Mudança na fiscalização dos fundos de investimento pode enfraquecer o sistema, alerta especialista

Mudança na fiscalização dos fundos de investimento pode enfraquecer o sistema, alerta especialista

Proposta em estudo no governo ignora expertise acumulada da CVM e pode comprometer a qualidade da regulação

A proposta do governo federal de transferir ao Banco Central a regulação e a fiscalização dos fundos de investimento desconsidera a expertise acumulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao longo de décadas e representa um risco à solidez do sistema. A avaliação é do advogado Guilherme Guerra, especialista em fundos de investimento e mercado de capitais e sócio do escritório Vernalha Pereira.

Segundo Guerra, a CVM reúne conhecimento técnico que nenhuma outra instituição brasileira detém. Em 50 anos de atuação, a autarquia formou um corpo técnico altamente especializado, com domínio profundo das estruturas, produtos, agentes e riscos que caracterizam a indústria de fundos no país. “É a CVM quem concentra a capacidade técnica, a memória regulatória e o conhecimento acumulado sobre o funcionamento desse mercado. Alterar essa competência em um momento de crescente sofisticação tende a fragilizar e não a aprimorar a fiscalização dos fundos”, afirma.

Na avaliação do especialista, o debate proposto pelo ministro Fernando Haddad parte de um diagnóstico equivocado. Para ele, o problema não está no modelo institucional nem na atuação da CVM, mas em limitações estruturais enfrentadas pela autarquia.

“Há anos a CVM opera com severas restrições orçamentárias, quadro reduzido e responsabilidades crescentes. O caminho adequado não é transferir atribuições, mas fortalecer quem já exerce essa função com excelência”, destaca Guerra.

Segundo ele, nos últimos anos, a CVM promoveu avanços regulatórios relevantes, colocando o Brasil em sintonia com as melhores práticas internacionais. Entre as iniciativas, estão a modernização e a consolidação das normas, o aprimoramento dos mecanismos de supervisão e o fortalecimento das estruturas de proteção aos investidores.

“Remanejar competências agora pode provocar perda de qualidade regulatória, ruptura na continuidade da supervisão e redução da capacidade de resposta do Estado. A CVM atua alinhada aos padrões internacionais. O desafio não é substituir o regulador, mas garantir os meios necessários para que ele continue evoluindo e assegurando uma fiscalização efetiva”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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