Proibição da venda de produtos de amianto coloca em risco milhares de empregos no Paraná

Um clima de apreensão entre empresários e trabalhadores das três fábricas paranaenses de telhas de amianto crisotila  cerca a audiência pública que  acontecerá na próxima quarta-feira na Assembleia Legislativa. Nesta audiência será discutido o projeto do deputado Luiz Eduardo Cheida,  apresentado no primeiro semestre deste ano, que tem como objetivo proibir no Paraná a utilização do amianto.

No Paraná estão instaladas as três maiores fábricas de telhas de amianto crisotila do Brasil, que são a Eternit, em Colombo, a Multilit, em São José dos Pinhais e a Isdralit,  na Cidade Industrial de Curitiba. Estas três unidades fabris respondem por 35% da produção nacional de telhas e caixas d´água fabricadas pelo mineral. Caso este projeto seja aprovado, as três fábricas paranaenses deixarão de produzir  e  mais de 50 mil trabalhadores da cadeia produtiva ficarão sem emprego.

Projetos que proíbem o uso de telhas de amianto já foram aprovados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Entretanto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria ingressou com Adins para revogar a lei. Enquanto não há uma decisão, a venda destes produtos continua nos 4 estados.

Eu conversei com a presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila, Marina Julia de Aquino (foto), que veio de Goiá¢nia para Curitiba,  pois ela está muito preocupada com o projeto do deputado Cheida. E, principalmente, com a audiência pública, já que nenhum empresário do setor foi convocado para provar cientificamente que é possível trabalhar de forma segura com o amianto, sem provocar qualquer dano á  saúde do trabalhador. A executiva tem pesquisas que mostram que desde 1980 não há qualquer caso de trabalhador no Brasil que tenha adoecido em função do amianto, ao contrário do que era muito comum há 30 anos.

Hoje, o consumo no Brasil do amianto crisotila é de 135 mil toneladas/ano, sendo que a capacidade  instalada é de 300 mil toneladas/ano. De toda a produção nacional, 6% são usados em massas de vedação e 94% em produtos de fibrocimento. Hoje,  52% dos telhados e 80% das caixas  d´água brasileiras são fabricados com cimento amianto.

O setor de telhas de amianto crisotila vem crescendo anualmente, em média,  6% nos últimos cinco anos. Marina de Aquino A representante alerta que se o Brasil proibir a venda deste tipo de telhas pode ocorrer um desabastecimento, já que os materiais alternativos não têm condições de atender a todo o mercado.

Estudos de biopersistência (tempo de permanência da fibra nos pulmões) indicam que o crisotila tem baixo potencial de toxicidade, pois o núcleo da sua molécula é composto por magnésio, o que a torna biossolúvel. Esses dados confirmados pelo médico toxicologista suíço, David Bernstein, demonstram que a biopersistência média do crisotila brasileiro é de 1, 3 a 2,4 dias no tecido pulmonar, muito inferior á  biopersistência de outras fibras industriais. Vale lembrar que a composição do fibrocimento crisotila se dá por 90% de cimento/calcário, 2% celulose (jornais reciclados), 8% de amianto e água.

Soma

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