Por que os CEOs estão voltando a estudar?

Por que os CEOs estão voltando a estudar?

A Inteligência Artificial acelerou a obsolescência do conhecimento executivo e CEOs agora retomam rotinas de aprendizagem para continuar competindo

Por décadas, o topo da pirâmide corporativa funcionou como o ponto mais estável das organizações: líderes com décadas de experiência, repertório consolidado e alto domínio técnico acumulado ao longo da carreiraMas isso mudou.

Com a ascensão da Inteligência Artificial e a velocidade das transformações digitais, CEOs e diretores redescobriram o lifelong learning — e estão voltando a estudar como não faziam desde o início da carreira.

O que antes era entendido como um diferencial de profissionais em ascensão se tornou uma responsabilidade estratégica da alta liderança. Afinal, decisões sobre IA, dados, automação, segurança e inovação exigem um repertório que nenhuma formação tradicional ofereceu.

“Lifelong learning deixou de ser um conceito aspiracional para se tornar uma realidade prática. O C-Level entendeu que sua experiência é valiosa, mas não é mais suficiente para tomar decisões seguras em um mundo guiado por tecnologia”, afirma Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School no Brasil.

A urgência dessa atualização contínua também revela a obsolescência de um modelo educacional que foi, durante décadas, linear e rígido. Os tradicionais ciclos de graduação e pós-graduação, estruturados em percursos longos e pouco adaptáveis, já não acompanham a velocidade das transformações. A liderança percebeu que não basta ter uma grande formação acumulada: é preciso manter o repertório vivo, revisável e conectado às fronteiras mais atuais do conhecimento.

O novo imperativo executivo é a fluidez entre upskilling e reskilling. Em um cenário global imprevisível, a aprendizagem precisa ser recorrente, prática e orientada para impacto imediato. Nesse contexto, cresce a busca por formações mais curtas, modulares e recorrentes — muitas delas com caráter internacional — capazes de oferecer atualização técnica, diversidade cultural, benchmarking estratégico e visão de vanguarda, permitindo que líderes recalibrem carreiras e negócios em tempo real.

“Lifelong learning deixou de ser um conceito aspiracional para se tornar uma realidade prática. O C-Level entendeu que sua experiência é valiosa, mas não é mais suficiente para tomar decisões seguras em um mundo guiado por tecnologia”, afirma Gustavo Hoffmann, diretor da SKEMA Business School no Brasil.

Para ele, estamos testemunhando também a transformação definitiva do próprio conceito de educação executiva. “Estamos assistindo ao fim do modelo educacional estanque. A liderança que acreditava ter ‘chegado lá’ está dando lugar à liderança que entende que nunca termina de chegar. O diferencial competitivo não é saber tudo, mas aprender rápido, desaprender quando necessário e buscar referências em ambientes verdadeiramente globais”, destaca.

Esse movimento é também uma resposta às novas pressões do mercado. A inovação deixou de ser episódica e passou a ser ritmo; riscos digitais emergem diariamente; reguladores e investidores cobram mais preparo técnico da liderança; e as decisões estratégicas agora envolvem variáveis tecnológicas complexas que jamais fizeram parte da formação dessa geração de executivos. O lifelong learning, nesse contexto, não é mais “sobre aprender mais”, mas sobre pensar melhor — e repensar com agilidade.

A sala de aula, portanto, volta ao centro da vida executiva não como ambiente acadêmico, mas como laboratório estratégico: espaço onde líderes refletem sobre impacto, testam hipóteses, trocam experiências, ampliam repertórios globais e atualizam modelos mentais para decisões de alto impacto. Empresas cujas lideranças adotam essa mentalidade de aprendizagem contínua tendem a inovar com mais consistência, reduzir riscos e construir culturas organizacionais mais adaptáveis.

No mundo que emerge, o futuro pertence menos à liderança que sabe — e muito mais à liderança que aprende.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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