Nova sobretaxa global dos EUA reduz tarifas para US$ 14,9 bilhões das exportações brasileiras

Nova sobretaxa global dos EUA reduz tarifas para US$ 14,9 bilhões das exportações brasileiras

Avanço nas negociações entre Brasil e EUA seguem fundamentais para minimizar riscos de novas restrições comerciais e explorar oportunidades bilaterais

A Amcham Brasil divulga a mais recente edição do Observatório da Política Comercial dos EUA, relatório voltado a empresas, com análises sobre a política tarifária norte-americana e seus impactos para o comércio bilateral.

Com a revogação das sobretaxas aplicadas com base na legislação de emergência econômica (International Emergency Economic Powers Act – IEEPA), o governo dos Estados Unidos passou a adotar, a partir de 24 de fevereiro, uma sobretaxa global de 10% sobre suas importações, com possibilidade de elevação para até 15%.

Para o Brasil, a mudança gera impacto imediato relevante. Produtos que representaram 34,9% das exportações brasileiras aos EUA tiveram suas sobretaxas reduzidas de 40% ou 50% para 10% — ou mesmo eliminadas, em casos como aeronaves. Ao todo, a medida alcança US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, trazendo alívio tarifário no curto prazo.

A nova sobretaxa global de 10% tem como base jurídica a Seção 122 (Trade Act de 1974), instrumento voltado ao enfrentamento de desequilíbrios no balanço de pagamentos, com vigência temporária de até 150 dias. As tarifas aplicadas por razões de segurança nacional no âmbito da Seção 232 — incluindo setores como aço, alumínio e autopeças — permanecem inalteradas.

Como fica a nova distribuição das sobretaxas

Segundo o Observatório, as mudanças podem ser resumidas em quatro pontos:

  • Produtos antes sobretaxados em 40% ou 50% passam a ter alíquota adicional reduzida para 10%, com algumas exceções totalmente isentas;
  • A participação das exportações brasileiras sem sobretaxas aumenta de 37,5% para 45,6% (+US$ 3,5 bilhões);
  • A parcela de exportações brasileiras sujeita à sobretaxas de 10% cresce de 13,2% para 40,0%;
  • Produtos afetados pela Seção 232 permanecem estáveis, representando 14,4% da pauta exportadora brasileira para os EUA.

Entre os itens com redução relevante de alíquotas estão bens de diversos setores, como máquinas e equipamentos, açúcar, madeira processada, transformadores elétricos, tratores agrícolas, tabaco, granito, café solúvel, álcool etílico industrial, derivados proteicos e diversos produtos manufaturados.

Além das aeronaves, outros produtos passaram a ficar totalmente excetuados de sobretaxas, como nióbio, metais industriais, turbinas, geradores, instrumentos automáticos e partes de aeronaves, que somaram US$ 1,07 bilhão em exportações brasileiras aos EUA em 2024.

Entre os produtos que passam a ficar sujeitos à sobretaxa de 10% destacam-se ferro-gusa (US$ 1,5 bilhão), pedras de construção (US$ 369 milhões), minério de ferro (US$ 322 milhões), pasta química de madeira (US$ 207 milhões) e óleos essenciais de laranja (US$ 187 milhões).

Já no âmbito da Seção 232, continuam sujeitos a tarifas elevadas produtos como semiacabados de aço (US$ 1,7 bilhão), aço ligado (US$ 517 milhões), caminhões basculantes, peças automotivas, pneus, chapas metálicas e tubos para petróleo e gás, entre outros.

Alívio no curto prazo, mas riscos permanecem

Apesar da redução imediata das tarifas para parcela relevante das exportações brasileiras, a Amcham ressalta que a nova sobretaxa global tem caráter temporário e que o ambiente tarifário nos EUA continua sujeito a ajustes e novas decisões.

Após a decisão da Suprema Corte, o governo americano reafirmou o compromisso de dar continuidade à sua política tarifária, sinalizando a possibilidade de abertura de novas investigações com base na Seção 232 e na Seção 301, além da conclusão da investigação já em curso envolvendo o Brasil no âmbito da Seção 301.

“A redução das sobretaxas traz impacto imediato ao melhorar as condições de competitividade das exportações brasileiras. No entanto, o avanço das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA continua sendo fundamental para evitar novas restrições comerciais e explorar oportunidades para ampliar o comércio e os investimentos bilaterais”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Diante desse cenário, a Amcham destaca que a perspectiva de um encontro próximo entre os presidentes do Brasil e dos EUA representa uma oportunidade relevante para alcançar esses objetivos.

Edição 24 completa do Observatório Amcham, clique aqui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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