Negociador brasileiro ainda é visto com desconfiança no exterior

O negociador comercial brasileiro ainda é visto com certa desconfiança no exterior. A afirmação é do internacionalista e consultor Sergio Ricardo Pereira, que possui 20 anos de experiência na elaboração e implantação de estratégias de inserção internacional de empresas brasileiras. Segundo Pereira, a imagem do negociador do País é arranhada não só por uma falta de preparo adequado de muitos profissionais, mas também por deficiências nas estratégias de comércio exterior das empresas e pela quase ausência de políticas públicas que incentivem a internacionalização das companhias brasileiras. Nesta terça-feira (20), o consultor esteve em Curitiba, onde ministrou um curso de capacitação empresarial em técnicas de negociação internacional, promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), por meio de seu Centro Internacional de Negócios (CIN-PR).

Durante o curso, Pereira enumerou caracteísticas que costumam ser atreladas ao negociador brasileiro no exterior. Entre elas, algumas negativas, como a falta de pontualidade, a não linearidade na condução dos negócios, problemas com o cumprimento de prazo e a falta de continuidade nos negócios. Mas para o consultor, boa parte da falta de credibilidade que atinge o negociador nacional se deve á s próprias empresas. A empresa brasileira tem uma presença internacional errática, inconstante. Ela vai e volta, entra no mercado internacional e sai, ao sabor de variáveis como cá¢mbio, excesso de produção no Brasil ou preço extremamente baixo num mercado fornecedor qualquer”, afirma. Esse movimento errático, somado a mais alguns pontos, é que tem feito com que a imagem do negociador brasileiro caia.”

Na opinião de Pereira, isso pode ser corrigido com a definição de uma clara estratégia de internacionalização por parte das empresas. O trabalho deve ser permanente, chova ou faça sol, com cá¢mbio ruim ou cá¢mbio bom. Se a estratégia foi pela internacionalização, a empresa tem que manter essa estratégia, manter sua presença no mercado externo”, justifica.

Os problemas, porém, não se restringem á  estratégia das empresas. A falta de políticas governamentais que criem condições para a plena internacionalização das companhias é outro obstáculo que acaba afetando o trabalho do negociador. O governo não provê o empresariado das ferramentas e das condições necessárias para que ele se sinta confortável lá fora”, critica Pereira. Além disso, o consultor aponta o perfil do mercado brasileiro como convidativo para que as empresas queiram atuar apenas dentro de suas fronteiras. ”በum mercado grande, fortemente comprador. E demanda muito menos qualificação e trabalho do empresário ficar no Brasil do que explorar alguma coisa lá fora”, afirma.

Tudo isso, aliado á  infraestrutura deficiente do País, contribui para que o Brasil ainda tenha uma ascensão internacional abaixo da esperada, diz Pereira. በpor isso que o Brasil, há muitos anos, só responde por 1% do comércio mundial, quando poderia estar hoje com aproximadamente 8% ou 9%, que é o que a China já alcançou”, declara.

Soma

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