Estudo mapeia gargalos de gestão e revela os setores mais vulneráveis do Sul do Brasil

Estudo mapeia gargalos de gestão e revela os setores mais vulneráveis do Sul do Brasil

Indústria, agro e logística concentram as maiores vulnerabilidades em finanças, governança e estratégia

Um estudo recente conduzido pela Safegold com 300 empresas de médio e grande porte da Região Sul do Brasil revela um panorama preocupante sobre a base decisória das companhias: 75% dos empresários não têm clareza sobre seus próprios números financeiros e operacionais. O dado sintetiza uma das maiores barreiras enfrentadas por empresas que desejam crescer com consistência, mas esbarram na ausência de diagnóstico preciso e visão estratégica.

A pesquisa foi realizada com empresas que passaram pelo Overview Empresarial, ferramenta criada pela Safegold para mapear riscos, identificar gargalos e indicar, com base técnica, os caminhos mais viáveis de reestruturação ou aceleração. Segundo o levantamento, 74% dos empresários não fazem a precificação adequadamente, ignorando créditos tributários, custo do produto e margem desejada; e mais de 63% não sabem a taxa efetiva dos juros que pagam, se surpreendendo ao descobrir que sempre são muito superiores aquelas que haviam sido acordadas com as instituições financeiras.

“Boa parte dos gestores acredita que tem domínio sobre suas finanças, mas o que vemos é que, na prática, muitos operam no escuro, com distorções relevantes nos principais números”, observa Ezequiel Wilbert, sócio-fundador da Safegold.

O levantamento mostra ainda que 62% dos empresários não fazem revisões anuais para redução de custo e 52% operam suas empresas sem uma diretriz orçamentária, o que equivale a dirigir um veículo sem mapa, sem saber para onde está indo.

“Em 100% dos overviews realizados, identificamos oportunidades de melhoria de margem, redução de custo e redução de desperdícios. Sem esta análise, não há clareza. E sem clareza, não há estratégia possível que se sustente”, declara Ezequiel Wilbert, sócio da Safegold.

Maiores problemas

O setor industrial lidera o ranking de empresas com maiores problemas estruturais. Ele representa 65% da amostra total e foi apontado como o segmento com maior grau de desorganização financeira e ausência de indicadores confiáveis. Cerca de 50% dessas empresas apresentaram falhas críticas na precificação e controle de margens, além de 45% com baixa visibilidade sobre o custo real da operação – fatores que comprometem diretamente a rentabilidade e o planejamento.

Na sequência, transporte e logística (15%) apresentou desafios relacionados ao descontrole financeiro, informalidade na governança e dificuldades de estruturação — especialmente entre empresas familiares que cresceram sem um redesenho gerencial. “Tínhamos perdido o controle financeiro. Depois do Overview, tivemos uma base muito melhor. Agora parece que tudo pode virar.”, declara Thiago Rafael, J. Lima Transportes.

O agronegócio (10%) demonstrou fragilidade especialmente em sucessão familiar, concentração de decisões em poucas pessoas e falta de processos estruturados. “A Safegold chegou em 2018 na fazenda e nos ajudou muito a implantar uma governança. Hoje, tomamos decisões estratégicas com muito mais segurança”, comenta Filipe Virmond Demario, da Caluba Sementes.

No segmento de varejo e atacado (5%), os maiores gargalos estão ligados à falta de planejamento estratégico e padronização de processos, com impacto direto na escalabilidade.

O estudo aponta que redes com múltiplas unidades ou canais de venda tendem a sofrer com falta de controle centralizado e baixa visão de longo prazo. Outros setores analisados como energia, tecnologia, educação e serviços profissionais representaram os 5% restantes da amostra. Ainda que os sintomas variem, a origem dos problemas é recorrente: ausência de indicadores sólidos, processos claros e eficientes, e análises estratégicas recorrentes.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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