Sucessão familiar ainda é um dos maiores gargalos das empresas brasileiras

Sucessão familiar ainda é um dos maiores gargalos das empresas brasileiras
A young Caucasian businessman drawing a graph on the glass panel with a marker in a meeting room

Apesar de representarem 90% dos negócios do país, poucas conseguem chegar à terceira geração

As empresas familiares seguem como a espinha dorsal da economia brasileira: representam cerca de 90% dos empreendimentos do país e são responsáveis por aproximadamente 50% do PIB, segundo dados do IBGE. Apesar do peso econômico, o grande desafio permanece o mesmo há décadas: garantir a continuidade entre gerações.

O índice de sobrevivência é preocupante. Apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração e menos de 10% alcançam a terceira. Pesquisas recentes do Sebrae reforçam que esse cenário se repete principalmente pela falta de preparo dos sucessores, conflitos geracionais e ausência de um plano de transição estruturado. A resistência dos fundadores em abrir mão do comando, fator emocional comum em negócios familiares, também aparece como um dos principais obstáculos para uma sucessão saudável.

O problema não é exclusivamente brasileiro. Estudos internacionais da PwC mostram que, globalmente, só 33% das empresas familiares possuem um plano de sucessão formalizado, o que reforça a urgência de amadurecimento em governança e planejamento de longo prazo.

Planejamento e governança: da teoria à prática

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) aponta que 72% das empresas familiares não têm um plano de continuidade para cargos-chave. Um dado que escancara o risco de ruptura operacional e perda de competitividade no momento da troca de liderança.

Planejamento estruturado, profissionalização e alinhamento de valores entre as gerações são apontados como pilares para uma transição bem-sucedida. Mas, para muitas empresas, transformar essas diretrizes em prática ainda é um desafio complexo.

Exemplo de transição bem-sucedida no cenário nacional, a ALKO do Brasil, indústria farmacêutica referência em soluções para diagnósticos por imagem, mostra como governança e formação de lideranças podem fazer a diferença. Fundada em 1988 pelo empreendedor Dr. João Augusto, a companhia realizou sua migração para a segunda geração de forma planejada e estruturada.

Hoje, os filhos Augusto Oliveira e Juliana Komel ocupam os cargos de CEO e co-CEO, conduzindo a empresa com foco em inovação, parcerias estratégicas e fortalecimento do posicionamento no mercado de diagnóstico.

“A sucessão familiar não pode ser vista apenas como uma passagem de bastão. É preciso alinhar propósitos, desenvolver lideranças e garantir que o legado seja respeitado”, destaca Augusto Oliveira.

Antes de assumirem a liderança, os sucessores passaram por capacitação em gestão, planejamento estratégico e desenvolvimento de equipes. O processo envolveu ainda a adoção de princípios modernos de governança corporativa, garantindo transparência, profissionalização e visão de longo prazo.

“Não bastava sermos herdeiros. Precisávamos ser merecedores dos cargos que ocuparíamos”, afirma Juliana Komel.

Com dupla liderança e um modelo de gestão estruturado, a ALKO conseguiu ampliar sua presença no mercado nacional e fortalecer sua cultura organizacional.

Para a família, o foco está no longo prazo e na construção de um legado sólido que ultrapasse gerações.

“Sabemos que a segunda geração precisa pavimentar o caminho para a terceira. Isso só é possível com visão estratégica e continuidade”, reforça Augusto.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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