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Governo federal anuncia estudos para construção de nova ferrovia ligando o interior a Paranaguá

O diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, anunciou nesta segunda-feira (5), na sede da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), que o governo federal vai realizar estudos de viabilidade para a construção de uma nova ferrovia ligando o interior do Paraná ao porto de Paranaguá. Segundo Figueiredo, a expectativa da EPL, estatal criada pelo governo federal em agosto para gerenciar os projetos de infraestrutura, é que a obra comece a ser executada em 2014. O anúncio atende a uma reivindicação do setor produtivo paranaense e foi feito durante reunião do Fórum Permanente Futuro 10 Paraná, que congrega as principais entidades representativas do Estado. O encontro reuniu representantes da iniciativa privada, governo estadual e parlamentares da bancada paranaense no Congresso Nacional.

Figueiredo explicou que a construção de uma nova ferrovia no Paraná sempre esteve nos planos do governo, apesar de o projeto não ter aparecido entre os apresentados no lançamento do Plano de Investimentos em Logística, anunciado há três meses. O governo nunca teve dúvidas e não precisa ser convencido de que precisamos fazer uma ligação moderna com Paranaguá. Mas como não tivemos a oportunidade de fechar com o governo do Paraná alternativas de acesso a Paranaguá, não detalhamos isso no lançamento do nosso programa de investimentos”, disse. Agora temos uma situação boa de alinhamento, uma converência de todo mundo em torno dos mesmos projetos”, acrescentou.

Para o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o anúncio de Figueiredo é uma vitória para o Paraná, que desde agosto trabalha para incluir a obra nos planos de investimentos federais. As entidades do setor produtivo do estado perceberam que não podiam perder tempo e, através do Fórum Futuro 10, agiram rápido para defender os interesses do Paraná”, declarou. Agora, esse anúncio nos dá a expectativa de que, em breve, teremos os estudos, projetos e a licitação para a construção desse importante modal, que com certeza vai diminuir o Custo Paraná, tornando o nosso produto mais competitivo dentro e fora do Brasil”, acrescentou.

Campagnolo ressaltou que a nova ferrovia vai potencializar o transporte até o porto de Paranaguá. Pela ferrovia atual, construída no final do século 19, os trens descem a Serra do Mar a uma velocidade de 15 km/h. Além disso, os trilhos comportam composições de no máximo 40 vagões. O novo ramal possibilitará uma velocidade de descida quatro vezes maior, passando para 60 km/h, além de suportar composições com 80 vagões.

O diretor-presidente da EPL classificou a reunião do Fórum Futuro 10 na Fiep como o primeiro dia de trabalho” para implantação da nova ferrovia que vai ligar Cascavel a Paranaguá. Segundo ele, a Valec, empresa ligada ao Ministério dos Transportes responsável pelos projetos de ferrovias, está finalizando o termo de referência para contratação dos estudos de viabilidade para esse trecho. Terminado o estudo, o governo federal quer imediatamente elaborar o projeto de engenharia para, na sequencia, iniciar a obra. Estamos trabalhando para que no final do segundo semestre do ano que vem tenhamos o projeto em condições de ser licitado para implantação. A orientação é de trabalhar para que esse projeto tenha condição de começar a ser implantado a partir de 2014, já com a execução”, explicou. Atualmente, a Valec já trabalha no processo de contratação dos estudos de outro trecho da mesma ferrovia, que ligará Cascavel a Maracaju (MS).

Bernardo Figueiredo afirmou, no entanto, que o sucesso do projeto depende da busca por soluções para duas questões consideradas fundamentais. Uma delas é a sustentabilidade ambiental. O primeiro passo objetivo é pacificar com os órgãos ambientais, como o Ibama e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, de que esse novo traçado é viável do ponto de vista ambiental. Essa é uma questão delicada, mas parece que o Paraná já evoluiu, com uma proposta de traçado que aparentemente pacifica essa questão”, afirmou, referindo-se ao trecho da ferrovia que passará pela Serra do Mar.

O segundo entrave é a integração da Ferroeste ao novo modelo de gestão das ferrovias que será implantado pelo governo federal. Empresa de economia mista que tem como maior acionista o governo do Paraná, a Ferroeste é hoje a responsável pela administração do trecho ferroviário entre Cascavel e Guarapuava. No governo federal, estamos traçando quais são as alternativas. Vamos elencar as possibilidades e o governo estadual vai definir qual é a que se enquadra melhor”, afirmou Figueiredo. O que não podemos é deixar de fazer essa ferrovia dentro do novo modelo, que é uma ferrovia aberta a qualquer tipo de usuário e com ambiente competitivo na prestação de serviço”, completou.

Na reunião do Fórum Futuro 10, Bernardo Figueiredo explicou ainda que outro projeto de interesse do Estado, o traçado do trecho paranaense da ferrovia Norte-Sul, deverá ser analisado em um segundo momento. De acordo com ele, o traçado da ferrovia que ligará Cascavel ao Rio Grande do Sul, passando por Chapecó (SC), já está definido. Mas a ligação entre Cascavel e Panorama (SP), reivindicada pelo setor produtivo paranaense, ainda depende de avaliação. Precisamos estudá-la melhor. Já existe uma ferrovia que atende o Norte do Paraná. Temos que explorar as possibilidades de melhorar essa ferrovia antes de pensarmos em uma ferrovia nova”, justificou.

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