Recuperações extrajudiciais batem recorde em 2025

Recuperações extrajudiciais batem recorde em 2025

Volume de pedidos consolida novo padrão de reorganização empresarial

Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) mapeou, ao longo de 2025, 68 pedidos de recuperação extrajudicial no país, maior volume desde a entrada em vigor da reforma da Lei nº 11.101/2005. Em 2024, haviam sido contabilizados 62 casos. O resultado demonstra o crescimento do instrumento como alternativa relevante na reestruturação financeira das empresas brasileiras.

A análise setorial dos dados de 2025 aponta concentração em alguns segmentos, ao mesmo tempo em que sinaliza diversificação gradual no uso do instituto, com crescimento dos casos nos setores de comércio e serviços e queda na indústria. O comércio e os serviços lideram o ranking, cada um respondendo por 31,16% dos pedidos registrados no ano. Na sequência, aparecem a indústria, com 13,49%, e a agropecuária/ pesca, com 13,02% cada, seguidos pelas holdings, com 9,30%, e construção, com 1,86%.

Outro dado relevante diz respeito ao perfil do endividamento em 2025. Embora ainda predominem companhias de grande porte, o volume total de dívidas aponta para um decréscimo de valores renegociados: R$ 15.693.409 bilhões no ano passado, frente a R$ 39.738.566 bilhões em 2024. Isso demonstra que as companhias estão buscando a recuperação extrajudicial antes do passivo crescer.

“Desde que a Lei de Recuperações foi reformada, em 2020, a recuperação extrajudicial passou a ser percebida como instrumento mais eficiente, menos custoso e potencialmente menos ruptivo do que a recuperação judicial tradicional, ampliando sua utilização”, avalia Juliana BIolchi, diretora do OBRE. De 2021 a 2025, o OBRE registrou 210 casos em todo o país.

Fato novo é o aumento do uso da ferramenta por companhias de grande porte com menor capital social – R$ 22,77 bilhões em 2024 contra R$ 13,18 bilhões em 2025. “Quando relacionamos o valor investido pelos sócios com o endividamento, vemos que há menos dívida por real investido em 2025 do que em 2024, o que permite concluir que, efetivamente, houve uma antecipação na utilização da recuperação extrajudicial”, afirma a Juliana.

O que é a recuperação extrajudicial

Esse modelo permite a recomposição das dívidas a partir de negociações diretas da empresa com os seus credores. Esses acordos ocorrem fora do âmbito judicial, ampliando a autonomia das partes. Desde a reforma de 2020, essa abordagem se tornou mais acessível, permitindo a negociação de dívidas bancárias ou com fornecedores, débitos trabalhistas e benefícios fiscais federais.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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