Open Banking: investimento em tecnologia abre grandes oportunidades para o varejo

Na agenda de inovações contempladas pelo Banco Central está o Open Banking, um conjunto de regulamentações e tecnologia que permite a integração de sistemas para o compartilhamento de informações financeiras dos brasileiros entre bancos, fintechs e instituições financeiras, mediante o consentimento do consumidor.
Com a primeira fase de implementação iniciada em fevereiro, o novo sistema renovará todo o mercado financeiro e já demanda investimentos em tecnologia de dados. Contudo, a inovação não ficará restrita ao universo monetário, mas beneficiará toda a sociedade e setores como o do varejo, que nos últimos anos passou a oferecer serviços financeiros.
Alessandro Raposo, especialista do mercado financeiro e CSO da Zoop, fintech líder em tecnologia para serviços financeiros, ressalta que as iniciativas do Banco Central beneficiam toda a sociedade e os negócios, especialmente o varejo. “Estamos vendo a democratização e a digitalização dos serviços financeiros, que formam um solo fértil para o surgimento de novos modelos de negócios e de produtos e serviços mais adequados às necessidades de cada cliente. Para os varejistas, a implementação do Open Banking é o anúncio de uma nova fase de atuação”, comenta.
As empresas desse setor, que geralmente possuem uma relação próxima ao cliente, terão vantagem com o novo sistema, porque já têm uma base de cadastro dos clientes atualizada. Com a troca de informações com outras instituições, os varejistas terão uma maior variedade de dados para entender melhor o comportamento de compra dos consumidores e oferecer os produtos adequados, incluindo soluções financeiras, como cartões e contas digitais, que caibam no bolso deles.
Os varejistas costumam ter uma relação de confiança com os clientes, o que também traz benefícios para a atuação com o Open Banking. O sistema proporcionará um menor número de mediadores no setor financeiro, visto que as empresas e fintechs poderão acessar os dados dos consumidores de forma direta e oferecer uma gama de soluções mais adequadas a seu público. Consequentemente, espera-se que haja menor custo para as operações financeiras, principalmente no caso do varejo.
Raposo indica que as grandes varejistas entrarão cada vez mais no mercado de fintechs, dando força à tendência das BaaS, fintechs que operam com o “banking as a service”.
“O processo de bancarização e fintechzação de empresas originalmente não relacionadas ao mercado financeiro, como o varejo, é outra tendência que ganhou força em 2020 e promete continuar em alta. É nesse contexto que fintechs como a Zoop contribuíram para o crescimento do setor. Com a plataforma de Banking as a Service (BaaS), oferecemos a tecnologia white label para que todas as empresas possam disponibilizar serviços financeiros com segurança e praticidade”, comenta.
Por meio dessas plataformas e do conhecimento e tecnologia desenvolvidos pelas fintechs, lojistas e e-commerces conseguem oferecer os serviços financeiros sem precisar ter uma grande infraestrutura e equipe para trabalhar com a operação de uma fintech dentro da empresa, reduzindo os custos e eventuais problemas com os produtos. “Nesse momento de primeira fase de implementação do Open Banking, varejistas, com ou sem o suporte de fintechs para a operação, estão em um período de preparação e desenvolvimento de tecnologia para o trabalho com os dados desse sistema de compartilhamento”, ressalta Alessandro.
Antes da criação de novos produtos e serviços para os consumidores, é necessário um preparo em tecnologia e a estruturação de novas regulamentações para que todo o sistema funcione de forma adequada e segura. Rafael Lavezzo, CRO da Zoop, explica que o momento é de organização e construção de tecnologia eficiente para as grandes varejistas e fintechs começarem a oferecer serviços com base nas informações do Open Banking.
“O novo sistema coloca como indispensável o compromisso dos agentes desse mercado financeiro com a segurança dos dados. Para as empresas, há a tarefa de desenvolver novas tecnologias e processos para lidar com os dados de forma segura e responsável. Também sabemos que, ao longo do processo, surgirão novas regulamentações por parte do Banco Central”, afirma.
De acordo com os especialistas, o Open Banking inicia uma nova fase de inovações para o varejo. Um dos benefícios do compartilhamento dos dados dos consumidores e do incentivo à concorrência no setor financeiro será o aumento da personalização dos serviços e produtos. Fintechs e outras empresas poderão ofertar soluções específicas para grupos que ainda são desbancarizados no país, como as pessoas que fazem parte de classes menos favorecidas. Além disso, é esperado que haja a redução de taxas de juros no varejo e maior oferta de serviços como abertura e pagamentos de contas.
Alessandro explica que esse cenário favorável às inovações, mesmo durante a pandemia, foi impulsionado pelo BC: “Desde 2020, o mercado financeiro está passando por uma forte renovação no Brasil, motivada principalmente pela agenda de iniciativas do Banco Central. Além do Open Banking, com a agenda de iniciativas que se estende em 2021, houve o PIX, sistema de pagamentos instantâneo do BC”.








