Receita de clubes da série A cresce apenas 1% em 3 anos

Receita de clubes da série A cresce apenas 1% em 3 anos

Receita em euros com negociação de atletas para o exterior tem queda de 37,5%

A receita de clubes da série A do futebol brasileiro cresceu apenas 1% nos últimos 3 anos. Esse é um entre milhares de outros dados que constam em relatório inédito elaborado pela XP, pioneira no Brasil na assessoria financeira para clubes de futebol se tornarem empresas (SAFs), e a consultoria Convocados, especializada na cobertura da indústria do futebol. Lançado nesta terça-feira, o Relatório Convocados XP: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro traz um raio-x das finanças dos clubes, características dos torcedores e o mercado consumidor, com dados inéditos sobre o momento de transformação pela qual o esporte passa no país e os impactos da pandemia.

“O relatório traz, entre outras informações, um diagnóstico das finanças dos principais clubes do país. Apesar de recente, esperamos que a Lei da SAFs melhore o panorama geral consideravelmente já num curto espaço de tempo, com mais clubes aderindo ao modelo de negócios com investidores privados. Não tenho dúvida de que teremos clubes ainda mais fortes, com maior capacidade de investimento e torcedores cada vez mais engajados com seus times”, diz Guilherme Ávila, sócio e responsável por Esportes no Banco de Investimento da XP.

O Relatório Convocados mostra que as receitas totais da Série A fecharam a temporada em R$6,6 bi, crescimento de 1% em relação a 2019, último ano antes da pandemia. Sob a ótica das receitas recorrentes – que excluem as negociações de atletas – a principal divisão do futebol brasileiro fez R$5,8 bilhões em receitas, crescimento de 8,7% sobre 2019. O valor, apesar de ser um sinal positivo por indicar crescimento, também é um alerta aos clubes: as receitas com negociação de atletas estão mudando e cada vez menos serão a tábua de salvação para aqueles em dificuldades.

“O ano de 2021 no futebol brasileiro foi marcado pela confirmação de que a pirâmide competitiva mudou. A ideia de que temos 12 clubes grandes e prontos a competir pelo título ficou para trás. Números e desempenho não deixam dúvidas. No ano passado tivemos Botafogo, Cruzeiro e Vasco disputando a Série B. Ao final da temporada vimos apenas um deles retornar, mas também a queda de Bahia, Grêmio e Sport Recife. Méritos dos que permaneceram e alerta de que não basta mais a história. É fundamental ser eficiente hoje”, afirma César Grafietti, sócio do Convocados. 

Ao final de 2021, 672 clubes disputavam alguma divisão profissional, crescimento de 17% sobre 2020 e 5% sobre 2019. Com a possibilidade da SAF, a tendência indicada pelo Relatório é a chegada aos campos de novos clubes, sem dívidas, e com visão de negócios.

Paixão nacional

O torcedor brasileiro segue apaixonado por futebol: 75% das pessoas têm no futebol seu esporte favorito. E o Brasileirão segue sendo a competição mais amada, sendo preferida por 60% dos torcedores. Libertadores (com 58%) e Copa do Brasil (57%) também são objetos de interesse.

Fontes de receita

xp convocados.jpegOs Direitos de Transmissão seguem como carro-chefe das receitas dos clubes, com 53% do total. Os dados de 2021, no entanto, refletem receitas com comportamento errático por conta da ausência de público nos estádios e da postergação das competições. Ainda sobre Transmissão, 34% dos torcedores assinaram algum serviço de streaming para acompanhar esportes em 2021, reforçando a tese de que é mais uma fonte potencial de receitas para os clubes.

As receitas com Publicidade e Marketing atingiram 16% do total, passando de 1,4% do investimento publicitário no Brasil em 2020 para 2% em 2021. “Quando o trabalho é bem-feito, o futebol atrai o parceiro certo e pode impulsionar negócios. No ano passado, 72% dos torcedores disseram conhecer os patrocinadores da camisa dos seus clubes. Entretanto, fica claro que a lembrança é maior quanto menos patrocinadores, o que é algo para os clubes terem em mente na hora de trabalharem suas marcas”, aponta Grafietti.

Já as receitas com Negociação de Atletas representaram 18% do total. Esta linha já foi mais relevante no passado e vem perdendo espaço porque os clubes europeus estão mudando a forma de operar, contratando atletas mais jovens, em formação, e investindo menos. A receita total com negociações de atletas, que foi de 293 milhões de euros em 2019, caiu para 183 milhões de euros em 2021 – uma queda de 37,5%. A depreciação do real frente ao euro no período, porém, atenuou essa redução (de R$ 1,48 bilhão para R$ 1,15 bi).

Dívidas

Sem crescimento de receitas, os clubes precisam controlar custos. E a remuneração segue abaixo dos 60% das receitas, o que indica que clubes estão gastando com outras atividades.

Em 2021 os clubes da Série A, adicionais dos maiores devedores da Série B, deviam R$ 9,2 bilhões – valor ligeiramente superior aos R$ 9,1 bilhões de 2020. Em um cenário de receitas estagnadas, 60% dos clubes analisados levariam mais de 7 anos para pagar suas dívidas caso alocassem 20% das receitas para pagá-las.

O Relatório Convocados XP: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro pode ser acessado no link conteudos.xpi.com.br/relatorio-futebol-2022.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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