Com tarifa de 50% dos EUA, CNC mantém cenário de inflação alta e crédito apertado

Com tarifa de 50% dos EUA, CNC mantém cenário de inflação alta e crédito apertado

Dólar caro pressiona custos e reduz poder de compra das famílias

A ligeira trégua de junho, quando o IPCA avançou 0,24% e levou a inflação em 12 meses a 5,35%, sexto mês seguido acima do teto da meta de 4,5%, não muda a avaliação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) de que os preços continuam em patamar desconfortável para as famílias e para o setor terciário. O núcleo de serviços, indicador sensível à renda, subiu para 6,2% em 12 meses, mostrando que as pressões internas não cederam na velocidade desejada.

O quadro ficou ainda mais nebuloso depois de 9 de julho, quando Washington anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A CNC observa que o dólar se valorizou de imediato, encarecendo insumos e devendo aparecer gradualmente nos preços ao consumidor ao longo do segundo semestre. “O efeito da nova rodada de tarifas volta a trazer incertezas para o cenário inflacionário. Se, por um lado, o aumento do dólar favorece a alta de custos, a dificuldade de exportar para os Estados Unidos pode redirecionar parte da produção ao mercado interno, suavizando alguns preços”, explica o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Choque cambial

A Confederação, no entanto, não aposta que esse excedente doméstico será suficiente para compensar o choque cambial. A combinação de real mais fraco, serviços ainda pressionados e energia elétrica em alta — a conta de luz subiu 2,96% em junho, puxando o grupo habitação para 0,98% — mantém o poder de compra apertado e limita espaço para uma recuperação mais firme do consumo.

Diante desse ambiente, a CNC preserva suas projeções para o IPCA, que deve ficar praticamente estável em julho (0,03%) e encerrar 2025 em 4,4%, acima do centro da meta, porém dentro do intervalo de tolerância, enquanto a Selic tende a permanecer em 15% ao ano até dezembro de 2025. Bentes acredita que “o Banco Central não encontrará espaço seguro para cortes enquanto os núcleos de inflação não cederem de forma consistente”.  Segundo ele, mesmo que parte da produção volte-se ao mercado interno, a renda real comprimida, o crédito caro e os serviços com custo elevado persistente compõem um cenário que segue exigindo cautela do setor terciário.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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