O que o varejo pode aprender com a Copa do Mundo de Clubes

Levantamento mostra como a paixão pelo futebol tem cada vez mais impacto direto nas vitrines digitais
A venda online de camisas de times de futebol aumentou por conta da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. É o que aponta um levantamento da Neotrust – empresa especializada em impulsionar vendas por meio de dados exclusivos sobre o e-commerce. Entre os clubes participantes do torneio, o Fluminense foi o time que registrou o maior aumento percentual em venda de camisas no período: alta de 56%. Foram 3.129 camisas vendidas do clube tricolor de 15 a 30 de junho contra 2.008 de 15 a 30 de maio. O Flamengo foi o segundo com maior aumento em vendas, 53%, seguido do Botafogo, 37% e do Palmeiras, com 16,6%.
Para se ter uma ideia do impacto do mundial, o Corinthians, que é o clube que mais vendeu camisas na segunda quinzena de maio, com 15.631 unidades, registrou queda de 58% na segunda quinzena do mês de junho, vendendo 6.582 peças.
Entre os clubes internacionais, Real Madrid, PSG e Manchester City foram os que apresentaram maior crescimento, com 26%, 14%, e 8%, respectivamente. Considerando a venda de camisas para todos os clubes, 67% das compras foram realizadas pelo público masculino, com predominância das faixas etárias de 25 a 34 anos (35%) e de 35 a 44 (29%). A ascensão nas vendas de camisas de clubes brasileiros mostra como a performance em campo reflete diretamente no comportamento de compra.
“O consumidor atual não espera ganhar o título para vestir a camisa: ele reage em tempo real, impulsionado por emoção e pertencimento digital”, analisa Vanessa Martins, Head de Marketing da Neotrust.
Para Francesco Weiss, CEO da Neotrust, o levantamento evidencia a importância de que o varejista se prepare para eventos com capacidade de impactar nas vendas. “O que sempre dizemos ao nosso parceiro é que ele precisa unir shopper insights aos market insights. Só assim é possível entender quem é seu cliente e onde estão as oportunidades, possibilitando segmentar e ajustar a comunicação; criar ofertas e preparar um portfólio mais aderente; aumentar tíquete médio, melhorar retenção, recorrência e crescimento”, diz.
O que o varejo pode aprender com o torneio
1. O poder dos gatilhos emocionais na conversão imediata
A performance do Fluminense no Mundial e a escalada nas vendas de camisas evidenciam como eventos esportivos funcionam como gatilhos emocionais de alta intensidade. O consumidor, impulsionado por sentimentos como pertencimento, orgulho e rivalidade, acelera sua jornada de compra. Isso reforça o papel das emoções como motor de conversão — muitas vezes mais potente que promoções ou descontos.
2. Shopper insights precisam andar em tempo real com o calendário cultural
O levantamento mostra que o comportamento de consumo não é linear: ele responde a contextos. Para capturar essas oscilações, marcas e varejistas precisam alinhar suas estratégias de CRM, mídia e sortimento com eventos culturais e esportivos. Essa é uma aplicação prática de real-time commerce — o uso de dados para reagir (ou se antecipar) a momentos de alto impacto coletivo.
3. Dados de intenção e comportamento superam dados demográficos
Embora o perfil demográfico siga relevante (a maioria dos compradores de camisas foi homem, de 25 a 44 anos), o que impulsiona a venda é o contexto de intenção. O varejo que cruza market trends com shopper behavior — como performance esportiva, engajamento digital e menções sociais — consegue antecipar demanda e ativar o público certo com mais precisão. É a lógica do predictive commerce, onde o dado vira motor de decisão, não só diagnóstico.







