Brasil lidera M&A na América Latina com R$ 146 bilhões movimentados no 1º semestre

Investidores estão mais seletivos, privilegiando megadeals e operações estratégicas de longo prazo
O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) registrou 827 transações no primeiro semestre de 2025, movimentando aproximadamente R$ 146 bilhões, segundo relatório da PwC Brasil. O resultado representou um crescimento tímido no número de operações, mas expressivo no valor mobilizado, com alta de mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na América Latina, o Brasil manteve a liderança em volume de negócios, seguido por Argentina e Colômbia, consolidando-se como o principal destino de capital na região.
Franklin Tomich, fundador e CEO da Accordia, avalia que o cenário reforça uma seletividade maior por parte dos investidores.
“O mercado de M&A em 2025 está operando em duas velocidades: negócios menores e mais arriscados sofrem maior cautela, enquanto megadeals e operações transformadoras em setores como tecnologia, energia e infraestrutura ganham tração. Isso mostra que os investidores estão dispostos a pagar mais caro por ativos estratégicos e de longo prazo”, afirma o executivo.
De acordo com a Transactional Track Record (TTR), o setor de internet, software e serviços de TI se manteve como o mais ativo, refletindo o apetite por ativos digitais e inovação. O private equity também apresentou desempenho robusto, com quase 50 operações e um salto superior a 50% no volume de capital investido. Globalmente, segundo a Bain & Company, o mercado segue retraído em número de operações, mas concentrado em megadeals, com destaque para movimentos em energia limpa, infraestrutura crítica e inteligência artificial aplicada a processos industriais.
Para os próximos meses, a expectativa é que a seletividade continue a ditar o ritmo das transações. Analistas indicam que a recuperação em número de operações dependerá de fatores como estabilidade macroeconômica, redução das incertezas geopolíticas e trajetória de queda das taxas de juros no Brasil. Nesse contexto, Franklin Tomich destaca que empresas que desejam se posicionar de forma competitiva precisam investir em governança e inovação.
“O Brasil tem condições de se consolidar como polo estratégico de M&A na América Latina, mas esse potencial só será plenamente realizado por companhias que aliarem visão de longo prazo, disciplina financeira e compromisso com práticas de governança sólidas”, conclui.






