Reforma tributária: 2026 vira ano decisivo para empresas ajustarem caixa, preços e contratos

Reforma tributária: 2026 vira ano decisivo para empresas ajustarem caixa, preços e contratos

Novo modelo de créditos e o split payment antecipam riscos estruturais e exigem decisões estratégicas antes da entrada plena do IBS e da CBS

A transição da reforma tributária começa a impor, já em 2026, decisões estratégicas que vão muito além da mudança de alíquotas. Com o avanço do novo modelo de créditos e a perspectiva do split payment, empresas e prestadores de serviços precisam rever formação de preços, fluxo de caixa e contratos para evitar perdas permanentes quando o novo sistema estiver plenamente em vigor.

Para o tributarista Marcelo Costa Censoni Filho, sócio do Censoni Advogados Associados e CEO do Censoni Tecnologia Fiscal e Tributária, 2026 não deve ser tratado como um simples período de adaptação técnica, mas como um ano-chave de planejamento e escolhas estruturais.

“É o momento de fechar o passado e desenhar o futuro. Quem falhar em qualquer uma dessas frentes pode entrar na reforma em desvantagem permanente”, afirma.

Segundo Censoni, a primeira prioridade é a recuperação de tributos pagos a maior nos últimos cinco anos, incluindo créditos de PIS, Cofins, ICMS, ISS, IPI e contribuições previdenciárias que muitas empresas deixaram de aproveitar. “A reforma não corrige o passado. Se esses valores não forem identificados e recuperados em 2026, ocorre a prescrição e a perda de caixa se torna definitiva”, alerta.

A segunda frente, muitas vezes negligenciada, é a projeção personalizada de cenários futuros. “A reforma não impacta todos da mesma forma. O efeito depende do setor, do regime tributário, da estrutura de custos, da cadeia de fornecedores e do perfil de clientes. Sem simulações específicas, o empresário toma decisões no escuro”, explica. Em alguns casos, a análise pode indicar que o modelo atual do negócio se torna economicamente inviável no novo sistema de IBS e CBS, exigindo mudanças antecipadas.

Decisões de agora podem comprometer o futuro

Na avaliação de Censoni, erros cometidos em 2026 podem gerar impactos irreversíveis. Entre eles, projetar o futuro sem antes recuperar créditos, manter regimes tributários por inércia, assinar contratos de longo prazo sem testar o efeito do IBS e da CBS, precificar sem recalcular o custo tributário futuro e investir ou expandir sem validar a viabilidade no novo sistema.

“O risco é estrutural. Contratos podem nascer deficitários, preços podem ficar travados e investimentos podem ser mal dimensionados. A ausência de ações tributárias assertivas em 2026 compromete margem, competitividade e caixa”, resume.

Na mesma linha, Luís Garcia, sócio do Tax Group, administrador de empresas pela FGVe e advogado tributarista pela USP/SP, destaca que o empresário precisa usar 2026 como um ano de simulações e correções estratégicas. Para ele, decisões tomadas agora definem quem entra fortalecido na reforma e quem será surpreendido mais adiante. “O planejamento deixou de ser opcional. Ele passa a ser condição para atravessar a transição com segurança”, afirma.

A mensagem é direta: 2026 é o ano em que as empresas precisam responder a duas perguntas essenciais — quanto deixaram com o Fisco no passado e se o negócio segue viável no futuro. “Quem fizer esse diagnóstico agora transforma a reforma tributária em oportunidade. Quem adiar, pode pagar um preço alto depois”, conclui Garcia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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