Economia global pode perder até US$ 9,2 trilhões sem acesso às vacinas

Economia global pode perder até US$ 9,2 trilhões sem acesso às vacinas
Um novo estudo encomendado pela Fundação de Pesquisa da Câmara de Comércio Internacional (ICC) estima que a economia global pode perder até US$ 9,2 trilhões se os governos não conseguirem garantir o acesso às vacinas da Covid-19 por parte das economias em desenvolvimento, sendo que economias avançadas perderiam quase metade desse valor.
 
O estudo demonstra claramente as vantagens econômicas de se investir no Acelerador de Acesso às Ferramentas Covid-19 (Access to Covid-19 Tools Accelerator – ACT Accelerator, em inglês), a colaboração global para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso equitativo aos testes, tratamentos e vacinas da Covid-19.  
 
Enquanto outras análises destacaram os custos econômicos do nacionalismo da vacina, esse novo estudo é o primeiro a incorporar tanto choques de oferta quanto de demanda, a nível setorial, para uma economia aberta que opera em cadeias globais de valor. A análise integrada mostra todas as ramificações possíveis do impacto do nacionalismo da vacina, significativamente maiores do que estimado pelas melhores estimativas anteriores.
 
O relatório demonstra os custos econômicos da baixa distribuição de vacinas para o sistema de comércio internacional em escala global, mostrando que mesmo que um determinado país tenha acesso à vacina, ele “experimenta uma recuperação lenta com entrave em seu PIB” se seus parceiros comerciais não tiverem esse mesmo acesso.
 
Surpreendentemente, um investimento de US$ 27,2 bilhões por parte das economias avançadas –  o atual déficit que falta para viabilizar totalmente o ACT Accelerator e seu pilar de vacinas Covax – é capaz de gerar retornos de até 166 vezes o investimento.
 
O estudo também mostra que as economias e setores com alto grau de exposição internacional sofrerão o impacto das perdas econômicas.
 
Celebrando esta última contribuição sobre os impactos econômicos de um Acelerador ACT totalmente financiado, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse: “O mundo enfrenta uma falha moral de grandes proporções no acesso igualitário às ferramentas para combater a pandemia. Esta pesquisa mostra um fracasso econômico potencialmente catastrófico.” 
 
Segundo Ghebreyesus, o progresso feito pelo ACT Accelerator mostra solidariedade no combate a este vírus. “Quanto mais esperarmos para fornecer vacinas, testes e tratamentos a todos os países, mais rápido o vírus se espalhará, o potencial para mais variantes surgirão, maior será a chance de as vacinas de hoje se tornarem ineficazes e mais difícil será para todos países se recuperarem. Ninguém está seguro até que todos estejam seguros”, alerta.
 
Um dos autores do estudo, Ṣebnem Kalemli-Özcan – Professor de Economia e Finanças da cátedra Neil Moskowitz da Universidade de Maryland, College Park – afirmou que “nenhuma economia conseguirá se recuperar totalmente até que tenhamos acesso equitativo global às vacinas, tratamentos e testes.  O caminho em que estamos leva a menos crescimento, mais mortes e a uma recuperação econômica mais longa.”
 
O secretário-geral da ICC, John WH Denton, disse que “o novo ano nos apresenta uma oportunidade de corrigir o curso – de remeter o nacionalismo da vacina ao passado e garantir que os esforços multilaterais tenham o financiamento e o apoio necessários para ter sucesso. Como este estudo mostra, garantir acesso equitativo aos testes, tratamentos e vacinas da Covid-19 não é apenas o certo – fazer o contrário é economicamente irresponsável. Negócios internacionais precisam de um ACT Accelerator totalmente financiado.” 

Principais conclusões

Os custos econômicos com os quais os países ricos arcariam na ausência de coordenação multilateral que garanta o acesso e a distribuição das vacinas variam entre US$ 203 bilhões e US$ 4,5 trilhões, dependendo da força das relações comerciais e da rede de produção internacional. O ACT Accelerator está orçado em US$ 38 bilhões. 
 
Esses custos são maiores do que os estimados por estudos anteriores, que calcularam os custos da inação entre US $ 119 – US$ 153 bilhões em 2021 e até US$ 466 bilhões em 2025 (Duke Health, Eurasia Group, RAND).
 
O estudo mostra uma relação clara e positiva entre o custo econômico da distribuição desigual de vacinas e os vínculos comerciais – quanto mais aberta for uma economia, mais forte será o incentivo econômico que ela deve ter para garantir que os parceiros comerciais tenham acesso às vacinas.
 
Se as economias avançadas continuarem a priorizar a vacinação de suas populações suscetíveis à Covid-19 sem garantir a vacinação equitativa para as economias em desenvolvimento, o custo total para o mundo varia entre US$ 1,5 – US$ 9,2 trilhões. 
 
O custo econômico estimado para os Estados Unidos é de US$ 45 bilhões a US$ 1,38 trilhão. O custo econômico estimado para o Reino Unido é de US$ 8,5 – US$ 146 bilhões. O custo estimado para a Alemanha é de US$ 14 – US$ 248 bilhões.
 
As principais economias avançadas mais afetadas incluem diversos países europeus (como Bélgica, França, Alemanha, Holanda), Noruega, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos, que podem perder até 3,9% de seus PIBs em relação a um mundo onde todos os países estão vacinados.
 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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