Mercado de fusões e aquisições inicia 2016 em ritmo desacelerado
O ano começa com uma desaceleração ainda maior no mercado de fusões e aquisições do Brasil, o que reflete as incertezas econômicas e políticas do país. Foram registradas 51 transações em janeiro, o menor volume registrado desde 2009 e uma queda de 15% em relação ao mesmo período de 2015 (60 transações). É o que aponta a mais recente pesquisa de Mergers and Acquisitions (M&A) produzida pela PwC Brasil. O estudo acompanha mensalmente a estratégia empresarial, finanças corporativas e gestão de compra, venda e dividendos de ações.
O patamar do primeiro mês de 2016 está 11% abaixo da média de 57 transações verificada nos últimos seis anos. Em linhas gerais, os indicadores retratam a cautela do investidor em relação ao mercado do país. Mostram ainda um agravamento da tendência registrada em 2015, quando os efeitos da desaceleração da economia do Brasil e global ocasionaram uma redução nas transações a partir do 2º semestre de ano. Como resultado, no acumulado do ano, houve queda de 16% no volume total comparado a 2014. A expectativa é de que o quadro permaneça e se torne mais agudo no ano que começa.
Do ponto de vista regional, os investidores ainda concentram as apostas no Sudeste, um mercado mais “maduro” em relação às outras regiões. Mas não com a mesma intensidade registrada em 2015, quando a região se manteve praticamente estável próxima ao recorde histórico de 75% de participação no mercado. As 32 transações no Sudeste representam 63% do volume total no país em janeiro, uma redução de 12 pontos percentuais. Houve retração no volume em relação às 39 fusões e aquisições pesquisadas no mesmo mês de 2015.
Na região Sul, foram contabilizadas oito negociações (15% do total no Brasil), oscilação positiva em relação às seis fechadas em janeiro de 2015. O Nordeste também conseguiu incrementar sua participação, ampliando a fatia de 4% em média, no segundo semestre de 2015, para 10% – um incremento de seis pontos percentuais. O Centro-Oeste, outra região beneficiada pela desconcentração atual, representou 6% das operações, contra 3% no fechamento de 2015. Já o Norte não teve operações anunciadas no início do ano.
Praticamente não foram registradas mudanças na preferência do investidor do ponto de vista setorial. A área de tecnologia da informação (TI) sustenta o primeiro lugar, num movimento semelhante ao pesquisado em 2015 e 2014. O segmento representa 18% do volume total de transações em janeiro e tem todas as condições para se manter na dianteira, embora com um fôlego menor. Foram nove transações no período, 40% a menos que em janeiro de 2015.
O setor de serviços auxiliares (14%) vem em segundo lugar, com um incremento de três transações em janeiro de 2015 para sete. Na sequência, aparece a cadeia de alimentos – aumento de três para cinco transações – com 10% do total transacionado no mês.
Com a manutenção da valorização do dólar em relação ao real, a previsão é de que as empresas estrangeiras se mantenham à frente nas operações em território brasileiro. Para os investidores externos, a oportunidade está diretamente relacionada à redução no valor a ser aportado no curto prazo e à expectativa de melhoria da economia no médio prazo, o que torna atrativa a compra de ativos no Brasil.
Nesse cenário, as empresas estrangeiras responderam por 55% das transações realizadas em janeiro e estiveram presentes em 26 fusões e aquisições no país, 21% a menos do que no mesmo mês de 2015. Nesse início de ano, os principais países que investiram em M&A no Brasil foram EUA (oito transações) e, empatados com cinco operações cada, Reino Unido e França. Vale ressaltar que, durante o ano de 2015, investidores externos estiveram à frente dos nacionais no interesse em ativos brasileiros por oito meses, como reflexo do atual momento da economia brasileira.








