Indústria de papel e celulose segue em expansão e reforça a necessidade de eficiência energética

Indústria de papel e celulose segue em expansão e reforça a necessidade de eficiência energética

Estudos apontam que segmento é responsável por 16% do consumo industrial de energia no Brasil

O segmento de papel e celulose no Brasil e no mundo segue em trajetória de crescimento, impulsionado por fatores estruturais como urbanização, aumento da classe média global, mudanças no perfil de consumo e maior demanda por materiais recicláveis e de base florestal. Ao mesmo tempo, a expansão de capacidade produtiva e os novos investimentos previstos ampliam um desafio já conhecido do setor: o alto consumo de energia e a pressão constante sobre os custos operacionais.

Segundo Alisson D´Agostin, gerente técnico da Eletron Energia, o consumo específico do setor ajuda a dimensionar a importância da busca por eficiência energética. A produção de celulose pode demandar cerca de 600 kWh por tonelada, enquanto a transformação em papel exige aproximadamente mais 800 kWh por tonelada. Nesse contexto, pequenos ganhos percentuais se traduzem em impactos relevantes no custo final do produto, influenciando diretamente a competitividade, a previsibilidade operacional e o cumprimento de metas de sustentabilidade.

Estudo divulgado pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel mostra continuidade de crescimento global e protagonismo brasileiro do setor. No cenário internacional, a demanda por celulose permanece aquecida, com destaque para a China, que responde sozinha por mais de 31% do consumo global, superando a Europa, com 21%, e a América do Norte, com 17%. As preocupações ambientais e a busca por soluções mais sustentáveis reforçam o papel estratégico da indústria de base florestal, mesmo em um contexto de incertezas políticas que afetam o comércio global.

O Brasil ocupa uma posição de destaque nesse cenário. Entre 2005 e 2024, a produção brasileira de celulose cresceu a uma taxa média de 4,9% ao ano, com tendência de continuidade nesta década.

Nesse mesmo período, o perfil do setor se tornou ainda mais exportador: se em 2005 cerca de 53% da produção era destinada ao mercado externo, em 2024 essa participação alcançou 73%, consolidando o país como o maior exportador mundial de celulose. Apenas em 2024, a produção cresceu 5,2% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações avançaram 2,8% e o consumo aparente interno saltou 12,4%, atingindo o maior volume desde 2005. A China concentrou 44% das exportações brasileiras, seguida pela Europa, com 27%.

Energia como fator crítico de competitividade

Esse ritmo contínuo de crescimento traz consigo um impacto direto sobre o consumo energético. O setor de papel e celulose é um dos maiores consumidores de energia elétrica da indústria brasileira. De acordo com o estudo “A indústria de papel e celulose no Brasil e do Mundo”, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em conjunto com a Agência Internacional de Energia, o segmento responde por 16% de todo o consumo industrial de energia elétrica no país. Em 1970, essa participação era de apenas 5%, o que representa um crescimento médio de 5,4% ao ano até 2020.

Com a perspectiva de novos projetos e ampliações de plantas industriais nos próximos anos para absorver essa expansão constante da produção, a energia deixa de ser apenas um insumo básico e passa a ocupar um papel estratégico.

Para Alisson D´Agostin, da Eletron, ainda é comum encontrar projetos que subestimam a importância do planejamento energético, priorizando a redução do investimento inicial em detrimento da eficiência ao longo da vida útil da planta. Esse tipo de decisão pode resultar em desperdícios recorrentes e margens pressionadas à medida que a produção aumenta.

Investimentos e expansão da capacidade produtiva

Para sustentar esse ritmo de crescimento nos próximos anos, o setor projeta investimentos robustos. Estão previstos R$ 105,4 bilhões em aportes no Brasil entre 2024 e 2028, incluindo projetos já concluídos, em andamento ou em fase de implantação. No longo prazo, a combinação entre crescimento demográfico, avanço tecnológico, novas aplicações para a celulose e a centralidade do tema da sustentabilidade indica que a tendência de expansão deve se manter tanto no Brasil quanto no mercado global.

A eficiência energética, segundo Alisson, exige também visão de longo prazo, engenharia aplicada ao processo e, muitas vezes, um investimento inicial maior, compensado por ganhos consistentes e duradouros. “Indústrias que planejam bem o uso da energia conseguem crescer com maior controle de custos, evitando que a expansão da produção venha acompanhada de perdas energéticas”, afirma.

Trabalho especializado

Embora o planejamento interno da empresa visando economizar no consumo de energia seja um passo importante, ele raramente é suficiente para capturar todo o potencial de economia.

“A experiência mostra que os melhores resultados surgem a partir de diagnósticos baseados em dados, medições em campo e projetos de engenharia focados nas particularidades de cada processo industrial”, ressalta Alisson, da Eletron.

É nesse ponto que a atuação de empresas especializadas se torna decisiva, seja para otimizar plantas antigas, seja para desenhar novas unidades já com sistemas energéticos mais eficientes desde a concepção.

Especializada na elaboração e execução de projetos de eficiência energética para o setor industrial, a Eletron Energia atua de forma integrada, desde o diagnóstico inicial até a execução e o comissionamento das soluções. O processo começa com estudos de viabilidade técnica, que identificam as reais necessidades de cada planta, e avança para o desenvolvimento de projetos que priorizam a redução do consumo específico de energia, medido em kWh por tonelada, sem comprometer a confiabilidade operacional. As soluções incluem automação de equipamentos e sistemas, substituição de motores por versões de alta eficiência e otimizações em sistemas de climatização e processos produtivos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Um comentário em “Indústria de papel e celulose segue em expansão e reforça a necessidade de eficiência energética

  1. Importante constar nessa reportagem o fato de que as fábricas de celulose, principalmente as mais recentemente instaladas, produzem a própria energia elétrica e ainda exportam para a rede nacional um excedente dessa energia gerada. Talvez um dado para acompanhar a informação de que elas são responsáveis por 16% do consumo energético industrial brasileiro, é informar o percentual de quanto da energia produzida no Brasil vem dessas fábricas de celulose.

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