Como fidelizar clientes em tempo de liquidações

Como fidelizar clientes em tempo de liquidações

Varejista precisa entender o seu modelo de negócio, com o apoio de quem conecta tendências

O mês de janeiro costuma ser muito importante para o setor varejista, uma vez que é época de liquidações e uma grande oportunidade de zerar os estoques do ano passado. Além disso, também é um período fundamental para pensar e traçar o planejamento para todo o ano, e, segundo a Forvis Mazars, em todo projeto as empresas devem pensar no cliente como ponto central do negócio.

De acordo com Tiago Bezerra, sócio-líder de Varejo da Forvis Mazars no Brasil, a centralidade do consumidor não é mais um diferencial competitivo, mas, sim, uma necessidade estratégica. “O conceito hoje vai muito além do marketing: engloba as decisões integradas em tecnologia, dados, logística, meios de pagamento e cultura. Diante desses aspectos, o varejista precisa entender o seu modelo de negócio, com o apoio de quem conecta tendências, ferramentas e necessidades reais. É o ponto de partida.”

Para ajudar as empresas a pensarem nas melhores ações estratégicas, Bezerra listou 5 pilares fundamentais da centralidade do consumidor:

1. Omnicanalidade real: o consumidor transita com naturalidade entre canais: vê um produto nas redes sociais, experimenta na loja e finaliza a compra pelo app — ou o inverso. Para acompanhar esse comportamento, é preciso integrar estoque, CRM (gestão de relacionamento com o cliente), meios de pagamento e logística em tempo real. Práticas como retirada em loja, tablets de venda integrados e trocas cruzadas entre canais já se tornaram padrão — e podem ser adotadas por empresas menores com ERPs e gateways de pagamento unificados. Soluções omnichannel permitem ainda adaptar parcelamentos, cashback ou cupons de acordo com o histórico do cliente — independentemente do canal utilizado;

2. Personalização baseada em dados: para prever e ajustar a oferta em tempo real. Isso depende da combinação de dados e inteligência artificial (IA), conectando CRM, ERP, plataformas digitais e os próprios meios de pagamento — que revelam frequência, ticket médio e preferências. Negócios menores também podem aplicar esse princípio: uma farmácia pode ativar ofertas com base no ciclo de recompra; uma loja virtual pode testar variações de produtos e preços conforme o comportamento do usuário. A personalização inteligente transforma dados em conversão e fidelização;

3. Experiência imersiva: o ambiente físico se tornou um ponto de diferenciação para marcas que buscam engajamento real. A Nike, por exemplo, criou lojas com esteiras para teste de tênis, simuladores e quiosques de personalização, permitindo ao cliente cocriar seu produto enquanto vivencia a marca. Essa valorização da presença física também se traduz em espaços sensoriais, provadores interativos, vitrines conectadas e experiências de comunidade que complementam o digital — inclusive em marcas menores com público de nicho ou atuação local;

4. Pagamentos sem fricção: a eliminação de atritos — especialmente no momento do pagamento — será, cada vez mais, parte essencial da experiência. Isso inclui: pagamentos por aproximação (tap-to-pay); wallets digitais; reconhecimento facial e biometria; PIX parcelado, presente em fintechs e apps. Pequenas empresas também conseguem adotar essas soluções via POS (Pontos de Venda Digital) modernos, plataformas de e-commerce e plugins inteligentes. O checkout precisa deixar de ser obstáculo e virar uma extensão natural da jornada. Outras soluções que ganham espaço são: o crédito embutido na compra (Buy Now, Pay Later), a adoção de tokenização (substituição de dados por códigos temporários) e biometria comportamental — garantindo segurança sem comprometer fluidez, diante da crescente exposição de dados.

5. Comunidade e propósito: clientes querem marcas com valores, não só produtos. Natura, Reserva e Patagonia são exemplos de quem integra propósito à jornada — com sustentabilidade, diversidade e impacto social como parte da entrega. Na prática, isso pode se traduzir em programas de fidelidade ligados a doações, checkouts com opção de arredondar o valor para apoiar ONGs ou campanhas em que o consumidor participa de decisões com impacto social. Essas funcionalidades já estão disponíveis em CRMs e plataformas de pagamento — inclusive para médios e pequenos negócios que queiram atrelar causa e consumo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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