Cartão de crédito: 3 formas de usar e evitar o endividamento

Cartão de crédito: 3 formas de usar e evitar o endividamento

Uso irresponsável do cartão pode levar ao superendividamento

As dívidas podem começar de formas diferentes. Seja por questões de saúde ou crises financeiras, é comum que, em algum momento da vida, as pessoas enfrentem certo nível de endividamento. No entanto, uma tendência recente tem preocupado os especialistas.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em colaboração com a Offerwise, revela que o crédito é a principal causa de endividamento da população brasileira. Mais da metade dos entrevistados não acompanham os gastos mensais feitos com cartão de crédito. Além disso, 80% daqueles que utilizam o crédito rotativo desconhecem a taxa de juros simples e composto cobrada mensalmente.

Para o educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, Fernando Lamounier, isso acontece porque a modalidade é considerada um valor adicional ao orçamento mensal dos brasileiros. “As pessoas vêm utilizando o cartão de crédito para compras do dia a dia e a capacidade de parcelamento levou-as a acreditar que ao dividir uma compra a dívida fica menor, quando na realidade, antecipa as dívidas do próximo mês”, explica em entrevista à imprensa.

Lamounier ainda destaca que o erro do consumidor está em agir impulsivamente, sem considerar a perspectiva de longo prazo da dívida. “A falta de conscientização de finanças na realidade do brasileiro abre brechas para gastos desnecessários”, completa.

A pesquisa da CNDL também mostra que os itens mais adquiridos com o cartão de crédito incluem roupas, calçados e acessórios (58%), seguidos por medicamentos (47%), produtos de supermercado (44%) e eletrodomésticos (43%).

Consequências da dívida de cartão podem ser graves

O uso irresponsável do cartão de crédito pode levar a uma situação de superendividamento, com juros elevados que se acumulam a cada mês. A Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) alerta para que os consumidores tenham cuidado ao usar essa modalidade de pagamento.

Quem não paga a fatura no prazo corre o risco de ter o nome negativado, o que dificulta o acesso a outras modalidades de crédito, como financiamentos e empréstimos. O Serasa Score, que mede a confiabilidade do consumidor, também tende a cair, reduzindo as chances de obter crédito no mercado.

Além das consequências financeiras, o endividamento com o cartão de crédito também pode trazer impactos psicológicos e sociais. Segundo a psicóloga e consultora financeira Ana Paula Hornos, o excesso de dívidas pode gerar ansiedade, estresse, depressão, baixa autoestima e até conflitos familiares.

“Para sair da cilada das dívidas é preciso pedir ajuda, que não vem do modelo recorrente de pedir dinheiro emprestado, mas sim do suporte técnico e principalmente psicológico para mudar o modelo de viver”, aconselha Ana em artigo publicado.

Como usar o cartão de forma inteligente? 

Para aproveitar os benefícios do cartão de crédito sem cair nas armadilhas do endividamento, é preciso seguir algumas recomendações. A seguir, confira três dicas de especialistas e entidades regulamentadoras.

Usar corretamente as ferramentas

A consultora de Meios de Pagamentos da Sicredi, Raquel Pinto Viana Barbosa, destaca que o cartão oferece uma variedade de recursos que, se utilizados de maneira adequada, podem ser vantajosos. Programa de recompensas, segurança nas transações, milhas aéreas, seguros e cashback são alguns desses benefícios.

Barbosa também fala sobre como o cartão pode proporcionar um melhor controle dos gastos. “Pois tudo vem detalhado na fatura e o usuário pode acompanhar de forma online ou mensal como estão suas despesas e onde está concentrando a utilização do cartão”, explica em entrevista à imprensa.

Planejar o orçamento mensal

A Abefin orienta que o consumidor planeje seu orçamento mensal, considerando os gastos fixos e variáveis, as receitas e as reservas para emergências. Assim, é possível controlar melhor os gastos com cartão de crédito.

Para a associação, o principal objetivo é não ultrapassar o limite e comprometer a renda futura. Além disso, recomenda-se acompanhar o extrato do cartão e conferir as compras realizadas com frequência para evitar riscos e aquisições desnecessárias.

Evitar o crédito rotativo

Fernando Lamounier alerta para a modalidade de crédito rotativo, oferecido aos clientes de cartão de crédito que não conseguem pagar a fatura por inteiro. Ele explica que essa opção tem juros muito altos e pode levar ao superendividamento.

“A modalidade deve ser evitada e se caso utilizada não realizar o parcelamento, e sim o pagamento à vista para não correr juros”, conclui.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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