Reforma do consumo pode reativar cobrança em cascata e preocupa mercado

Reforma do consumo pode reativar cobrança em cascata e preocupa mercado

Falta de clareza sobre a exclusão do IBS e da CBS da base do ICMS durante a transição tributária entre 2026 e 2032 tem gerado insegurança jurídica

A transição para o novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), com a criação do IBS e da CBS, tem gerado insegurança jurídica entre empresas e investidores. De 2026 a 2032, período de adaptação, a falta de norma clara sobre a exclusão desses tributos da base do ICMS pode reabrir espaço para a cobrança em cascata, que a reforma prometia eliminar.

A Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 214/2025 não trataram do tema. Estados divergem quanto à aplicação das alíquotas-teste e aos reflexos fiscais, aumentando o risco de judicialização. O Projeto de Lei Complementar nº 16/2025, em tramitação, busca suprir o silêncio da lei sobre a questão. “Reintroduzir cumulatividade neste momento seria caminhar na contramão da reforma. Além de aumentar o custo de conformidade, cria uma zona cinzenta que eleva a insegurança, empurrando os contribuintes de volta ao cenário inicial de judicialização”, avalia Andressa Sehn, advogada especialista em Direito Tributário pela UFRGS e pelo IBET, e sócia líder da área de Entidades no escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados.

Pernambuco foi o primeiro estado a se manifestar, inicialmente defendendo a inclusão dos novos tributos no “valor total da operação”, mas depois reviu sua posição. São Paulo e o Distrito Federal já afastaram a incidência desses tributos na base do ICMS em 2026. Outros estados permanecem em silêncio.”Esse silêncio institucional amplia o espaço para interpretações conflitantes, incertezas nos planejamentos fiscais e riscos de judicialização, especialmente em contratos de longo prazo com cláusulas de repasse tributário”, afirma a especialista.

 Tese do século

O histórico da “tese do século”, que tratou da exclusão do ICMS da base do PIS/Cofins, ainda ecoa no setor privado. “Repetir a mesma dinâmica agora seria corroer a prometida simplificação da reforma”, alerta Sehn. “O CFO deixa de olhar para o crescimento e volta ao manual de contenção de riscos”.

O PLP 16/2025 propõe a exclusão expressa de IBS e CBS da base do ICMS. Para o mercado, representa um passo importante rumo à previsibilidade regulatória. “É curioso que seja necessário explicitar algo que deveria ser uma consequência lógica da reforma”, critica Sehn. “Mas se o silêncio da lei abre margem para múltiplas interpretações, a clareza do PLP pode evitar que a transição traga de volta velhos problemas do modelo anterior”.

Enquanto o projeto não é aprovado, empresas têm ajustado contratos, simulado margens e adaptado sistemas fiscais. “Se a transição começar sob ambiguidade normativa, a economia brasileira carregará para o novo sistema os vícios do antigo — e, com isso, posterga o salto de produtividade que tanto almeja”, conclui Andressa Sehn.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *