53% dos empresários apontam EUA como prioridade da agenda externa do próximo governo brasileiro

53% dos empresários apontam EUA como prioridade da agenda externa do próximo governo brasileiro

Levantamento da Amcham ouviu 732 líderes empresariais de diversos setores da economia

A relação com os Estados Unidos desponta como a principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, na avaliação de líderes empresariais ouvidos pela Pesquisa Amcham, divulgada nesta sexta-feira (30), durante evento realizado na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.

O levantamento reúne a percepção do empresariado brasileiro sobre as eleições presidenciais de 2026, o ambiente de negócios e as agendas estratégicas que devem orientar o próximo ciclo de governo, com destaque para política externa, comércio e investimentos.

Eleições 2026: cautela e foco em economia e segurança

No plano doméstico, os empresários indicam como prioridades para o próximo presidente da República o equilíbrio fiscal (83%), o combate à corrupção (43%), a segurança pública (40%) e a redução das taxas de juros (37%).

O cenário eleitoral é percebido com cautela: 39% dos empresários classificam o cenário como neutro, enquanto 31% se dizem pessimistas e 16% otimistas em relação às eleições de 2026. Além disso, 9% se declaram muito pessimistas, 2% muito otimistas e 3% não souberam avaliar. O dado reflete a combinação de incerteza política, preocupação com a governabilidade e expectativas quanto à condução da agenda econômica no próximo mandato.

Brasil–Estados Unidos: eixo central da agenda externa

Quando questionados sobre as prioridades da política externa e comercial do próximo governo, os empresários apontam a relação com os Estados Unidos como o principal eixo estratégico, à frente de outros temas da agenda internacional.

As prioridades mais citadas foram:

  • Relação com os Estados Unidos (53%)
  • Atração de investimentos estrangeiros (46%)
  • Novos acordos de comércio (44%)
  • Acesso a mercados e redução de barreiras às exportações (35%)

“O empresariado associa cada vez mais a agenda externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos aparece como prioridade por envolver a maior economia do mundo, a principal origem de investimentos estrangeiros no Brasil e um alto potencial em áreas como tecnologia, serviços e energia”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Apesar de estratégica, a relação com os Estados Unidos ainda é percebida como desafiadora por 44% dos empresários. Outros 38% avaliam o cenário como neutro, enquanto apenas 14% consideram o ambiente bilateral favorável.

Principais obstáculos para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos

As tarifas seguem sendo apontadas como o principal obstáculo para ampliar os negócios entre Brasil e Estados Unidos, citadas por 70% dos empresários. Trata-se de um fator que continua retirando competitividade dos produtos brasileiros e que reforça a necessidade de se avançar em um entendimento bilateral, especialmente em um momento de melhora no ambiente de diálogo e nas relações políticas entre os dois países.

Além disso, os empresários mencionam a taxa de câmbio (33%) e as barreiras não tarifárias (29%) como elementos que ampliam a complexidade do acesso ao mercado americano. Também aparecem desafios ligados à atuação das empresas, como escala e competitividade (25%), concorrência local (22%) e conhecimento do mercado dos Estados Unidos (20%).

Agenda Brasil–EUA: prioridades nas negociações

A pesquisa também identificou os temas que, na visão do setor privado, devem ser priorizados nas negociações atuais com os Estados Unidos:

  • Redução de barreiras comerciais (58%)
  • Redução de tarifas e ampliação do acesso a mercados (55%)
  • Combate ao crime organizado transnacional (42%)
  • Parcerias em investimentos (42%)
  • Minerais críticos e terras raras (36%)
  • Acordo para evitar a dupla tributação (35%)

Há uma agenda bem definida pelo setor empresarial. O desafio será transformar essas prioridades em avanços concretos, especialmente em um ano eleitoral no Brasil e diante da concorrência com outros temas no radar de prioridades do governo americano, destaca Abrão Neto.

Perspectivas empresariais

A Pesquisa Amcham mostra que o empresariado mantém uma expectativa de crescimento em 202684% das empresas projetam aumento de faturamento, sendo que 45% trabalham com a perspectiva de expansão superior a 11%. Menos de 3% anteveem retração de receitas.

Na avaliação dos empresários, esse crescimento tende a ser resultado de decisões concretas de negócio. Ele deve vir principalmente do aumento de vendas no mercado interno (65%), da redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e de investimentos em transformação digital e inteligência artificial (38%).

Em relação ao ambiente de negócios durante o próximo governo (2027-2030), as percepções estão relativamente equilibradas: 35% dos empresários acreditam em melhora da economia e do ambiente de negócios, 26% projetam estabilidade e 25% esperam piora. Outros 14% não souberam avaliar.

O empresariado segue comprometido com o crescimento e com os investimentos no país. O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade e ao uso de tecnologia, além da importância de previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional“, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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