Cripto amadurece e corretoras ganham fôlego com regulação e alta dos ETFs

Cripto amadurece e corretoras ganham fôlego com regulação e alta dos ETFs

Regulação avanço dos ETFs e novas regras do Banco Central impulsionam liquidez exigência e interesse do investido

O mercado global de criptomoedas voltou a operar próximo de US$ 3 trilhões em valor total, com o bitcoin respondendo por mais de 56% desse montante e as stablecoins alcançando cerca de US$ 314 bilhões em circulação, segundo dados consolidados por agregadores internacionais. O movimento sinaliza uma fase de maior maturidade do setor, marcada por crescimento sustentado, entrada de capital institucional e uso mais funcional dos ativos digitais.

Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em soluções cambiais, comércio exterior e tecnologia, e especialista em estratégia e gestão de operações no mercado cripto,  o atual ciclo representa uma inflexão relevante no perfil do investidor. “O foco deixou de ser apenas valorização de curto prazo. Hoje, o investidor busca previsibilidade, regras claras e plataformas que consigam operar com liquidez, governança e controles robustos. A institucionalização do mercado mudou o jogo”, afirma.

Regulação e institucionalização mudam o jogo no Brasil

A principal mudança no ambiente doméstico ocorreu com a publicação da Resolução BCB nº 520, em novembro de 2025, que estabelece critérios para a constituição e o funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais. A norma detalha exigências de capital, governança, prevenção à lavagem de dinheiro e segurança operacional, criando um marco regulatório mais claro para o setor.

Na prática, o avanço regulatório tende a elevar a confiança do investidor e reduzir distorções entre plataformas. Corretoras que já operam com políticas de compliance, segregação patrimonial e gestão de risco passam a ser comparadas por eficiência e transparência, e não apenas por promessas de retorno. O movimento também acompanha a expansão de produtos regulados no mercado financeiro tradicional, como os ETFs.

Stablecoins ganham escala e reforçam uso prático

Outro vetor de transformação é a consolidação das stablecoins como instrumento de transferência e liquidação. Relatório da Chainalysis mostra que, entre junho de 2024 e junho de 2025, a USDT movimentou em média cerca de US$ 703 bilhões por mês, com picos que superaram US$ 1 trilhão. O dado reforça o uso crescente dessas moedas como alternativa para remessas internacionais, proteção cambial e operações transfronteiriças.

Esse avanço impacta diretamente as corretoras, que passam a lidar com volumes mais elevados e maior responsabilidade operacional. Segundo Thiago Oliveira, o ganho de eficiência precisa caminhar junto com controles rigorosos. “Stablecoins viraram infraestrutura financeira. Elas reduzem custo e tempo de liquidação, mas exigem rastreabilidade, monitoramento de fluxos e políticas claras de risco”, diz.

ETFs ampliam liquidez e reduzem volatilidade extrema

A entrada consistente de capital institucional também tem contribuído para um mercado mais profundo. Dados de rastreadores internacionais indicam que os ETFs spot de bitcoin nos Estados Unidos já superam US$ 100 bilhões em ativos sob gestão. Esse fluxo amplia a liquidez e tende a reduzir movimentos abruptos causados por baixa profundidade de mercado.

Para as corretoras, o efeito é um ambiente mais técnico, no qual execução eficiente, educação do investidor e clareza sobre riscos se tornam diferenciais competitivos. A volatilidade permanece elevada, mas passa a ocorrer em um contexto de maior previsibilidade operacional.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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