirma.








