Mercado imobiliário brasileiro encerra 2025 com a 2ª maior valorização em 11 anos

Alta foi impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e pela grande demanda em centros urbanos
Mesmo diante do cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o mercado imobiliário brasileiro demonstrou vigor ao encerrar 2025 com uma valorização de 6,52%. O índice, apurado pelo FipeZAP, consolida-se como o segundo maior avanço nos últimos 11 anos, sendo superado apenas pelo recorde de 7,73% registrado em 2024. O resultado garante aos proprietários um ganho real expressivo, uma vez que a alta superou com folga a inflação oficial (IPCA), estimada em 4,18% para o período.
O fechamento do ano trouxe uma leve perda de fôlego. Em dezembro, os preços subiram 0,28%, um ritmo inferior aos 0,58% de novembro. Para especialistas, esse movimento não indica uma crise, mas sim uma “acomodação” natural. Após dois anos de valorizações intensas, o mercado parece buscar um ponto de equilíbrio.
Apesar da desaceleração mensal, o otimismo foi disseminado em 18 das 22 capitais brasileiras. Em São Paulo, embora o índice geral tenha sido de 4,56% no ano, a demanda por regiões específicas sustentou a liquidez. Analistas apontam que a busca por infraestrutura completa e proximidade com eixos corporativos manteve em alta a procura por bairros na zona sul de São Paulo, que historicamente apresentam menor volatilidade em períodos de juros altos.
No acumulado de 2025, o destaque geográfico ficou com o Nordeste. Salvador liderou a valorização anual entre as capitais com um salto de 16,25%, seguida de perto por João Pessoa (15,15%).
No panorama nacional, o preço médio do metro quadrado atingiu a marca de R$ 9.611. Para o investidor que planeja comprar apartamento na zona sul de SP, o cenário exige atenção ao valor do metro quadrado, que nas áreas mais valorizadas da capital paulista costuma superar significativamente a média nacional, refletindo a maturidade e a escassez de terrenos em áreas nobres.
Uma tendência estrutural se confirmou em 2025: a busca por imóveis menores. Unidades de um dormitório foram as que mais valorizaram no ano (+8,05%), apresentando também o metro quadrado mais caro do país (R$ 11.669). Já os imóveis amplos, com quatro dormitórios ou mais, tiveram o desempenho mais modesto, crescendo 5,34%.
O desempenho do setor em 2025 foi moldado por forças opostas. De um lado, a Selic elevada e a queda no saldo da poupança encareceram o financiamento, afastando parte dos compradores. Do outro, o mercado de trabalho aquecido, com desemprego na mínima histórica de 5,2% e aumento da massa salarial, sustentou a demanda.
Para 2026, a expectativa é de continuidade. Embora o ritmo dependa diretamente da trajetória dos juros e das condições de crédito, o imóvel reafirma sua posição como um dos ativos mais resilientes da economia brasileira, preservando valor mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores.
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