Erros fiscais ganham peso na transição para o IVA Dual e podem ampliar perdas de crédito de ICMS

Erros fiscais ganham peso na transição para o IVA Dual e podem ampliar perdas de crédito de ICMS

Integração de sistemas estaduais e federais acelera fiscalização automática e exige revisão imediata de CFOP, NCM e CST no agronegócio

A integração crescente entre os sistemas estaduais e federais de fiscalização e o início da transição para o IVA Dual, previsto a partir de 2026, colocam o agronegócio em alerta para erros que antes passavam despercebidos.

Levantamentos recorrentes no setor  fiscal indicam que uma parcela expressiva das empresas brasileiras emite notas fiscais com alguma divergência tributária, especialmente por classificação incorreta de NCM, CFOP ou CST, falhas que podem anular o direito ao crédito de ICMS e travar operações essenciais para o produtor rural. Esses achados também aparecem em análises técnicas anteriores sobre erros na emissão de notas fiscais no agro, apontando o mesmo padrão de inconsistências formais.

Obrigações fiscais, sistemas estaduais como o e-CredRural e o e-CredAc cruzam automaticamente dados de notas fiscais, operações interestaduais, declarações acessórias e escrituração eletrônica. Esse processo dispensa etapas intermediárias e aumenta a detecção instantânea de erros formais.

Para Altair Heitor, contador e especialista em gestão tributária para o agronegócio, o produtor precisa redobrar a atenção. “Uma divergência de NCM ou CFOP é suficiente para suspender o crédito. A fiscalização digital cruza tudo automaticamente, e o impacto financeiro pode ser imediato”, afirma.

A transição para o IVA Dual, modelo que substituirá de forma gradual ICMS, PIS e Cofins por IBS e CBS, ampliará o rigor do monitoramento, já que o sistema atual e o novo conviverão entre 2026 e 2033. Durante esse período, operações interestaduais e exportações passarão por conferências adicionais, com validação conjunta entre Estados e União para evitar distorções e acúmulos indevidos. O próprio funcionamento do crédito exigirá precisão maior na documentação, já que divergências inviabilizam a apropriação tanto no sistema antigo quanto no novo.

Bitributação

A possibilidade de bitributação é um dos pontos de atenção citados por especialistas. “O risco de bitributação existe, especialmente para quem trabalha com crédito acumulado. A revisão prévia é o que garante segurança jurídica”, afirma Altair. Segundo ele, operações de exportação, industrialização por encomenda ou fluxo intenso de insumos devem reavaliar contratos, operações e classificações fiscais antes da virada do sistema.

A recomendação inclui revisar notas fiscais dos últimos cinco anos, corrigir classificações fiscais sensíveis, atualizar cadastros e garantir que as operações estejam compatíveis com as regras e códigos exigidos para o período híbrido. A organização documental será determinante para evitar bloqueios no e-CredRural e e-CredAc, que ficam mais sensíveis à inconsistência de dados com a integração plena dos fiscos.

Para o agronegócio, a transição tributária não será apenas normativa, mas operacional. Produtores que dependem de crédito acumulado, diferimento, exportação ou operações interestaduais devem se antecipar às mudanças. “Quem se organiza agora consegue proteger o crédito, evitar travamentos fiscais e atravessar a transição com segurança”, completa Altair.

A migração para o IVA Dual inaugura um ciclo em que precisão fiscal, revisão constante e conformidade serão fatores decisivos para a manutenção do fluxo de caixa e para a continuidade do aproveitamento do crédito de ICMS no campo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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