Onde seu dinheiro renderá mais em 2026?

Eficiência fiscal ganha relevância com juros elevados
Muitos investidores aproveitam o início do ano para reorganizar as finanças e revisar suas carteiras. Em um cenário de Selic ainda elevada, projetada em torno de 12% ao final do ano, e com discussões tributárias novamente no radar, a eficiência fiscal volta a ganhar protagonismo na avaliação dos investimentos.
Nesse contexto, produtos como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas seguem chamando a atenção do investidor pessoa física quando o foco é o retorno líquido. A principal recomendação, no entanto, é evitar comparações diretas apenas pela taxa nominal. Para uma análise correta, é fundamental ajustar o rendimento dos produtos isentos por meio do cálculo de gross up, que atribui um valor hipotético de imposto aos investimentos não tributados, tornando comparáveis retornos que, à primeira vista, não pareceriam ser tão atrativos.
Segundo Camilla Dolle, head de renda fixa do Research da XP, esse ajuste pode revelar diferenças relevantes. “Quando fazemos o gross up, a diferença entre um título isento e um não isento pode chegar a cerca de dois pontos percentuais de diferença, dependendo da taxa original. Nas nossas carteiras recomendadas, mostramos tanto a rentabilidade exibida no aplicativo quanto a taxa ajustada, justamente para evidenciar esse efeito”, explica.
Em prazos mais longos, essa diferença tende a se ampliar. Simulações da XP indicam que, ao longo de cinco anos, um investimento isento pode gerar um ganho acumulado significativamente superior ao de um título tributado com a mesma taxa bruta, reflexo direto do impacto do Imposto de Renda e do efeito dos juros compostos.
“Ficar mais tempo em um título isento faz diferença no resultado. Isso não significa que produtos isentos de curto prazo não sejam interessantes, mas sim que o benefício da isenção se torna mais evidente no longo prazo”, afirma Dolle.
O ano de 2026 também traz desafios adicionais para o mercado, como o ciclo de corte de juros no Brasil e no exterior e um ambiente marcado por eleições. Nesse contexto, os títulos isentos continuam tendo forte apelo junto ao investidor pessoa física, inclusive por fatores comportamentais.
“As discussões do ano passado em torno da MP 1303 ajudaram a relembrar o mercado de que a isenção é um tema que volta e meia entra em debate. Além disso, em 2025 vimos spreads de crédito bastante comprimidos. A isenção acabou ajudando a compensar essa menor remuneração, embora já estejamos observando um movimento de correção”, avalia a head de renda fixa da XP.
Dolle explica que a comparação entre ativos deve ir além da taxa de retorno. Como exemplo, a executiva observa um papel isento com previsão de pagamento de 100% do CDI, que pode ter a previsão de taxa superada ao aplicar o gross up, o que indica maior risco embutido ao ser comparado com um título não isento com a mesma rentabilidade de 100% do CDI. Por isso, a análise deve considerar não apenas a eficiência fiscal, mas também o risco de crédito e a estrutura do produto.
Apesar das discussões tributárias no radar, a XP não vê, neste momento, necessidade de mudanças estruturais nas recomendações de renda fixa em relação ao fim de 2025. As carteiras seguem alinhadas aos diferentes perfis de investidores e são revisadas mensalmente, conforme a evolução do cenário.
Para o investidor que busca aumentar o retorno líquido da carteira sem elevar de forma desproporcional o risco, o início do ano segue sendo um bom momento para revisar a alocação, olhar além da rentabilidade nominal e incorporar a eficiência fiscal como parte da estratégia em um ambiente de juros elevados.







