Detox de carreira: quando sair do emprego deixa de ser impulso e vira autocuidado e avanço

Profissionais passam a tratar decisões de carreira como parte da saúde emocional e da qualidade de vida
A expressão “detox de carreira” deixou de ser jargão das redes sociais para se tornar um movimento mais presente no mercado de trabalho. Cada vez mais profissionais usam o início do ano para repensar relações profissionais que deixaram de fazer sentido.
Conforme pontuou Patrícia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, esse movimento está ligado à maturidade emocional e profissional. “É sobre reconhecer os seus limites e assumir a direção da carreira, com escolhas que considerem ambientes de trabalho mais aderentes ao seu perfil. Permanecer em ambientes que adoecem, cobra um preço alto a longo prazo”, afirma.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o estresse ocupacional é um dos principais fatores de adoecimento mental no mundo, reforçando a relação direta entre trabalho e saúde. O Brasil, segundo relatório publicado em 2025 também pela OMS, lidera o ranking mundial de ansiedade, com cerca de 9,3% da população afetada, totalizando mais de 18 milhões de pessoas. O detox de carreira aparece, então, como uma pausa estratégica – e necessária em muitos casos.
“Mudar de emprego ou até sair temporariamente do mercado pode ser uma decisão importante, quando feita de maneira racional e planejada. É importante analisar cuidadosamente o seu contexto atual, as possibilidades futuras e os ganhos com essa ação – que nem sempre se limitam às questões financeiras”, explica Patrícia.
Um novo ano, um novo começo
O início do ano intensifica essas reflexões por conta do simbolismo do recomeço e da comparação com metas pessoais. “As pessoas se perguntam se a vida profissional está alinhada com o que desejam para o ano que começa, isso é natural e muito importante. Inclusive não é algo que deve ser feito somente no início do ano. O trabalho ocupa uma grande parte das nossas vidas, por isso precisamos nos sentir física e emocionalmente bem em relação a ele”, comenta a executiva.
Empresas também começam a sentir os efeitos desse movimento, sendo pressionadas a rever práticas de gestão, carga de trabalho e cultura organizacional com objetivo de reter os talentos.
“O ‘detox de carreira’ se tornando mais comum sinaliza uma transformação na relação das pessoas com o trabalho. Os profissionais estão valorizando a oportunidade de escolha, embora ainda almejem a estabilidade nas empresas. Então, cabe às organizações ficar atentas a essa movimentação e realizar as mudanças necessárias para reter seus talentos”, finaliza a executiva do Infojobs.







