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Profissionais com curso técnico ganham, em média, 17,7% a mais

Em um momento em que o Brasil registra taxas elevadas de desemprego, o ensino técnico profissional tem não apenas ampliado a chance de jovens conseguirem uma vaga no mercado de trabalho, mas também de terem melhores remunerações. Estudo Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), com base em dados do IBGE, mostra que profissionais que realizam cursos técnicos têm um acréscimo na renda de 17,7%, em média, quando comparado a pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio.

Os números revelam que esse ganho é maior para profissionais do Nordeste. Na região, profissionais com cursos técnicos recebem, em média, 21,7% a mais que os que concluíram o ensino médio. No Norte e no Centro-Oeste, esse acréscimo é de 21,4%. No Sul e no Sudeste, de 15,1%.

Pesquisa do Sistema Indústria revela ainda que 64,5% dos trabalhadores que realizam cursos técnicos no SENAI, ao procurarem emprego, conseguem uma colocação em até 12 meses. Na avaliação de especialistas, esse número é significativo porque cerca de 80% dos alunos da instituição são das classes C, D e E.

“Em inúmeros casos, [essa formação] é a oportunidade da vida dessas crianças”, analisa Victor Teles, gerente-executivo da Festo Didactics, empresa de treinamento e consultoria do segmento industrial. Ele considera que, por meio de instituições como o SENAI e o Serviço Social da Indústria (SESI), jovens de baixa renda encontram, muitas vezes, o nível de ensino com o qual suas famílias jamais poderiam arcar.

Da informalidade ao negócio próprio

Quem teve uma oportunidade de capacitação e crescimento profissional foi a empresária de Palmas (TO) Sonja Pereira de Souza, de 34 anos. Ela saiu da informalidade após cursos técnicos e práticos nas áreas de pintura e textura, oratória, atendimento ao público, segurança do trabalho e leitura de projetos – todos feitos no SESI ou no SENAI.

Atualmente, Sonja tem o próprio negócio: uma empresa especializada em pintura, gráfica e comunicação visual. Para ela, as capacitações foram fundamentais para conquistar clientes e oferecer os melhores serviços.

“Eu não conseguiria descrever todas as coisas e as melhorias que a minha vida teve [depois dos cursos]. São muitas melhorias e em períodos diferentes. À medida que você vai amadurecendo, as oportunidades que você tem, você vai todo o dia agregando coisas que você aprendeu”, afirma a empresária.

“Soft skills”

Segundo Sonja, o seu aprendizado foi muito além da técnica. Ele impactou desde a apresentação de seu trabalho até a sua habilidade administrar sua vida pessoal.

“Aprendi a competir: como apresentar meu trabalho, trabalhar de forma mais responsável, ter mais qualidade no meu serviço, como formar um preço competitivo. Então, além de aprender a administrar melhor a minha empresa, consegui muitas coisas na minha vida pessoal. E foi só depois que eu fiz os cursos que eu consegui abrir o olho para ver, realmente, como as coisas funcionam”, afirma.

Pesquisa do SENAI mostra que empresas industriais dão uma nota de 8,7 – numa escala que varia de 0 a 10 – para técnicos formados na instituição no que diz respeito à sua capacidade de atuar nos processos de trabalho.

Em relação à avaliação das capacidades não cognitivas, a nota é semelhante. Por exemplo, egressos do SENAI recebem uma pontuação de 8,7 no que diz respeito à “flexibilidade para lidar com mudanças” e de 8,9 na de “trabalhar em equipe”.

Desempenho em português e matemática

Dados do Sistema Indústria mostram também que alunos do SESI têm melhores desempenhos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O estudo “O Desempenho da Rede SESI e das demais redes de ensino”, liderado pelo coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes, revela que, no 5º ano do ensino fundamental, os alunos da Rede SESI apresentaram, em média, resultados semelhantes aos alunos da rede federal e superiores aos alunos das escolas municipais, estaduais e privadas do Brasil. O resultado diz respeito tanto à disciplina de língua portuguesa quanto de matemática.

Para Menezes, esse resultado está muito ligado à gestão das escolas do SESI. Além disso, ele destaca a qualidade dos professores da instituição. Ao todo, 94% dos docentes da instituição são capacitados anualmente. Mais de 80% do corpo docente participa do processo de gestão e definição das metas.

“É o efeito-escola, a gestão e outros fatores, como possivelmente a qualidade do professor, que estão fazendo a diferença para que as escolas Sesi consigam ter resultado melhor comparando alunos com a mesma escolaridade da mãe”, afirma o pesquisador.A seu ver, as escolas do Sesi deveriam servir de modelo para o ensino público.“Se a gente puder aprender com as experiências exitosas e utilizá-las nas escolas públicas do Brasil, isso vai ser muito importante no país”, afirma.

Anualmente, o SESI realiza 1,1 milhão de matrículas em educação básica, continuada e ações educativas. Ao todo, 3,5 milhões são beneficiadas anualmente com serviços de saúde e segurança da instituição. São 501 escolas, 114 unidades de vida saudável e 553 unidades móveis em todo o Brasil.

Juliana Gonçalves

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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