Mudanças climáticas exigem que Brasil adote sistema alimentar mais resiliente

Mudanças climáticas exigem que Brasil adote sistema alimentar mais resiliente

Foto: Pixabay

El Niño, safras prejudicadas e mais desastres climáticos são esperados em 2024

O relatório “World Economic Situation and Prospects” de 2024 da Organização das Nações Unidas (ONU) destacou os efeitos das mudanças climáticas, numa perspectiva alarmante. Condições meteorológicas extremas, desastres climáticos e o avanço do fenômeno El Niño representam um risco significativo para o crescimento econômico e a segurança alimentar no Brasil e demais países da América Latina, Ásia e África.

“A produção de alimentos depende de condições climáticas adequadas e as previsões da ONU indicam uma crise iminente para a agricultura. Neste contexto, o Sul Global é a região menos equipada para gerir as perdas econômicas, a insegurança alimentar e a subnutrição. Pedimos que governos e instituições financeiras mudem urgentemente o sistema alimentar para que se torne mais sustentável e eficiente para proteger os países mais vulneráveis”, explica Cristina Diniz, diretora da Sinergia Animal Brasil, uma organização internacional de proteção animal que promove escolhas alimentares sustentáveis e compassivas na América Latina e em países do Sudeste Asiático.

Nas previsões da ONU, as mudanças climáticas representam uma ruptura duradoura na estrutura produtiva da América Latina e no Caribe. A alta nas temperaturas, o aumento das secas e as ocorrências climáticas extremas, como furacões e tempestades, podem afetar gravemente a agricultura e o turismo, contribuindo para a diminuição da produtividade laboral e rápida redução das reservas de capital.

Tornando o problema visível

Para a Sinergia Animal, a crise climática também provém de um sistema alimentar inadequado que depende de proteínas animais, os principais emissores de CO2 e de gases do efeito estufa dentre a produção de alimentos.

A pecuária e a piscicultura são responsáveis por 61% das emissões do setor agrícola — sem considerar as cadeias de abastecimento — e fornecem apenas 37% das proteínas e 18% das calorias consumidas no mundo.

“Essa ineficiência também está relacionada à fome e às desigualdades sociais. Estudos proeminentes e organizações internacionais como a OMS já concluíram que devemos mudar para uma alimentação mais baseada em vegetais. Esse modelo de alimentação se alinha com os objetivos climáticos e nutricionais, além de promover uma relação mais compassiva com outras espécies”, afirma Cristina.

Financiando e promovendo soluções reais

A COP28 fez história ao incluir a transformação do sistema alimentar na “Declaração dos EAU sobre Agricultura Sustentável, Sistemas Alimentares Resilientes e Ação Climática”. Os governos reconheceram a necessidade de ajudar os agricultores a se adaptarem às mudanças climáticas e comprometerem-se a reduzir as emissões de origem agrícolas em seus países. No entanto, a redução do número de animais criados para consumo e a mitigação dos impactos da pecuária não foram incorporadas.

“Esperamos que essa discussão seja priorizada. Os bancos de desenvolvimento e as instituições financeiras devem desinvestir na agricultura industrial e financiar sistemas agroalimentares resilientes. Os governos do mundo todo devem considerar a tomada de ações concretas, como o plano estabelecido recentemente pela Dinamarca, para aumentar a produção de alimentos à base de plantas. A Sinergia Animal irá reforçar esses esforços para garantir um futuro sustentável e mais compassivo para todos”, conclui Cristina Diniz.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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