Conflitos entre gerações no trabalho aumentaram ou só ficaram mais visíveis?

Conflitos entre gerações no trabalho aumentaram ou só ficaram mais visíveis?

Entradas e saídas de diferentes faixas etárias no mercado mostram que o problema é estrutural, não circunstancial

O mercado de trabalho brasileiro vive um cenário inédito: quatro gerações atuam simultaneamente dentro das empresas, ao mesmo tempo em que profundas transformações demográficas estão alterando a dinâmica entre elas. A população está envelhecendo, a expectativa de vida segue em alta e as novas gerações chegam ao mercado em números menores do que as anteriores.

Dados demográficos recentes mostram que a Geração Z possui cerca de 3 milhões de pessoas a menos do que os Millennials, e a próxima geração, a Alpha, deve ser ainda menor. Com menos jovens ingressando no mercado e mais profissionais maduros permanecendo economicamente ativos, cresce a necessidade de políticas estruturadas para administrar essa convivência plural. Ainda assim, segundo a PwC Brasil, 65% das empresas não possuem iniciativas formais de diversidade etária, apesar de 95% reconhecerem seus benefícios.

A ausência dessa preparação pode ser motivo de conflitos relacionados a estilos de trabalho, comunicação e liderança.

“Promover a integração, por meio de programas estruturados clara entre gerações, promove complementaridade, melhoram a comunicação e aumenta a produtividade”, afirma Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, grupo detentor do Pandapé, software de RH mais utilizado na América Latina.

Suzuki destaca que conflitos geracionais não são novidade. Ela lembra que, em 2013, a revista Time estampou na capa o título “The Me Me Me Generation”, classificando os Millennials como egoístas e narcisistas. “Essas críticas se repetem a cada ciclo. O nome da geração muda, mas o padrão permanece. O desafio real não está no perfil dos profissionais, e sim na falta de estrutura para lidar com essa pluralidade”, explica.

A executiva aponta que a Geração Z — já consolidada no mercado e ocupando posições de maior responsabilidade — apenas tornou mais visíveis problemas estruturais que existiam há anos. Esse grupo cresceu em meio a avanços tecnológicos acelerados, movimentos sociais, debates políticos intensos e o impacto da pandemia, fatores que influenciam sua forma de trabalhar, se comunicar e tomar decisões.

Segundo Suzuki, algumas ações são essenciais para reduzir tensões e fortalecer a convivência multigeracional nas empresas. Entre elas estão programas de mentoria reversa, rotinas de comunicação transparente, revisão de modelos de liderança, flexibilização de processos e reconhecimento de diferentes estilos de trabalho.

Para a executiva, adaptar a cultura organizacional ao cenário demográfico é uma urgência organizacional. “Estamos diante de equipes naturalmente diversas em termos de idade. Empresas que não se adaptarem a esse movimento correm o risco de perder competitividade, inovação e talentos”, conclui Suzuki.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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