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Cartões de loja crescerão 90% até 2015

O Brasil, a maior economia da América Latina, é um exemplo de como a estabilidade econômica é um propulsor básico do aumento do crédito ao consumidor. Essa é uma das conclusões do estudo Consumer Credit in Latin America: Trends and Opportunities in Credit and Store Cards”, dos professores Paulo Rocha e Oliveira, Mario Capizzani e Felipe Javier Ramirez Huerta. O estudo foi publicado pelo IESE Business School. A análise ressalta ainda a importá¢ncia que ações do governo brasileiro tiveram para o aumento do crédito imobiliário e para o comércio de automóveis e afirma que ainda existe muito espaço na América Latina para o crescimento dos cartões de loja como um instrumento para a oferta de crédito ao consumidor de baixa renda. O Brasil, onde esse tipo de cartão deve experimentar um crescimento de 90% no peíodo entre 2011 e 2015, é mais uma vez apontado como exemplo.

Os consumidores emergentes da América Latina dependem, com frequência, da disponibilidade de um sistema de crédito ao consumidor para terem acesso a produtos e serviços essenciais”, afirmou Paulo Rocha e Oliveira. Os cartões de crédito e de loja, abrindo a possibilidade do pagamento desses produtos e serviços em prestações mensais, são parte muito importante dessa oferta, acrescentou. O documento também destaca que os cartões de loja parecem ser uma evolução dos antigos carnês de loja, uma iniciativa na qual o Brasil foi pioneiro. Esse sistema tornou possível aos varejistas oferecerem crédito a largas parcelas da população de baixa renda, sem acesso aos serviços bancários tradicionais. As próprias lojas, nesses casos, providenciavam o crédito para o consumidor. Esse sistema serviu como ponto de partida para a modernização representada pelos atuais cartões de loja”, explica Oliveira.

As melhores condições para o consumidor, por outro lado, estão atraindo o interesse das instituições bancárias para esse mercado. Isso se reflete em uma migração dos varejistas na direção dos cartões cobranded”, nos quais eles se associam a instituições bancárias para a oferta do crédito ao consumidor. O documento assinala uma tendência para que, em muitos casos, os cartões de loja sejam substituídos por cartões cobranded, emitidos em conjunto pelo varejista e por um banco.

Um exemplo está ocorrendo no México, onde o Banco Walmart lançou um cartão de crédito que oferece descontos de 3% nas compras feitas em lojas afiliadas á  rede Walmart. O caso do México é especial, pois o país foi um dos mais afetados pela crise econômica internacional na região. Espera-se que os volumes de crédito voltem aos patamares de antes dessa crise no fim de 2012. Mas o estudo acredita ser provável que muitos cartões de loja na América Latina se transformem em cartões de crédito, mantendo os benefícios anteriores, mas ganhando uma aceitação mais ampla.

Muitos varejistas também têm diversificado suas ofertas com outros produtos financeiros, como seguros e empréstimos pessoais. No Chile, por exemplo, há uma crescente tendência para permitir o uso de cartões de uma loja em outros estabelecimentos varejistas, além de oferecer aos clientes extras como a oportunidade de aumentar seus créditos no telefone celular.

O grande crescimento previsto para os cartões de loja no Brasil – 90% entre 2011 e 2015 – é, porém, um sinal de que seu uso ainda tem condições de crescer, paralelamente com a diversificação para os cartões de crédito e cobranded. Em resumo, os cartões de loja provavelmente se manterão como uma alternativa mais realista e atraente para o consumidor emergente da América Latina, diante de uma tendência para modelos com base mais ampla nos serviços bancários para o crédito ao consumidor em geral” destaca o professor.

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